No Radar: as prioridades da diretora-geral da Montiqueijo até ao final do ano

Foto: Dina Duarte, diretora-geral da Montiqueijo

Até ao final de 2026, Dina Duarte quer reforçar a competitividade e a sustentabilidade do negócio, definir as prioridades de investimento para 2027 e explorar o potencial da inteligência artificial no setor agroalimentar, sem perder de vista a valorização das pessoas e da produção nacional.

Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?

A minha prioridade é continuar a reforçar a competitividade e a sustentabilidade da Montiqueijo, conciliando a eficiência da nossa produção com a qualidade dos nossos produtos, a valorização das nossas pessoas e a responsabilidade que temos perante o ambiente e a sociedade. Num setor tão exigente como o nosso, é fundamental antecipar desafios, fazer escolhas conscientes e preparar o futuro sem perder a ligação às nossas origens. Acredito que o crescimento só faz sentido quando cria valor de forma equilibrada e duradoura.

“Este ano reforçou uma convicção que há muito orienta a minha forma de liderar: a capacidade de adaptação é essencial, mas nunca deve comprometer aquilo em que acreditamos”.

Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?

Este ano reforçou uma convicção que há muito orienta a minha forma de liderar: a capacidade de adaptação é essencial, mas nunca deve comprometer aquilo em que acreditamos. A instabilidade geopolítica e económica veio reforçar a importância de antecipar riscos, agir com agilidade e tomar decisões com visão de longo prazo. Num contexto em que tudo muda rapidamente, incluindo as exigências dos consumidores, é fundamental saber distinguir tendências passageiras de mudanças estruturais, mantendo o foco naquilo que verdadeiramente cria valor.

Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?

Definir as prioridades de investimento e crescimento para 2027, garantindo que as nossas escolhas reforçam a competitividade da Montiqueijo e a sustentabilidade do negócio a longo prazo. Na nossa atividade, em que acompanhamos o processo desde a produção de leite até à transformação em queijo, temos uma responsabilidade acrescida na gestão dos recursos e na valorização de toda a cadeia de produção. O desafio está em continuar a modernizar e inovar, investindo de forma responsável e sem comprometer a qualidade, as pessoas e os valores que nos distinguem.

“(…)  a velocidade com que a inteligência artificial está a evoluir e a encontrar aplicações concretas no setor agroalimentar tem vindo a despertar um interesse crescente”.

Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?

Não diria que é um tema novo no meu radar, mas a velocidade com que a inteligência artificial está a evoluir e a encontrar aplicações concretas no setor agroalimentar tem vindo a despertar um interesse crescente. Vejo um enorme potencial na utilização destas ferramentas para otimizar recursos, reduzir desperdícios, melhorar os processos produtivos e contribuir para uma atividade mais sustentável, desde a origem do leite até ao produto final. O desafio está em integrar esta inovação de forma responsável, aliando a tecnologia ao conhecimento, à experiência e ao saber-fazer das nossas pessoas. Porque, para mim, inovar é também saber evoluir sem perder a autenticidade.

Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?

Conciliar o aumento dos custos de produção, a pressão sobre as margens, a capacidade de atrair e reter pessoas e a necessidade de continuar a crescer, modernizar e inovar. Tudo isto num mercado com consumidores cada vez mais exigentes, cujas preferências mudam rapidamente, muitas vezes influenciadas por tendências passageiras.

Na indústria alimentar, onde as decisões exigem planeamento e visão de longo prazo, este equilíbrio é particularmente desafiante. Acredito que liderar vai muito além dos resultados financeiros. É construir um negócio sustentável, onde o propósito orienta a estratégia e as decisões, criando valor económico, social e ambiental, sem perder a identidade e os valores que nos distinguem.

Complete a frase: Até ao final do ano, quero…

… consolidar o caminho que temos vindo a construir, reconhecer o esforço das nossas equipas e preparar os desafios de 2027 com a ambição, a energia e o propósito que sempre nos acompanharam e que continuam a impulsionar a nossa evolução. Tudo isto com a mesma determinação e paixão com que fazemos os nossos queijos todos os dias.

“Como podemos continuar a crescer, inovar e criar valor, mantendo-nos fiéis ao propósito e aos valores que sempre orientaram o nosso caminho?”.

Em poucas palavras:

Uma oportunidade a acompanhar: A valorização da produção nacional, aliada à inovação e à sustentabilidade do setor agroalimentar.

Um risco a não perder de vista: A instabilidade geopolítica e económica, e o seu impacto na sustentabilidade e competitividade do setor agroalimentar.

Uma ideia que merece mais atenção: O verdadeiro valor de um negócio mede-se também pelo impacto positivo que deixa nas pessoas, no ambiente e na sociedade.

Uma palavra para definir esta reta final do ano: Determinação.

A pergunta que me ocupa: Como podemos continuar a crescer, inovar e criar valor, mantendo-nos fiéis ao propósito e aos valores que sempre orientaram o nosso caminho?

Imagem No Radar

 

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