Quando falamos em fazer algo novo, aquilo que muitas vezes se sublinha é o medo do fracasso. Nessa sequência muitas questões que nos colocamos são: “Será que devo arriscar?”;”E se não correr bem?”; “Será que tenho as competências suficientes para conseguir fazer isto?”; “Será que devo deixar uma carreira estável e correr para o incerto?”; “Será que devo dar a minha opinião?”.

Estas e outras questões são muitas vezes colocadas em contexto de coaching, e a verdade é que muitas vezes aquilo que verdadeiramente nos bloqueia não é o medo do fracasso, mas sim do sucesso!

Este medo foi explicado por Maslow, e anteriormente por Freud, e tem o nome de complexo de Jonas. O que este complexo vem explicar é que, tal como tememos o pior de nós, também tememos o melhor, tememos as nossas possibilidades máximas. Temos medo de nos tornarmos na melhor versão de nós próprios. Temos medo das novas experiências, das novas relações, dos novos desafios. Medo de nos entregarmos ao sucesso e à felicidade.

E neste contexto, apesar de nos projetarmos e descobrirmos aquilo em que nos podemos tornar, somos agitados pelo medo de fracassar, e antecipamos esse mesmo fracasso, talvez por não querermos sair da nossa zona de conforto.

É assim importante ter a noção que muitas vezes aquilo que nos limita é a nossa incapacidade de abandonar aquilo que já conhecemos. Mesmo que a zona de conforto seja desconfortável, é algo que nos é familiar e que temos ferramentas para conseguir gerir.

Já a decisão de arriscar, e tomar uma direção diferente, implica uma aposta no crescimento e no desenvolvimento de novas capacidades e ferramentas. Implica também ter coragem para nos despedirmos do nosso antigo “eu”, para nos podermos tornar naquilo que queremos ser.

Um dos temas que debati, aquando da minha formação em coaching, foi o impacto do processo de coaching naqueles que nos são mais próximos. São muitas vezes eles os primeiros a resistir à mudança que operamos em nós, porque temem o desconhecido. De repente deixam de saber o que podem esperar, e isso acaba por os assustar. O principal objetivo passa a ser puxar-nos para aquilo que éramos e que eles conheciam.

Este é de alguma forma o processo que acontece quando pensamos numa mudança. Durante uns dias brincamos com a ideia, projetamos o melhor de nós e imaginamos um futuro de sucesso. Mas passado algum tempo somos nós próprios que sabotamos o nosso sucesso e nos empurramos para a nossa zona de conforto.

Uma das técnicas que podemos utilizar, para combater este processo, é termos um diário onde respondemos a três questões. Deveremos fazer isso durante 1 mês:

  • Com que me deparei hoje que sustenta a minha mudança?
  • Como é que esse facto/ideia contribui para o meu sucesso?
  • Qual foi a desculpa que inventei para não avançar?

Ao fim de um mês devemos reler tudo o que escrevemos por forma a ter claro o potencial da mudança, bem como as desculpas que inventamos por ter medo de sucesso.

Se encontrar na sua listagem algum dos medos abaixo, o que lhe posso dizer é que não está sozinho. Estes três fatores são-me recorrentemente relatados como bloqueadores da ação.

  • considerar que não merece ter sucesso;
  • receio de, para avançar, ter que dar um passo atrás;
  • medo do julgamento.

Como nota final o que posso deixar é que o medo do sucesso é altamente paralisante. É contudo nossa obrigação percebermos aquilo em que somos realmente bons, garantindo que damos ao mundo o melhor de nós. Só desta forma poderemos viver de acordo com o nosso propósito e ser verdadeiramente felizes.

E lembre-se do que aconteceu com Jonas. Quando tentou fugir, levou o barco na direção contrária e acabou por ser atingido por uma tempestade. Isso é o que acontece connosco quando fugimos do nosso propósito e essência. Provocamos uma tempestade em nós e em todos os que seguem no barco das nossas vidas.

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Anabela Possidónio tem uma certificação de coaching pela New Ventures West, uma das melhores escolas de coaching dos EUA, é Associated Accredited Coach (ACC) pela ICF, tem um MBA pela Católica e é licenciada pelo ISEG. No seu trabalho como... Ler Mais