“Quem dominar, na perfeição, a arte de saber estar, comunicar e receber levará a sua carreira ao próximo nível: a excelência profissional”, defende Joana Andrade Nunes, que trocou a advocacia pelo empreendedorismo. Hoje, para além da marca de roupa Tierno, acumula ainda um projeto de consultoria e formação de etiqueta e protocolo. Uma mulher “apaixonada por projetos e desafios”.

Trocou a advocacia pela Tierno, a empresa que fundou em 2017 e que se dedica a produzir roupa de bebé exclusiva e de qualidade premium, uma necessidade que Joana Andrade Nunes detetou quando foi mãe pela primeira vez e diagnosticaram pele atópica ao seu bebé.

Hoje Joana Andrade Nunes é também autora do blogue “Camomila Limão”, no qual partilha, desde 2014, a paixão pela arte de saber estar e receber. O seu livro Quatro Gerações à Mesa foi considerado o melhor livro de culinária de Portugal pelos Gourmand World Book Awards (2016) e o 3.º melhor do mundo pelos Gourmand World Book Awards 2017. No ano passado fundou o projeto “Etiqueta Moderna”, um serviço de consultoria e formação de etiqueta e protocolo que visa empoderar jovens e adultos através da arte de saber estar, comunicar e receber.

Ao Link To Leaders, a empreendedora fala dos projetos que tem em mãos e dos planos para o futuro.

Mãe, advogada e empreendedora. Quem é a Joana Andrade Nunes?
Sou uma mulher que, diariamente, veste vários trajes com o propósito de fazer a diferença na vida dos outros. Sou mãe de duas crianças fantásticas; sou advogada (neste momento, apenas “de coração”, pois atualmente não exerço a minha atividade enquanto advogada); sou empreendedora; sou sonhadora; sou uma mulher determinada; uma mulher com defeitos e com qualidades; uma mulher com espírito empreendedor desde tenra idade; sou apaixonada pela arte de bem receber e por criar memórias e momentos felizes em família e entre amigos; sou apaixonada por comunicar, pelo dom das palavras sabendo que “a palavra certa, no momento certo” tem um poder mágico  inigualável.

Sou uma mãe imperfeita que, diariamente, faz malabarismos e se reinventa para conseguir ser a melhor mãe para os seus filhos. Sou, como tantas mulheres no mundo, alguém que acredita, que todos – e cada um de nós – temos o poder-dever de transformar o mundo. Como? Em cada gesto diário! Sorrir genuinamente (ainda que, atualmente, seja apenas possível “sorrir com os olhos”) e cumprimentar o segurança que nos acolhe todas as manhãs quando chegamos ao escritório; utilizar a trilogia mágica “com licença, por favor e obrigada/o”. Quando colocamos um sorriso na face do outro, quando demonstramos que o respeitamos. Cada gesto diário é uma oportunidade de demonstrar ao mundo que o ser humano é – e continua a ser – alguém que vive em comunidade, que estabelece laços; que temos competências únicas inalcançáveis  pela tecnologia de ponta.

Somos seres dotados de competências sociais, emocionais e comportamentais que nos permitirão garantir um papel diferenciador na sociedade tecnológica hodierna.

Que características tem a Joana, que julga serem essenciais a uma empreendedora?
“Olhar para o céu como único limite”, fruto da educação que os meus pais me proporcionaram. Cresci no seio de uma família que sempre se dedicou a dar vida a projetos que fizessem a diferença na vida dos outros. A minha mãe é incapaz de resistir a um bom desafio e, desde cedo, fez questão de desafiar os filhos a contribuir para uma sociedade melhor. “Professora à moda antiga” demonstrou-nos que a educação abre portas para o mundo e que somos responsáveis pelo sucesso do nosso percurso escolar. Empenho, trabalho e dedicação sempre foram as palavras de ordem.

Os meus pais sempre nos demonstraram que o nosso papel na sociedade é muito mais do que ter excelentes resultados académicos. Ao longo da infância e adolescência, os meus pais convidaram-nos, inúmeras vezes, a refletir sobre o nosso papel na sociedade; o porquê de pretendermos integrar um novo projeto e como é que esse projeto contribuiria para fazer a diferença.

Organizar teatros, festivais de música, musicais – atividades pro bono para a comunidade – faziam brilhar os olhos da minha mãe que, rapidamente, contagiou a alma dos filhos. Dos vários projetos que integrei durante a adolescência, houve um que me marcou especialmente: o musical de Natal “O Menino Jesus”, organizado pela minha mãe, que envolveu a comunidade local. Alunas da faculdade que se disponibilizaram para cantar, músicos para compor a orquestra e dar vida a um espetáculo musical inesquecível;  professores, alunos e, claro, o bebé mais amoroso de sempre que deu vida ao “Menino Jesus”. Este evento contou com uma participação peculiar: envolveu (alunos) adultos do ensino recorrente, de etnia cigana, que o abraçaram com empenho, dedicação e seriedade.

De mãos dadas com o ambiente familiar no qual fui crescendo, o meu percurso escolar “fora do padrão tradicional” dotou-me de competências essenciais para palmilhar o caminho do empreendedorismo. Durante 8 anos, conciliei o plano curricular tradicional com o curso complementar de música, na vertente de instrumento (piano), numa localidade a 30 km de casa.

Aos 11 anos – e com o privilégio de contar com o meu irmão e com o meu pai como “colegas de turma” no conservatório – fui chamada a conciliar a elevada exigência do ensino artístico com exigência de um percurso escolar pautado pela excelência. A exigência do ensino secundário foi conciliada com a exigência e elevada carga horária dos últimos 3 anos do curso complementar de música no conservatório.

Se tenho características inatas essenciais para ser empreendedora? Talvez. Contudo, tem sido exemplo diário dos meus pais, o companheirismo incondicional do meu irmão, o desafio constante do meu cunhado para me superar diariamente e o apoio nuclear do meu marido e dos meus filhos que me permitem continuar a sonhar e a transformar a vida dos outros.

“Perceber o papel que o protocolo tem na nossa vida – não é um “vilão castrador”! -,  que as regras de etiqueta têm um propósito nobre; que as palavras são “uma arma poderosa” que devemos utilizar com mestria”.

De que forma as suas experiências profissionais têm-na ajudado em alguma medida agora como fundadora da “Etiqueta Moderna e Protocolo”?
Aos 15 anos, fui passar as férias de verão a Londres com o meu tio paterno, tendo ficado inserida numa comunidade multicultural: ingleses, italianos, franceses, argentinos, brasileiros, indianos, ganeses! Uma experiência riquíssima que me fez perceber, de imediato, o poder das palavras, do tom de voz, da postura e da inexistência de uma linguagem universal de gestos e comportamentos.

Contudo, percebi também o facto de não conseguir comunicar no idioma de cada interlocutor não seria impeditivo de estabelecer laços com pessoas maravilhosas. Se cada gesto demonstrasse respeito e consideração pelo outro, dificilmente catalogaria as minhas palavras (ou a sua ausência) como rudes denotando falta de polimento.

Foi durante o meu percurso académico na Faculdade de Direito de Lisboa que o fascínio pela arte de saber estar, receber e comunicar foi aprimorado. Perceber o papel que o protocolo tem na nossa vida – não é um “vilão castrador”! -,  que as regras de etiqueta têm um propósito nobre; que as palavras são “uma arma poderosa” que devemos utilizar com mestria.

Quando ingressei no mercado de trabalho – enquanto docente universitária na Faculdade de Direito de Lisboa e enquanto advogada –  rapidamente percebi que no mundo académico e profissional altamente competitivo no qual estava inserida, seriam as soft skills que conseguiriam diferenciar os vários profissionais de excelência com quem colaborava.

O privilégio de contactar, profissionalmente, com culturas tão diferentes e fascinantes aguçaram o meu gosto por saber adaptar o meu comportamento, a minha forma de comunicar para que as nossas relações fluíssem com o menor ruído de fundo. Saber que chegar dois minutos atrasada a uma reunião com um alemão garantiria uma péssima impressão; e saber que o tempo em África tem, contudo, outro ritmo no qual as horas são “indicativas”. Se estivermos disponíveis para conhecer o outro e descobrir o seu contexto cultural, teremos maior facilidade em perceber a essência de determinadas decisões e comportamentos.

Hoje em dia qual o fator diferenciador que permite a qualquer profissional construir e sedimentar uma carreira de sucesso?
Soft skills! É a arte de saber estar, receber e comunicar que permitirá a qualquer profissional, máxima para quem se paute pela excelência, diferenciar-se entre os pares. Atualmente, o mercado está repleto de inúmeros programas académicos de excelência: MBAs, LLMs, programas de liderança e gestão de equipas que, juntamente com um curriculum académico sólido, nos proporcionam competências técnicas fulcrais para que consigamos desenvolver a nossa atividade com rigor e seriedade.

Contudo, atualmente, apresentar excelentes competências técnicas não permite que nos diferenciemos dos nossos pares. Se analisarmos o curriculum dos vários profissionais que integram organizações de topo, constatamos que estão repletos de formações acadêmicas diferenciadas. Como pode ser feita a diferenciação?

Todos nós conhecemos profissionais brilhantes, academicamente fenomenais, com um QI invejável. Contudo, apresentam um quoficiente de inteligência emocional no polo oposto. São incapazes de comunicar com sucesso com outros; são incapazes de estabelecer relações sólidas e duradoras com clientes, colaboradores e parceiros.

Construir relações sólidas vai muito mais além do que estar dotado de excelentes competências técnicas. Saber ser empático; saber comunicar com o outro; saber recebê-lo com o coração e proporcionar-lhe uma refeição memorável; saber tratar o interlocutor pelo nome ao longo da comunicação; saber estabelecer e manter contacto visual;  saber melhorar os nossos argumentos colocando os “gritos” de parte; saber escutar; saber liderar uma reunião; saber oferecer um café no momento exato; saber interpretar o que os gestos do outro comunicam ainda que permaneça em silêncio; saber que à mesa se revela a nossa essência e que, como tal, é um momento particularmente interessante para criar e reforçar laços profissionais.

A chegada ao mundo do trabalho confronta-nos com situações diárias para as quais não fomos preparados durante a faculdade. Quem dominar, na perfeição, a arte de saber estar, comunicar e receber levará a sua carreira ao próximo nível: a excelência profissional.

Quais os serviços que mais lhe têm sido requisitados?
Consultoria e formação individual, no âmbito do meu programa “Etiqueta e Protocolo Profissional”.  As três grandes áreas que lhe dão vida – “Sou uma marca”, “A arte de comunicar” e “À mesa” –  visam dotar cada profissional com ferramentas nucleares para construir e sedimentar uma carreira de sucesso.

Tal como um alfaiate cria “O” fato que empoderá cada profissional, faço questão de personalizar o programa ao contexto de cada cliente proporcionando uma experiência de “arte à medida” num ambiente de exclusividade e confidencialidade. Tenho o privilégio de trabalhar com pessoas com contextos pessoais e profissionais distintos – médicos, advogados, juristas, professores, arquitetos, engenheiros, gestores, CEO, empreendedores –  que procuram alcançar uma melhor versão de si.

Pretendem construir (e/ou consolidar) a imagem pessoal e profissional; definir uma presença digital; aprender a adotar a postura correta; conhecer e saber interpretar o código de vestuário; comunicar com empatia, assertividade e rigor; aprender a causar uma boa (primeira) impressão; a estar com segurança e tranquilidade em qualquer ocasião independente do grau de solenidade envolvida. Em suma, querem descobrir e despertar o camaleão social “adormecido” transformando-se em seres carismáticos.

No âmbito social, a principal “preocupação” dos meus clientes é saber receber e saber estar à mesa, em especial num contexto formal. Nesse sentido tenho dinamizado a minha conta de Instagram na qual desperto o cidadão comum, de forma leve e assertiva, para a necessidade de polir o nosso comportamento em qualquer ocasião.

“É notória a falta de empatia, de disponibilidade mental para o outro; a inexistência de tolerância. A dificuldade em comunicar com sucesso é, talvez, uma das principais questões que me tem sido colocada”.

Há um profissional antes e um depois do Covid-19 no que ao saber estar, comunicar e receber diz respeito?
Deixar de conviver fisicamente durante os meses de confinamento fez com que o regresso ao trabalho e aos programas sociais se revelasse um desafio. Depois de meses e meses em teletrabalho com roupa informal, o que vestir? Como falar? Onde devo colocar a máscara? Posso perguntar ao outro se tem o certificado de vacinação?

É notória a falta de empatia, de disponibilidade mental para o outro; a inexistência de tolerância. A dificuldade em comunicar com sucesso é, talvez, uma das principais questões que me tem sido colocada. Não conseguir encontrar as palavras certas, a sensação de “ofensa” com cada palavra que se profere; de não saber o que dizer, como e quando dizer está na ordem do dia.

A pandemia convidou-nos, também, a rever e adaptar regras protocolares que, até então, não eram questionadas. Se, no contexto profissional, o aperto de mão era o cumprimento por excelência, a pandemia fez com que se encontrassem outras soluções que não implicassem toque físico. Por um lado, respeitar as orientações das autoridades de saúde era inquestionável; contudo, não cumprimentar o outro estava, também, fora de questão. Colocar a mão sobre o coração ou o cumprimento “namaste” surgem  como “novas” formas de cumprimento profissional e social no contexto ocidental demonstrando respeito pelo outro sem colocar a saúde pública em causa.

Socialmente, surgem também novas preocupações. Posso pedir ao outro que se descalce antes de entrar em minha casa? Como devo comunicar ao meu interlocutor que não me sinto confortável na presença de outras pessoas sem ter a máscara colocada?

O “eu” profissional é indissociável do “eu social”. Os desafios que a pandemia nos tem colocado determinam que, diariamente, tenhamos de nos adaptar ao novo contexto, estando cientes de que cada gesto, cada conduta deverá, indiscutivelmente, demonstrar respeito, consideração e gentileza. Saber estar, saber receber e saber comunicar é, na essência, saber respeitar o outro em qualquer ocasião e saber demonstrar gentileza em cada gesto: princípios que permanecerão imutáveis para que a convivência em sociedade seja possível.

Acha que é preciso reinventar o protocolo empresarial?
Ser conhecedor das regras de etiqueta e protocolo – e saber utilizá-las com modernidade e bom senso – é nuclear para que a convivência com o outro seja pautada pelo respeito, segurança e tranquilidade. Para que consigamos estar cientes do lugar que o protocolo empresarial ocupa no âmbito de cada organização é necessário desmistificar e esclarecer o que é, verdadeiramente, o “temível vilão castrador” protocolo.

Ao consultarmos vários dicionários, constatamos que na definição de “protocolo” todos salientam os conceitos de “ordenação” e “primazia”. O protocolo é o conjunto de regras e procedimentos vigentes numa determinada comunidade que visam estabelecer precedências, privilégios e distinções no âmbito das relações entre vários órgãos e agentes de poder. Saber quem tem precedência no âmbito daquela organização, quem é o elemento mais importante da sala; quem tem de se levantar quando entra alguém na sala de reuniões ou, simplesmente, no seu gabinete; qual o papel da mulher executiva; quem deve entrar e sair da viatura em primeiro lugar e em que lugar se deve sentar; como apresentar e ser apresentado; que “privilégios” sociais atribuídos à figura feminina não estão espelhados no âmbito profissional. São exemplos diários que encontram resposta nas regras de protocolo. Estas permitem que as relações entre os membros de cada organização possam fluir agilmente minimizando conflitos e ruído que surgiriam se este não existisse.

Em traços gerais, o protocolo visa criar o ambiente perfeito pautado pelo respeito para que seja possível estabelecer e reforçar laços.

Serão as regras protocolares desnecessárias? Porque será tão importante saber quem devo cumprimentar em primeiro lugar? Ou quem entra primeiro na sala? Qual a necessidade de saber onde me vou sentar? A resposta é simples! O protocolo retira “o peso sobre os ombros” da insegurança de não saber o que fazer; de não saber qual é o seu lugar; de ficar ansioso e inseguro ao não saber quem deve (e como deve) cumprimentar em primeiro lugar. O protocolo cria espaço para que as relações possam fluir; transmite segurança; permite que consigamos estabelecer relações sólidas e duradouras com tranquilidade e sem “ruído de fundo”. O protocolo transforma o caos em ordem; transforma os medos e as inseguranças em previsibilidade e tranquilidade pois todos sabemos qual o comportamento a adotar. O protocolo liberta-nos: permite-nos focar na relação que estamos a construir.

Os desafios que as organizações hodiernas nos colocam determinam que seja necessário reinventar e agilizar determinadas regras de protocolo sob pena de, in casu, se revelarem obsoletas. Se as regras protocolares são claras em relação a quem deve discursar em primeiro lugar, quem se senta na primeira fila, a dificuldade está, agora, em definir quem é o anfitrião; em organizar os vários convidados que se apresentam com inúmeras funções. É, também, necessário continuar a garantir a solenidade e importância de determinados rituais sob pena de ficarem destituídos de sentido útil.

Se o protocolo não se adaptar aos tempos modernos, ficará destituído de sentido útil. Se o protocolo deixar de ter o papel de nos aproximar e de contribuir para o sentimento unificação da comunidade, dificilmente sobreviverá aos novos desafios.

Quais os ingredientes para construir uma marca pessoal nos dias de hoje?
Ser genuíno; saber o que nos define; saber qual é o nosso propósito.  Esta é a trilogia para construir uma marca pessoal sólida. Cada componente deve, contudo, ser explorado e potenciado para que consigamos criar uma marca pessoal e profissional diferenciada. Saber estar em qualquer ocasião; saber respeitar o outro colocando-o em primeiro lugar; estar ciente da nossa pegada digital; saber que a aspereza com que comunicamos com a funcionária do hipermercado nos definirá negativamente; saber que cada gesto diário jamais deve colocar o outro numa situação desconfortável; saber que a vida em sociedade implica cedências mas que tal não aniquila a nossa personalidade. Cada pormenor deve ser aprimorado para que consigamos ser verdadeiros camaleões sociais, seres carismáticos que fazem a diferença na vida do outro.

No mundo das aparências – no qual as redes sociais nos vendem a imagem da felicidade, do profissional de sonho, dos casais perfeitos e das famílias de sonho – saber viver no mundo real é uma habilidade que está em vias de extinção, essencial para que consigamos construir uma marca pessoal e profissional honesta.

A Joana defende que as refeições profissionais são um teste às nossas competência sociais. Por que é que o estar à volta da mesa tem para si uma importância fundamental?
Se, durante breves minutos, analisarmos o número de negócios, transações, operações e processos de recrutamento em que estivemos envolvidos e contabilizarmos o número de refeições profissionais que cada ocasião envolveu, facilmente percebemos a importância de saber estar à mesa.

À mesa, todos temos um elo que nos une: satisfazer a necessidade biológica de nos alimentarmos para sobreviver. O poder da partilha da refeição, de alimentar e cuidar do outro faz parte da herança cultural do Homem. São Tomás de Aquino resume, brilhantemente, em breves palavras,  a essência de estar à mesa: “é a primeira arte, alimenta os mortais”.

Negócios de especial importância e processos de recrutamento de cargos diferenciados envolvem uma refeição onde serão testadas as competências sociais. Falamos, claramente, da mesa do poder, da mesa da sedução negocial; da mesa que nos permite revelar a essência do outro.

Lembrando as palavras de Brillat-Savarin, “As refeições oficiais tornaram-se uma forma de governar”. Porquê? A partilha da refeição, enquanto ritual coletivo, tem um papel fulcral na definição do ser humano. A “diplomacia do estômago” entra em ação deslumbrando e seduzindo com iguarias memoráveis. É também uma forma de governação subtil poderosíssima. É a mesa da integração ou, pelo contrário, a mesa da exclusão; é a mesa que se transforma em centro de tomada de decisões ou, simplesmente, utilizada para reforçar e sedimentar relações ao longo da vida.

Negociações e relações entre Estados e entre organizações envolvem banquetes que permitem receber o outro e, em simultâneo, demonstrar o poder de cada interveniente. Uma refeição cuidada tem o poder de confortar a alma; de predispor os nossos convidados a escutar o que temos para dizer; de conquistar a sua confiança e, acima de tudo, de vislumbrar o “verdadeiro eu”.

À mesa, ainda que no âmbito profissional, estamos mais descontraídos. O peso da negociação é colocado parcialmente em standby e, enquanto partilhamos a refeição, estamos propensos a revelar quem somos verdadeiramente.

A escolha do local de refeição fora da organização não é, obviamente, inocente. Se, por um lado, se pretende proporcionar um momento aprazível, o decurso da refeição num local externo facilitará a “alteração do chip mental” para o âmbito social. Como tal, o verdadeiro “eu” de cada interveniente será, com maior facilidade, revelado.

A forma como entramos no restaurante, como nos dirigimos ao empregado de mesa, como gerimos um acidente à mesa, como conseguimos, habilmente, conversar com os vários intervenientes é testado milimetricamente. As situações clássicas de alguém tratar com aspereza o empregado de mesa ou de se “incompatibilizar” com o sommelier por não partilhar da mesma opinião sobre o vinho sugerido são fatais. Um “passo em falso” demonstra quem somos verdadeiramente dotando o outro de informação valiosíssima que não é passível de avaliar no curriculum. Estará, então, na posse de vários elementos que lhe permitirão, com clareza, decidir se somos o cliente, o colaborador ou o parceiro que pretende ter ao seu lado.

Por outro lado, se soubermos identificar e utilizar cada peça corretamente, não transportaremos o peso da insegurança, da desconfiança e da ansiedade que assombra muitos quadros diferenciados. As refeições profissionais decorrem, habitualmente, em ambientes formais nos quais se espera um comportamento irrepreensível. São servidos vários pratos e, como tal, são apresentadas inúmeras peças para que seja possível degustar cada alimento devidamente. A presença de mais talheres, de mais copos e de várias dinâmicas, implica que cada elemento “saiba dançar ao ritmo da música”.

A desconfiança e o “pânico” que envolvem as refeições formais  são facilmente ultrapassados conhecendo as regras de etiqueta à mesa. Se soubermos o que fazer, quando e como, estamos mentalmente disponíveis para nos concentrarmos no mais importante: partilhar a refeição com quem está na nossa mesa construindo e reforçando relações.

Sermos conhecedores das regras de etiqueta à mesa permite que estejamos com segurança e tranquilidade em qualquer ocasião.

“Continuar a demonstrar que investir em nós é um dos melhores investimentos que faremos ao longo da vida. Conhecimento é poder; por mais que o mundo evolua, jamais nos poderá ser retirado o conhecimento adquirido”.

Planos para o futuro do “Etiqueta Moderna e Protocolo”.
Continuar a crescer de forma sustentada, contribuindo para um mundo melhor. Este é o plano que me move diariamente; que me faz acordar e levantar sem sentir que “vou trabalhar”; que me permite olhar para cada “segunda-feira” como um dia que me proporcionará novos desafios.

Continuar a ter um papel transformador na vida de cada profissional, demonstrando que todos podemos alcançar uma melhor versão de nós; que a vida é um processo de aprendizagem contínua; que estamos sempre a tempo de alcançar uma melhor versão de nós. Continuar a demonstrar que investir em nós é um dos melhores investimentos que faremos ao longo da vida. Conhecimento é poder; por mais que o mundo evolua, jamais nos poderá ser retirado o conhecimento adquirido.

O que ainda lhe falta concretizar?
Que pergunta tão difícil! Para quem é apaixonada por projetos e desafios, é difícil materializar o que ainda falta concretizar! Um espírito empreendedor é imparável: existirão sempre planos por concretizar.

Muitos projetos foram ditados pelas circunstâncias da vida. Há 10 anos, dificilmente diria que escreveria livros dedicados à parentalidade; atualmente, conto com três livros nessa área. E estaria longe de imaginar que ajudar outras famílias a vivenciar a diversificação alimentar do bebé estaria nos meus planos. Há três anos, fruto da minha experiência de mãe, criei os workshops “De mãe para mãe” nos quais, enquanto mãe, ajudo outras famílias a vivenciar esta fase com tranquilidade.

Há 10 anos, a minha perspetiva profissional era continuar com o meu percurso académico e ingressar no próximo nível: o doutoramento na área do Direito. Planeava construir uma carreira sólida e coesa enquanto advogada de Direito Fiscal. Dez anos depois, os planos são diferentes mas igualmente desafiantes. Saber que posso contribuir para um mundo melhor e que o céu é o único limite é o mote para novos projetos.

Ter o privilégio de educar os meus filhos, transmitindo-lhes os valores que os meus pais me transmitiram é provavelmente, “O” meu projeto imutável de vida ao qual se continuarão a associar novos projetos que me permitam ser feliz.

Respostas rápidas:
O maior risco: 
sair da zona de conforto.
O maior erro: 
não saber parar.
A maior lição: 
empreender é palmilhar o caminho das pedras.
A maior conquista:
liberdade para fazer o que me faz feliz.

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