O ser humano é um ser complexo, previsivelmente irracional, de acordo com vários estudos de economia comportamental. Damos por nós a tomar decisões que depois procuramos justificar de forma racional. Mas já dizia António Damásio que sem emoções não conseguimos decidir. A neurociência explica!

Na era da distração, os estímulos a que somos diariamente sujeitos são demasiados, o que vem provocar o fenómeno da “fadiga da decisão” – o tempo e o desgaste que provoca escolher entre diversas possibilidades (demasiadas?), o excesso de informação disponível (estaremos a sofrer de infoxicação?) e também o “medo da escolha”, designado por FOBO (fear of better options) –  como podemos garantir que fazemos a escolha mais acertada?

Todos os dias somos confrontados com a necessidade de tomar decisões, do ponto de vista pessoal e profissional. Como podemos saber que a decisão que vamos tomar vai ser a melhor decisão? Não podemos, antes de a tomarmos. E isso gera incerteza, desconforto e ansiedade. Como lidar com as nossas próprias escolhas? É por isso que o papel das emoções é tão crítico nos dias de hoje.

Fará sentido vivermos presos a uma “gestão de tempo” cujas horas e minutos não controlamos? Onde deverá estar o nosso foco? Na gestão do próprio foco, na nossa energia, emoções e informação disponível. Não há decisões perfeitas. Existem escolhas, pois ao decidirmos ir por um caminho, deixamos outros para trás. É tempo de assumir o controlo das nossas escolhas e aprender a viver com isso.

Paradoxalmente, numa era em que (supostamente) podemos ter tudo, tudo está ao nosso alcance (aqui, agora, à distância de um clique, muitas das vezes…), não podemos ter tudo. Temos de nos focar no que mais importa, para não desperdiçarmos o nosso tempo. O tempo continua a ser um recurso escasso…

Será hora de nos focarmos no que verdadeiramente (nos) importa? Foco no essencial ou no acessório? Passemos do trivial para o vital. Menos pode ser mais. Menos pode ser melhor, numa visão essencialista para a vida e para os negócios. Disciplina é a palavra de ordem para a liberdade de tempo (mais um paradoxo?). Em apenas três tempos fica apresentada esta “forma de estar”: explorando as possibilidades existentes para se decidir onde melhor investir o tempo e canalizar o esforço. Depois há que subtrair, eliminar o que não acrescenta valor, retirar de cena as distrações (normalmente tendemos a acrescentar, colocar “mais carga”). Finalmente, fazer o que tem de ser feito (o que se escolheu fazer). Executar.

Essencialmente é isto: nós somos o que fazemos, não o que dizemos. E com toda a emoção inerente!

*Membro da Equipa de Coordenação – Portugal Agora

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Networker, curiosa e de espírito empreendedor, é Chief Energy Officer & Founder da ONYOU – Empowering & Learning Experiences, desenvolvendo vários projetos na área da educação e da formação de jovens universitários e executivos, com ênfase nas competências comportamentais pessoais... Ler Mais