Dubai quer construir torre dedicada a empresas de IA
O Dubai quer reforçar a sua posição como centro internacional de inteligência artificial, com a construção de uma torre dedicada a empresas e laboratórios do setor. O projeto integra uma estratégia mais ampla que prevê atrair mais de 500 start-ups e duplicar a dimensão da economia do emirado até 2033.
Conhecido pelos seus arranha-céus, pelo turismo e pelo mercado imobiliário de luxo, o Dubai está a apostar na inteligência artificial (IA) como um dos motores de crescimento económico. Ao contrário de Abu Dhabi, que concentra grande parte dos investimentos em infraestruturas tecnológicas de grande dimensão, o Dubai pretende destacar-se pela atração de empresas, desenvolvimento de aplicações, formação de talento e criação de condições para a adoção da tecnologia.
Segundo avança a revista brasileira Exame, o Dubai AI Campus, localizado no Dubai International Financial Centre (DIFC), já reúne mais de 200 empresas de inteligência artificial, enquanto 315 entidades estão registadas ao abrigo da Dubai AI Licence, uma licença criada especificamente para este setor.
Até 2028, o objetivo é atrair mais de 300 milhões de dólares em fundos, acolher mais de 500 start-ups internacionais e criar mais de três mil postos de trabalho. A academia associada ao campus pretende ainda formar mais de 10 mil profissionais até 2030.
Inteligência artificial integrada na estratégia económica
Esta aposta insere-se na Dubai Economic Agenda (D33), lançada em 2023 pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que pretende duplicar a dimensão da economia do Dubai até 2033 e posicionar o emirado entre os principais centros económicos mundiais.
O plano contempla 100 projetos transformadores e metas que representam 32 biliões de dirhams (cerca de 7,77 biliões de euros) em atividade económica ao longo de uma década. Entre os objetivos estão duplicar o comércio externo para 25,6 biliões de dirhams (cerca de 6,22 biliões de euros), atrair mais de 650 mil milhões de dirhams (cerca de 157,9 mil milhões de euros) em investimento direto estrangeiro e mobilizar um bilião de dirhams (cerca de 242,9 mil milhões de euros) em investimento privado.
A transformação digital deverá contribuir, em média, com 100 mil milhões de dirhams anuais em valor económico, enquanto a inovação e as soluções digitais deverão permitir aumentar a produtividade da economia em 50%.
À Exame, Issam Kazim, CEO do Departamento de Economia e Turismo do Dubai (DET), explicou que o objetivo passa por aumentar a eficiência e a capacidade produtiva das organizações, sem que isso implique necessariamente reduzir o número de trabalhadores.
A estratégia já está a ser aplicada na administração pública, com todos os departamentos governamentais a passarem a contar com um responsável pela inteligência artificial (Chief AI Officer), encarregado de coordenar a adoção da tecnologia.
Nova torre quer responder à procura de espaços empresariais
O crescimento do setor tecnológico está também a ter impacto no mercado imobiliário do Dubai, sobretudo na procura de escritórios.
No primeiro semestre de 2026, o DIFC Innovation Hub contabilizava 1933 empresas ligadas à inteligência artificial, às fintech e à inovação. A procura levou à ocupação total das instalações existentes e do edifício Innovation One, motivando a expansão do complexo através do projeto Innovation Two.
Mohammad Alblooshi, CEO do DIFC Innovation Hub, confirmou à publicação que o espaço funciona atualmente com uma taxa de ocupação de 100%, refletindo o crescimento da procura por parte das startups.
Esta tendência estende-se ao mercado de escritórios. Segundo dados da Cushman & Wakefield Core, a taxa de ocupação dos espaços empresariais no Dubai atingiu 92,4%, ultrapassando os 96% nos imóveis de categoria Grade A situados nos principais distritos. Nas zonas centrais, a disponibilidade de escritórios desta categoria, prontos a ocupar, é inferior a 5%.
A pressão da procura também se reflete nos preços. No segundo trimestre de 2026, os escritórios vendidos em planta ultrapassaram os 60 mil reais por metro quadrado, mais do dobro do valor registado no início de 2025.
No DIFC, o edifício DIFC Square, com cerca de 40 mil metros quadrados de escritórios, estava totalmente pré-arrendado oito meses antes da conclusão. Já a Immersive Tower tinha ultrapassado os 40% de pré-arrendamento ainda durante a fase de construção.
É neste contexto que surge o projeto de uma torre destinada exclusivamente a empresas e laboratórios de inteligência artificial.
O edifício, com aproximadamente 9300 metros quadrados, ficará integrado no plano de expansão imobiliária do DIFC, que prevê um investimento estimado em 100 mil milhões de dirhams até 2040.
De acordo com Saleh Al Akrabi, porta-voz do DIFC, o novo espaço fará parte de uma área especificamente dedicada à inovação e à tecnologia. A intenção é criar um campus especializado em inteligência artificial, capaz de responder à procura crescente e de reunir empresas que atualmente se encontram distribuídas pelo ecossistema tecnológico do Dubai.
A iniciativa reforça a estratégia do emirado de se afirmar não apenas como um mercado de utilização da inteligência artificial, mas também como um centro internacional para o desenvolvimento, teste e comercialização de soluções tecnológicas.







