Basta ler os conselhos dos gurus da gestão da imagem pessoal e os auto-proclamados gurus do LinkedIn para perceber que a parte pior da politiquice nas empresas passou para o LinkedIn.

A parte pior da politiquice nas empresas é o esforço para se mostrar sucesso sem sequer tentar fazer o trabalho que é preciso para ter sucesso. (A parte melhor é mostrar o sucesso das outras pessoas para criar relações de lealdade, mas já não é mau se a politiquice for mostrar o sucesso que resulta de facto de trabalho bem feito).

Esta evolução da utilização do LinkedIn é triste, mas é difícil de mudar. Por isso, cada um de nós pode lamentar ou aproveitar o LinkedIn tal como ele existe hoje. Eu pessoalmente prefiro lamentar, mas isso é a minha escolha pessoal.

Quem quiser aproveitar o LinkedIn, pode aprender muito com a investigação sobre a politiquice nas empresas. Os gurus da gestão de imagem e os gurus do LinkedIn já escreveram sobre os aspetos mais simples da politiquice nas empresas, como, por exemplo, ter um perfil extremamente polido ou dar os parabéns às pessoas da sua rede no dia de aniversário. Mas estas e outras técnicas de gestão da imagem são o lado mais amador da politiquice. É politiquice para crianças.

Há varias técnicas mais avançadas que se fazem nas empresas e que também podem ser usadas no LinkedIn, para quem tiver o estômago para isso. Há uma técnica que é especialmente eficaz: a bajulação. Mas só se você tiver em conta as redes de ódio.

A bajulação é a principal forma de politiquice nas empresas. A bajulação é a arte subtil de elogiar quem manda e quem tem poder sobre a sua carreira, mesmo quando essa pessoa está longe de ser a pessoa mais competente do planeta. Ignorar a importância da bajulação é a coisa mais importante de que os gurus da gestão de imagem no LinkedIn se esquecem.

É que a gestão de imagem parte de um pressuposto completamente ingénuo: assume que quem recruta vai todos os dias ao LinkedIn para ver o que é que as pessoas andam a fazer. É a mesma visão ingénua de quem acha que a méritocracia funciona nas empresas porque os chefes estão à procura de talento para promover e por isso estão atentos ao desempenho das pessoas.

Nada disso. Quem manda promove ou contrata as pessoas de que gosta. Nunca me esqueço de uma frase que li num livro chamado ‘Como nadar com tubarões sem ser comido vivo:’ recrutar uma pessoa é mais parecido com escolher um namorado ou uma namorada, do que com escolher uma máquina de lavar.

A investigação sobre o efeito da politiquice nas carreiras das pessoas nas empresas mostra que a bajulação é a melhor maneira de fazer com que quem manda goste de nós e no LinkedIn é fácil bajular. É possível partilhar ‘posts’ de outras pessoas, mandar mensagens privadas a comentar um ‘post’ ou dar os parabéns por uma promoção ou até fazer um ‘post’ sobre outra pessoa.

Isto tudo pode parecer pateta e transparente. Mas é a mesma coisa com qualquer outro tipo de bajulação. E mesmo assim funciona.

Claro que esta é uma forma muito triste de fazer alguma coisa pela nossa carreira. Mas é apenas a continuação lógica dos conselhos que ouvimos todos os dias dos gurus da gestão de imagem e dos gurus do LinkedIn. É pena, porque nos obriga a conviver com a parte pior da politiquice, mesmo quando não estamos lá na empresa.

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João Vieira da Cunha é escritor. Utiliza uma variedade de meios para partilhar as suas ideias, desde as mais prestigiadas revistas científicas na área da gestão até uma conta rebelde no Twitter. É doutorado em Gestão, pela Sloan School of... Ler Mais