De acordo com os dados de Instituto Nacional de Estatística, em 2014 as empresas multinacionais empregavam cerca de 364 mil pessoas em Portugal, ou seja, 14,3% da população trabalhadora em Portugal.

Passados quatro anos, e ainda sem números oficiais, estima-se que este número já tenha praticamente duplicado. A presença e empregabilidade das empresas multinacionais, é uma realidade/consequência da globalização que caracteriza os dias de hoje.

A facilidade de comunicações, deslocação e a centralização financeira permitem que as empresas se fixem em países distantes da sua origem, muitas vezes em busca de mão de obra mais barata, mais qualificada, melhores condições técnicas, melhores condições fiscais ou até um opcionalmente estratégico mais favorável ao seu crescimento.

Obviamente que não podemos analisar este fenómeno sem ter em consideração a importância do domínio da língua inglesa nos dias que correm.

Apesar do desenvolvimento de outras línguas e da existência de algumas teorias contraditórias, a língua inglesa continua a dominar o mundo em importância, número absoluto de falantes e importância estratégica e profissional. O inglês ocupa, inquestionavelmente, o papel de língua global por excelência. É a língua mais utilizada em conversação, pesquisas online, indústria cinematográfica e musical, é a língua informática utilizada em 89% das aplicações e softwares e é, a língua mundial que quebra barreiras, facilita viagens e responsável por 96% de exigência curricular de seleção em empresas multinacionais e até nacionais.

Este facto não pode, de forma alguma, ser ignorado.
Ao pensarmos no futuro de qualquer criança, garantidamente que o futuro de metade das crianças existentes atualmente em Portugal passará por presença profissional em multinacionais. São, também estas empresas que de acordo com o Jornal de Negócios, oferecem melhores oportunidades de carreira e melhores condições salariais.

Isto significa que, ao investirmos na educação da juventude, o domínio total da língua inglesa terá que ser ponderado. Alguns países mais desenvolvidos da Europa, nomeadamente os nórdicos, há muito que se aperceberam desta realidade tornando o ensino de inglês gratuito e obrigatório desde tenra idade. No entanto, nos restantes países europeus, nomeadamente nos países latinos, existe ainda um longo caminho a percorrer. Apesar de termos fama de ter algum jeito para as línguas, esta crença popular não significa que todos dominemos essas mesmas línguas, pelo menos não ao nível exigido no mundo profissional dos dias que correm.

Analisando o caso português, o ensino de inglês é obrigatório a partir do 3.º ano de escolaridade. Sem dúvida um enorme avanço se considerarmos que até há quatro anos, esta disciplina apenas era acessível para todos a partir do 5.º ano de escolaridade. No entanto, continua a parecer-me claramente insuficiente. Diversos estudos sobre o bilinguismo demonstram que é até aos cinco anos de idade que o desenvolvimento cerebral de uma criança avança mais rapidamente, estabelecendo as conexões nervosas e respetivos estímulos sensoriais para a aquisição e compreensão da linguagem.
Indo mais longe, estudos demonstram ainda, que até aos cinco anos é possível uma criança aprender e dominar quatro línguas diferentes, com a mesma facilidade com que apreende a língua materna, desde que seja estimulada para tal. Nesta idade, os seres humanos são como verdadeiras esponjas, absorvendo tudo o que ouvem e tendo a tendência para repetir tudo o que os rodeia. Porquê então esperar até ao 3.º ano de escolaridade e perder tempo? Naturalmente que questões orçamentais se levantam, mas numa era em que o desenvolvimento de quadros é tão essencial para o crescimento de um país, não valerá a pena este investimento?

Para além da empregabilidade, os censos demonstram ainda que as empresas multinacionais são responsáveis por quase 30% do PIB em Portugal. Não valerá a pena, então, garantir que os nossos futuros quadros estarão à altura da exigência destas empresas?

A título pessoal, sei onde o domínio da língua inglesa me tem levado e as portas que me tem aberto. Desde cedo que me permitiu viajar, garantiu a minha independência financeira, abriu-me portas de networking, quebrou barreiras culturais, preconceitos e conferiu-me a responsabilidade e consciência de me preocupar todos os dias para o domínio do meu filho de dois anos da língua inglesa.

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Sobre o autor

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Mariana Torres é national franchisor em Portugal da marca Helen Doron English, um método de ensino da língua inglesa que vai desde os bebés com três meses até aos jovens com 19 anos. Em 2012, abriu a sua primeira unidade... Ler Mais