Neurocientista brasileira explica como a vida pessoal pode influenciar a produtividade

Sabia que tudo aquilo que faz fora do trabalho pode influenciar o seu desempenho profissional no dia seguinte? Uma neurocientista brasileira explica como pode melhorar a sua performance.

Equilibrar os aspetos pessoais e profissionais, sem que uma e outra vertente sejam sobrecarregadas, é uma “luta” constante para quem tem uma carreira agitada. Mas parece que não há volta a dar: o que cada um faz fora do trabalho tem um impacto significativo na na produtividade que leva para a empresa. Pelo menos esta é uma conclusão presente em muitos dos estudos sobre o tema realizados pelo mundo fora. Atividades como desporto ou leitura, por exemplo, são apontadas como as que mais interferem positivamente na produtividade dos colaboradores. Pelo contrário, aqueles que têm uma vida pessoal dominada por aborrecimentos, revelam desempenhos mais fracos.

A pensar nestas questões, a neurocientista brasileira Thaís Gameiro defende que todas as atividades que ajudem as pessoas a sair do “modo automático” são positivas, e avança com algumas dicas sobre como pôr em prática um processo de transformação, citadas pela Exame Brasil.

Começa por destacar o facto de que quando estamos no trabalho, acaba por se ativar sobretudo, as áreas mais racionais do cérebro, em detrimento das vertentes mais criativas e relacionais. É por isso importante, defende, que na vida fora do trabalho/ emprego essas áreas sejam exercitadas até pela sua importância, refere, para desenvolver o potencial de inovação. Ou seja, a neurocientista salienta o quanto é fundamental nos tempos não profissionais, escolher e praticar atividades que trabalhem e desenvolvam skills que, por regra, não são exercitadas no âmbito profissional.

A atividade física é uma das boas práticas a implementar porque, além de oxigenar o cérebro promove a boa disposição e bem-estar. Tocar um instrumento musical, ler, viajar ou até passear ao ar livre também são formas de “tirar” o seu cérebro do registo super focado em que está durante o trabalho.

Apesar destas possibilidades, a verdade é que, como refere a neurocientista o facto de quererem alcançar o sucesso, de quererem sempre mais, faz com que muitos profissionais acabem sobrecarregados de trabalho o que acaba por se refletor num desempenho

“Quando o profissional fica muito focado num mesmo assunto, lendo as mesmas coisas, lidando com as mesmas pessoas ele acaba se limitando nesse sentido por ter um repertório menor. E é por meio do repertório que o cérebro aprende e toma decisões. E isso pode ser desenvolvido na vida fora do trabalho”, salienta a especialista citada pela mesma publicação.

As empresas também estão atentas a esta nova realidade e mais sensíveis à necessidade dos colaboradores investirem em momentos de lazer. “Vivemos uma mudança de paradigma em relação ao que é o trabalho. E no cenário de inovação, essas ideias disruptivas só vêm da criatividade. Então, as organizações já começam a incentivar seus funcionários a procurar um equilíbrio maior e se consciencializarem-se da importância da vida fora do trabalho. A nossa produtividade já não é pautada pelo número de horas trabalhadas porque o cérebro cansa-se. É importante que o próprio ambiente de trabalho ofereça formas de descontração”, sugere a neurocientista. Sugere também que se inicie a mudança com pequenas etapas, com metas possíveis de atingir, ao invés de planos megalómanos. Olhe para a sua própria rotina, analise onde está mais desequilibrado e inclua no seu dia a dia as atividades mais adequadas.

Comentários

Artigos Relacionados