Como levantar uma ronda de investimento junto de amigos e família
Conheça algumas dicas do The Founder Institute sobre como levantar uma ronda de investimento junto de amigos e família.
Levantar uma ronda de investimento sem abdicar de uma grande percentagem de participação é uma das maiores dificuldades das start-ups, especialmente se os fundadores tiverem de levantar capital antes de terem um produto pronto para ser lançado no mercado. Apesar de existirem várias formas de financiar um projeto, nem sempre se consegue vender a visão a investidores institucionais.
Por esta razão, numa primeira fase, pode sempre optar por recolher capital junto da sua rede de contactos mais próxima. O dinheiro aqui levantado será utilizado para sobreviver aos primeiros meses de atuação. Mas como nem sempre é fácil avaliar o projeto, para explicar aos possíveis apoiantes os motivos porque precisa de ajuda e determinar o montante necessário a levantar, o The Founder Institute lançou um artigo onde deixa algumas dicas sobre como levar a cabo uma ronda junto de amigos e família.
Há certamente prós e contras quando se opta por pedir dinheiro no círculo mais próximo (família ou amigos). Por este motivo, a incubadora de start-ups adianta que é fundamental que aborde as pessoas certas e que mantenha o processo o mais profissional possível.
Como avaliar o projeto
É difícil avaliar um projeto, especialmente se ainda estiver numa fase embrionária, se não houver receitas e não existir um produto desenvolvido. Ao não ter testado o mercado, é ainda mais difícil conseguir fazer previsões da aceitação futura do público e, por consequência, fazer uma avaliação justa de quanto merece.
Para responder a esta dificuldade, existem organizações como a Gust, que faz uma avaliação pre-seed das empresas. Ao utilizar os números da previsão desta entidade, estará a adicionar um toque de veracidade aos números que pedir aos seus amigos e família.
Perceber o tipo de investimento e financiamento
Ao levantar uma ronda de investimento deste género, o The Founder Institute avalia que existem três formas comuns do seu círculo o apoiar monetariamente:
Empréstimos: Com um plano de pagamento – que pode ter juros ou não;
Presentes: Não tem de dar o dinheiro de volta;
Participação: Os investidores tornam-se acionistas do projeto e podem ter uma palavra a dizer sobre as tomadas de decisão (dependendo da participação).
Em todos os casos – incluindo os presentes – é importante fazer um acordo formal, onde as duas partes assinam um documento a comprovar a transação e aquilo que recebem de volta.
No caso da participação, é importante que envolva um advogado no processo, de forma a assegurar a legitimidade de toda a operação. Nos empréstimos, de forma a que fique tudo claro, a incubadora aconselha que uma entidade legal reveja os termos do contrato.
Não dilua demasiado a sua participação
O facto de ter de abdicar de parte da participação do seu projeto é um dos problemas de trazer investidores numa fase inicial de uma start-up. Por este motivo, é importante que estabeleça um limite para a participação que pode vender. Ao fazê-lo, as rondas de capital de risco que se sucederem vão ser mais fáceis de assegurar, na medida em que a sua percentagem inicial ainda não está muito diluída.
Desenvolva um rol de termos e um plano de retorno dos empréstimos
Caso esteja a fechar um empréstimo, com ou sem juros, é importante que crie um plano de devolução do dinheiro que ambas as partes concordem. Isto é bom não só para assegurar as suas relações pessoais, como também passa confiança aos apoiantes do seu projeto, que podem voltar a emprestar-lhe dinheiro numa fase mais avançada.
É igualmente revelante que crie um contrato com termos que devem ser assinados por todos os investidores e cofundadores e colaboradores da equipa. O The Founder Institute explica que este é um elemento necessário para futuras rondas de financiamento e que também assegura que todos os participantes têm conhecimento formal dos riscos que estão envolvidos.
Para evitar barreiras ao fecho de uma ronda, tenha também folhas com os termos para entregar aos investidores – caso estes queiram participar no projeto.
Determine quanto dinheiro precisa de levantar
Quando chega a altura de pedir investimento, é fácil apontar para o céu. Contudo, é importante que saiba que o propósito de uma ronda de investimento levada a cabo junto de amigos e família serve para desenvolver o projeto durante quatro a seis meses. Nesse sentido, crie um plano de meio ano e determine o inventário, ativos e eventuais salários que terá de pagar durante este período.
Crie um plano de negócios
Apesar de não estar a levantar capital junto de investidores institucionais, é importante que mostre aos seus amigos e família aquilo que quer desenvolver de uma forma estruturada e clara, ou seja, um plano de negócios. Aprenda a desenvolver um plano de negócios.
Apresente-lhes a ideia
Depois de ter a certeza sobre a quem é que vai pedir capital, combine um encontro e, quando chegar a altura certa, faça o seu pitch. Nestas situações pode-se dar o caso de ainda nem ter pedido capital e de já lhe estarem a perguntar como é que se podem envolver no projeto – um sinal de que acreditam e se relacionam com o problema que quer resolver.
Independentemente de quem mostre intenção primeiro, foque-se sempre em fechar o acordo. Dados como a participação, serviços complementares ou produtos, descontos ou outros benefícios podem ajudá-lo a fechar o investimento. Tenha a certeza que leva as folhas com os termos/contrato revisto pelo advogado.
Documente todos os detalhes financeiros e mantenha os investidores a par
Segundo o The Founder Institute é essencial que as start-ups documentem todas as formalidades – como investimento recebido – de forma a facilitar o processo de levantamento de futuras rondas de capital.
Por fim, mantenha as pessoas que o apoiaram financeiramente a par dos últimos desenvolvimentos do projeto. A incubadora norte-americana aconselha os fundadores a darem atualizações aos seus amigos e família uma vez por mês.







