Com o aumento das preocupações com segurança no emprego, quase metade (46%) dos entrevistados em todo o mundo assumiu responsabilidades adicionais no trabalho, seja para compensar a saída de colegas que perderam o seu posto, ou, particularmente no caso de trabalhadores essenciais, para lidar com a carga de trabalho extra que a COVID-19 criou.

Mais de metade (55%) dos trabalhadores essenciais e um terço dos não essenciais (34%) assumiu tarefas adicionais durante a pandemia, uma tendência seguida por quase duas vezes mais trabalhadores na América Latina e no Pacífico Asiático do que seus colegas na Europa (51%, 49% e 28%, respetivamente), o que confirma a descoberta de que as pessoas nessas regiões estão mais propensas a sofrer efeitos profissionais.

Um em cada dez trabalhadores (10%) no mundo está a trabalhar mais de 20 horas por semana gratuitamente, proporção que duplicou no ano passado, antes da pandemia, quando o número era de um em cada vinte.

Muitas das pessoas que assumiram responsabilidades adicionais foram recompensadas financeiramente pelo compromisso, mas é surpreendente ver a quantidade de horas extras não remuneradas sendo trabalhadas. Em média, o número de horas extras gratuitas trabalhadas toda a semana agora é de 9,2 horas por pessoa, contra as 7,3 do ano passado. Esse número aumentou significativamente em todas as regiões, mas em nenhuma tão rapidamente quanto na América do Norte, onde a média dobrou de quatro horas por semana para quase nove (8,9). O Pacífico Asiático ainda é a região líder mundial em horas extras não remuneradas que os trabalhadores concedem aos seus empregadores, alcançando uma média de quase 10 (9,9) horas.

Trabalho em casa ou na empresa

Uma das perguntas que muitos trabalhadores e empresas se estão a fazer é quais das mudanças que eles foram subitamente forçados a adotar pela pandemia chegaram para ficar e quais se mostrarão ter sido apenas medidas temporárias que serão revertidas quando a vida voltar ao “normal”.

Até o momento, uma área central do debate é que proporção do trabalho de “home office” permanecerá sendo norma para muitos, seja em alguns ou todos os dias da semana, e o que isso significará para a produtividade, o trabalho em equipa, o desenvolvimento profissional e a progressão de carreira, além dos requisitos de espaço de escritório. A pesquisa indica que 76% dos trabalhadores ao redor do mundo comparecem ao local de trabalho ao menos parte do tempo.

Quando se fala em produtividade, a pesquisa revela alguns insights muito interessantes. Ao contrário do que se poderia esperar, dada a agitação ocorrida no ambiente doméstico e a necessidade de adaptação, as pessoas a trabalhar remotamente ou em casa são tão propensas (na verdade, marginalmente menos) a indicar que manter a produtividade é um enorme desafio quanto os seus colegas no escritório (10% contra 13%). E os empregadores considerando adotar um modelo híbrido após a pandemia, com os trabalhadores a voltar ao local de trabalho alguns dias da semana e trabalhando o resto dela em casa, devem refletir sobre a revelação de que um número maior de pessoas seguindo esse padrão (15%) vê a manutenção da produtividade como um grande desafio.

As pessoas a trabalhar a partir de casa estimam fazer mais horas extras não remuneradas do que aquelas no local de trabalho ou na empresa (9,4 horas contra 8,7). Mas aquelas que adotaram um modelo híbrido de trabalho, em casa e na empresa, acreditam que estão a fazer ainda mais do que todas: 9,8 horas…

* No seguimento do grande inquérito realizado pela ADP sobre o mundo do trabalho neste período de pandemia, que aqui já referi em artigos anteriores, continuo a partilhar algumas das principais conclusões.

O trabalho e o impacto da Covid
Impulsão pela diversidade
Resiliência do colaborador

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Licenciado pelo ISEG em Gestão, em 1994, Carlos Carvalho começou a carreira nos escritórios da KPMG em Lisboa. Após um ano como auditor financeiro na KPMG, coordenou a equipa de desenvolvimento comercial B2B da empresa espanhola FAGOR Eletrodomésticos, onde desenvolveu... Ler Mais