Entrevista/ “A IA não vem substituir os humanos, vem libertar-lhes tempo para realizarem ações de muito mais valor”

Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR

“O lado humano vai ser sempre fundamental no universo empresarial, mas para o destacarmos precisamos de aprender a trabalhar ao lado da tecnologia”, afirma Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR.

Especializada em soluções de gestão de recursos humanos que simplificam e automatizam processos essenciais para empresas de todas as dimensões, a Sesame HR oferece uma plataforma digital intuitiva que se adapta às necessidades específicas de cada organização, promovendo a eficiência e a produtividade. Recentemente fechou um acordo de financiamento de 50 milhões de euros com o BBVA Spark para acelerar a sua expansão internacional, com um grande foco no mercado português.

Em entrevista ao Link to Leaders, Tiago Santos, vice-presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR, explora o panorama de RH para 2026 e revela como as empresas podem responder eficazmente aos desafios, no que toca ao talento, aos processos e à cultura da organização.

A Sesame RH recebeu recentemente um financiamento para acelerar a internacionalização, com foco em Portugal. Porquê Portugal? O que tem este mercado de atrativo para a empresa?

Portugal tem sido um dos mercados onde a Sesame HR mais tem crescido. Contamos, hoje, com centenas de clientes em Portugal, como a SportTV, KuantoKusta, Barkyn e iServices, e o feedback que temos recebido tem sido mesmo muito positivo. Vemos que as lideranças estão a recorrer à nossa plataforma porque compreendem os benefícios da tecnologia na gestão de pessoas, sempre complementada pelo fator humano.
Nesse sentido, Portugal tem sido um mercado muito estratégico para nós, onde queremos continuar a crescer e onde ambicionamos ajudar cada vez mais lideranças a gerir as suas equipas.

“(…) as empresas devem ser capazes de oferecer um pacote de benefícios que além de atrair os profissionais, os faça querer ficar”.

Considerando o atual panorama de RH, como é que os empregadores podem responder eficazmente aos desafios associados ao recrutamento de talentos, à cultura organizacional?

Hoje, a competição pelo melhor talento é cada vez mais acentuada, pelo que as empresas devem ser capazes de oferecer um pacote de benefícios que além de atrair os profissionais, os faça querer ficar. Para tal, é fundamental que saibam fazer algo muito importante: ouvir as suas necessidades.

Mais do que apenas um salário competitivo, as pessoas querem trabalhar em empresas que priorizem o seu bem-estar, que promovam o seu desenvolvimento e que lhes concedam a flexibilidade de que necessitam. Verificámos esta realidade com o questionário que realizámos sobre as principais tendências de RH para 2026, com 94% das empresas a considerar o seguro de saúde como um dos principais benefícios para atrair e fidelizar talento, 73% a destacar o acesso a formação, 72% o teletrabalho ou modelo de trabalho híbrido e 70% a flexibilidade de horário. Assim, as empresas devem assegurar que o pacote de benefícios oferecido aos profissionais está alinhado com aquilo que procuram, para se conseguirem distinguir num mercado cada vez mais competitivo.

Quais as projeções da Sesame HR para 2026, no contexto do financiamento do BBVA Spark?

O financiamento do BBVA Spark representa um passo muito importante para o crescimento internacional da Sesame HR, permitindo-nos consolidar a nossa operação e reforçar a aposta global em soluções baseadas em IA. De facto, através deste investimento iremos continuar a desenvolver as nossas soluções no sentido de automatizar tarefas, melhorar a eficiência dos processos internos das empresas e oferecer uma melhor experiência aos líderes de RH. Acredito que estamos no caminho certo para levar a Sesame HR a cada vez mais mercados e empresas, sempre com o intuito de acrescentar valor e de tornar as lideranças ainda mais humanas, ao lado da tecnologia.

Um inquérito vosso referia que 56,2% dos líderes de RH em Portugal ainda não usa IA nos processos de recrutamento. Porque é que isso acontecer na sua opinião?

A IA está a entrar, cada vez mais, nas operações das empresas, mas os dados revelam que se encontra ainda pouco presente nos processos de recrutamento dos líderes de RH em Portugal. Paralelamente, e segundo os resultados do mesmo inquérito, verificamos ainda que estes inquiridos perdem bastante tempo com tarefas administrativas: quase 43% dedica entre 40% e 60% do seu tempo a tarefas administrativas todas as semanas, e mais de 20% dedica mais de 60% do tempo.

O escasso uso da IA nos processos de recrutamento pode estar associado ao ainda reduzido domínio e conhecimento sobre quais as ferramentas mais indicadas para acrescentar valor aos processos, tornando-os ainda mais humanos e ágeis. De facto, a IA não vem para substituir os profissionais – muito pelo contrário, pode ser uma excelente forma de poupar tempo valioso para tarefas de maior valor.

No caso da Sesame HR, por exemplo, a nossa plataforma dispõe de funcionalidades que permitem aos líderes focar-se nas tarefas mais relevantes, concedendo à tecnologia as ações mais repetitivas e que podem ser automatizadas. Acredito que é nesta conjugação entre humano e tecnologia que se cria o maior valor.

O teletrabalho e os modelos híbridos vieram mesmo para ficar?

Sem dúvida. É essencial que os líderes compreendam que a flexibilidade é, hoje, indispensável para grande parte dos profissionais. Não é apenas uma moda ou tendência passageira: é uma necessidade real, para que possam ter um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Por isso, as empresas que queiram atrair e fidelizar o melhor talento devem ser capazes de adaptar os seus benefícios para conceder aos profissionais a liberdade de escolherem onde querem trabalhar.

Quais as melhores estratégias para os líderes de RH simplificarem os seus processos?

A tecnologia e integração de ferramentas inteligentes como a IA pode ser uma ótima solução para simplificar os processos e poupar tempo valioso aos líderes de RH para tarefas de maior valor. Através de plataforma e funcionalidades intuitivas e completas, os líderes concedem à tecnologia as tarefas mais repetitivas e podem focar-se no mais importante: as suas pessoas. No contexto atual dos RH, a capacidade de adaptação às novas tecnologias – mantendo sempre o lado humano – é o que distingue verdadeiramente um líder que queria criar ainda mais valor.

(…) etapas como as entrevistas continuarão a ser essenciais e conduzidas por humanos”.

De que maneiras a tecnologia pode ser uma aliada das empresas e uma garantia de sucesso? Na simplificação do trabalho, entrega soluções diferenciadoras…?

Acredito que, na verdade, em quase todos os aspetos. A IA não vem substituir os humanos, vem libertar-lhes tempo para realizarem ações de muito mais valor. Por isso, tudo o que sejam tarefas repetitivas e automáticas podem ser realizadas por uma máquina. No caso dos RH, em específico, a IA pode também ser um aliado, podendo ajudar em fases do processo como a filtragem de currículos, por exemplo, ajudando na redução de preconceitos inconscientes no recrutamento.

Ainda assim, apesar desta integração da tecnologia em certas fases do processo, etapas como as entrevistas continuarão a ser essenciais e conduzidas por humanos. A capacidade de ouvir as pessoas, de as compreender e de tomar decisões que as coloquem em primeiro lugar continuam a ser competências exclusivamente humanas.

Como olha para o futuro da relação tecnologia/pessoas no universo empresarial?

Na verdade, olho para esta relação como algo natural, mas sempre equilibrado. Se soubermos conceder à tecnologia as tarefas nas quais o ser humano não acrescenta grande valor – e, pelo contrário, só perde tempo –, libertamos as pessoas para terem um impacto real no trabalho. O lado humano vai ser sempre fundamental no universo empresarial, mas para o destacarmos precisamos de aprender a trabalhar ao lado da tecnologia.

“As pessoas são e serão sempre a nossa prioridade, e queremos apenas que a tecnologia ajude os líderes a focar-se no que realmente importa”.

Qual o papel que a Sesame HR assume no apoio ao sucesso das empresas portuguesas?

O nosso papel é o de ajudar as empresas a acrescentar valor e de tornar as lideranças ainda mais humanas. As pessoas são e serão sempre a nossa prioridade, e queremos apenas que a tecnologia ajude os líderes a focar-se no que realmente importa. Poupar-lhes tempo e facilitar o seu trabalho para que se foquem nas suas pessoas e nas suas prioridades, de forma a potenciarem o sucesso dos seus negócios.

Quais as apostas da empresa para o próximo ano? Em termos de serviços, produtos, estratégia para Portugal…

Para Portugal vamos apostar na consolidação da nossa operação e no reforço da aposta em soluções baseadas em IA. Temos vindo a desenvolver novas soluções na nossa plataforma, como o registo de ponto ou a gestão de turnos, por exemplo, que visam tornar todos estes processos mais simples e eficientes, reduzindo erros e custos associados aos mesmos, e é nessa direção que vamos continuar.

E globalmente, quais os mercados de expansão da empresa? E quais as inovações que têm em carteira para a vossa plataforma?

A aposta na expansão internacional é também um dos nossos objetivos, com a entrada em mercados como França e Alemanha. Além disso, estamos constantemente a testar e desenvolver novas soluções e funcionalidades que nos permitam facilitar o trabalho dos RH. Como mencionado, o registo de ponto ou a gestão de turnos são dois exemplos recentes que integrámos na nossa plataforma, mas temos em vista mais inovações e soluções adaptadas às necessidades reais das lideranças e das equipas, que divulgaremos assim que integrarem a Sesame HR.

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