Será que não temos tempo ou não queremos ter tempo? Será que é o tempo que manda em nós? Não é suposto ser ao contrário?

Quantas vezes não dissemos e ouvimos esta frase?
Não tenho tempo para ler…
Não tenho tempo para descansar…Não tenho tempo para visitar os meus Pais…
Não tenho tempo para estar com os meus amigos…
Não tenho tempo para fazer voluntariado…
Não tenho tempo para pensar no que quero fazer da minha carreira…
Não tenho tempo para ajudar os outros…
Não tenho tempo (agora…) para te ouvir.
Não tenho, não tenho, não tenho…

E será mesmo assim? Será que não temos tempo ou não queremos ter tempo? Será que é o tempo que manda em nós? Não é suposto ser ao contrário?

Tenho ao longo da vida procurado gerir o meu tempo, e o tempo que dedico aos outros, com bastante disciplina. Sempre que o faço, sinto-me mais tranquilo, realizado e feliz. Afinal de contas, percebi que não é o tempo que manda em mim, mas eu nele. Cheguei à conclusão que o tempo é aquilo que quisermos fazer dele.

Recentemente li uma citação do Presidente Eisenhower que vai ao encontro do que tenho procurado fazer. Parece-me um sábio conselho que todos devíamos seguir. Para Dwight D. Eisenhower, considerado por muitos como um dos melhores presidentes dos EUA, “What is important is seldom urgent and what is urgent is seldom important”. *

O facto de confundirmos o que é importante e o que é urgente torna-nos muitas vezes escravos do tempo. Tendemos a dedicar tempo a tudo o que consideramos “urgente” sem questionar se é, de facto, urgente (!) e, ainda mais absurdo, se é de facto importante (!). Senão vejamos…

Já pensou na quantidade de tarefas “urgentes”, mas completamente insignificantes, a que dedica grande parte do seu tempo no dia-a-dia? Aquele pedido do chefe a quem não conseguimos dizer que não, apesar de sabermos que não tem importância nenhuma e que pode esperar? Ou os e-mails que nos atulham a caixa de correio e que teimamos em responder na hora, apesar do seu nulo valor acrescentado?

Se isto é verdade na esfera profissional, é fácil pensarmos também nas múltiplas “tarefinhas” insignificantes em que nos ocupamos e que servem de desculpa para não enfrentarmos as “tarefonas” que poderão fazer a diferença na nossa vida e na dos outros.

O presidente Eisenhower, também conhecido por Ike, propõe-nos separar o “trigo do joio”; ou se quiserem, “o importante do urgente”. Desta forma, dá-nos uma preciosa ajuda sobre como podemos gerir melhor o nosso tempo. Como referi, tenho procurado dedicar mais tempo e de melhor qualidade ao que é verdadeiramente importante e desvalorizar o que me é apresentado como “urgente”. Claro que há decisões e ações que devem ser tomadas imediatamente e, nessas situações, aplica-se a máxima de “não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje”.

Steve Covey desenvolveu uma matriz de gestão do tempo em que distribui as tarefas e responsabilidades em quatro quadrantes: Urgente e Importante; Não Urgente, mas Importante; Urgente, mas não Importante; Não Urgente e não Importante. É também uma excelente ferramenta para gerirmos o nosso tempo e procurarmos um melhor equilíbrio para as nossas vidas, para além de nos ajudar a ser mais organizados e focados.

Sem prejuízo do conselho do presidente Ike e da matriz de Covey, a vida tem-me ensinado que as decisões e os atos verdadeiramente importantes (para mim e para os outros) carecem de tempo para ouvir, refletir e decidir. Ao procurar gerir no dia a dia esta escolha entre o urgente e o importante, tenho conseguido ter mais tempo para o que é verdadeiramente importante e tenho-me libertado de muitas “urgências” que me tornavam escravo do tempo.

Desta forma, giro o tempo em vez de o tempo me gerir.

* “O que é importante raramente é urgente e o que é urgente raramente é importante”

 

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