A cerimónia de entrega dos prémios decorreu ontem, dia 26, na Culturgest, em Lisboa. O júri, presidido por João Queiroz, diretor-geral do Ensino Superior, atribuiu quatro prémios: Prémio Cidades e Comunidades Sustentáveis, Prémio Ideia, Prémio Ação e Prémio Impacto a alunos do ISCTE, Universidade de Aveiro, IPAM e Instituto Superior Técnico, respetivamente.

Foram quatro os trabalhos que ontem receberam, na Culturgest, a distinção da Academia GRACE, um dos pilares do Projeto Uni.Network, cujo principal objetivo passa por promover a ligação entre as empresas e as entidades académicas portuguesas na temática da Responsabilidade Social Corporativa (RSC).

Na V Edição da Academia GRACE, os alunos com licenciaturas, pós-graduações e mestrados, portugueses ou estrangeiros, das instituições de ensino superior parceiras do GRACE foram desafiados a desenvolver projetos (individuais ou de grupo) que possam fazer a diferença na sociedade, tendo em conta o tema Cidades e Comunidades Sustentáveis.

“Todos somos chamados a contribuir para tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis. As empresas têm um papel fundamental nesta construção, com um incontornável potencial para o bem comum. Neste sentido, apresente um projeto a ser desenvolvido no contexto de uma empresa, no âmbito do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (ODS, Nações Unidas), tendo em consideração o contexto português”, explica o regulamento da iniciativa do GRACE-Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial.

Este ano foram atribuídos quatro prémios distintos: o “grande prémio” – Prémio Cidades e Comunidades Sustentáveis –  e o Prémio Ideia, Prémio Ação e Prémio Impacto. O júri foi presidido por João Queiroz, diretor-geral do Ensino Superior, e constituído por Margarida Soares, do  IES-Social Business School, Luís Sousa, da BioRumo, Luís Roberto, do GRACE, e Leonor Pipa, do Link To Leaders.

Segundo João Queiroz, presidente do júri, “a atribuição dos quatro prémios a concurso aos quatro projetos apresentados resultou de um consenso natural face à qualidade dos mesmos, e que, coincidentemente, resulta num pódio composto por trabalhos de quatro entidades académicas diferentes”.

No geral, os jurados entenderam haver por parte dos alunos vencedores uma consciência apurada dos principais desafios colocados às cidades e comunidades, nas quais se incluem as empresas, e o potencial de impacto que estas têm de contribuir com soluções, recursos e know-how.

Os vencedores desta edição beneficiarão de networking relevante para o seu percurso pessoal e profissional, materializado no acesso à Web Summit, BootCamp IES-SBS e pequeno-almoço com CEO da Wunderman Thompson.

Aos vencedores foi ainda dada a oportunidade de apresentar publicamente, na cerimónia de anúncio e entrega do prémio, o seu trabalho em formato pitch.

PRÉMIO CIDADES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS 

Projeto: “Fruta à Moda Antiga”: Reativar Para Reaproveitar, do ISCTE
Descrição: O trabalho apresenta uma proposta dirigida a empresas do setor do retalho alimentar. O projeto, desenvolvido por uma empresa de retalho, em parceria estratégica com organizações locais de economia social envolvidas na prestação de serviços de ação social a pessoas idosas, resultaria na criação de uma nova gama de produtos, com valor acrescentado para o consumidor e para a sociedade. Esta parceria funcionaria como estratégia para o reaproveitamento dos produtos frutícolas não escoados pelas lojas da empresa e, em simultâneo, como medida vocacionada para a promoção do envelhecimento ativo, através do envolvimento de idosos (os utentes da organização de economia social) na tarefa de dar uma nova vida às frutas. O resultado será uma nova gama diferenciada de produtos alimentares, menos desperdício alimentar e melhor qualidade de vida para os idosos voluntários. É com base nesta abordagem de “reativar para reaproveitar” que o projeto se propõe a contribuir para a construção de cidades mais inclusivas e sustentáveis, posicionando a empresa como um agente ativo na promoção do bem-estar das comunidades urbanas junto das quais desenvolve a sua atividade.

PRÉMIO IDEIA

Projeto: Smart.Industry App, da Universidade de Aveiro
Descrição: As indústrias estão em grande destaque negativamente, no que toca à poluição e produção de resíduos. Este trabalho tem como foco a criação de um software de gestão, para uso de forma inteligente dos recursos, previsões de mercado, simulação de ações e ainda a criação de um mercado inter-empresas onde seja possível comercializar peças e maquinarias.

A SIA – Smart Industry App é um software de gestão que funciona como um racionalizador de recursos e que dá a oportunidade às indústrias de obter rendimento usando uma plataforma sustentável (reutilização, previsão e acima de tudo a eficiente afetação de recursos). Apesar de ainda existir, por parte do público, algumas reticências, principalmente quanto à possibilidade formativa oferecida pelo recurso mercantil da SIA, esta pode ser uma forma de tornar as empresas mais sustentáveis e, ao mesmo tempo, mais competitivas.

Além disso, a SIA traz também a possibilidade de criação de relações entre empresas locais. Em Aveiro, será possível, por exemplo, as diversas indústrias calçado ou têxtil estabelecerem relações, tais como a compra e venda de maquinaria usada, de certas peças específicas usadas, de formação experiente ou realização de outsourcing.

PRÉMIO AÇÃO

Projeto: E se fosses tu – campanha de sensibilização para acessibilidade nas grandes cidades, da Universidade Europeia
Descrição: É necessário criar condições para que todos os cidadãos possam ter as mesmas oportunidades no que diz respeito à mobilidade. Assim, é realçada a necessidade de adaptação de espaços públicos (quer sejam ruas, acessos ou estabelecimentos comerciais), aquisição de competências técnicas e sociais que ofereçam garantias de desenvolvimento de boas práticas. A DHL Portugal posiciona-se como uma entidade sensível à temática, tendo sido escolhida como alvo para o presente trabalho. O projeto “E se fosses tu?” tem como objetivo contribuir para uma maior consciencialização, trazendo a experiência real às pessoas. A primeira fase consistirá no plano e implementação, com o objetivo de incitar o choque lógico e emocional da população ao ser confrontada com obstáculos nas estradas, passadeiras e passeios numa escala gigante, em pontos estratégicos nas cidades de Lisboa e Porto, afetando as deslocações e acessos diários das pessoas pela primeira vez, para que as mesmas se sintam “na pele” das pessoas com mobilidade reduzida e percebam o desafio que pode ser atravessar apenas uma passadeira ou outro momento banal do dia a dia.

A segunda fase contará com a iniciativa GoMobile, promovendo a divulgação da informação legal, logística e social sobre a matéria com o intuito de fazer da população novos embaixadores da causa. Recorrendo ao já existente separador no website oficial da DHL denominado “GoGreen – Carbon Calculator”, que ajuda a calcular a quantidade de dióxido de carbono por veículo, seria criado, também, um separador “GoMobile – Mobilidade em Portugal”, onde as pessoas se podem registar, preencher um formulário e divulgar espaços, edifícios e ruas que não estejam preparados ou representem perigo para deficientes motores. Para incentivar as pessoas a partilhar este tipo de informação, a DHL oferecerá 1 vale de entregas grátis. O pós-campanha é tão fundamental quanto as restantes fases do movimento. A causa não morre com o término da campanha, na verdade o maior desafio está na continuação da sensibilização e na avaliação do impacto positivo que a ativação deteve sobre a população.

PRÉMIO IMPACTO

Projeto: Melhorar a Mobilidade da População Idosa, do Instituto Superior Técnico
Descrição: A população idosa, com mais de 65 anos de idade, tem vindo a aumentar em Portugal. De forma a assegurar a inclusão e participação social destas pessoas, é de extrema importância garantir soluções nos meios de transporte que possibilitem o seu acesso fácil e circulação simplificada. O DETU – Degrau Elevatório para Transportes Urbanos – é um sistema automático passível de ser instalado em qualquer transporte pesado de passageiros, facilitando o acesso à população idosa a este meio de deslocação.

De forma a compreender os impactos que este produto poderia ter na inclusão e participação da população idosa com dificuldades motoras, este projeto vem analisar a sua sustentabilidade segundo os pilares económico, ambiental e social. No seu desenvolvimento foram tidas em consideração as diferentes fases que seriam necessárias para a produção do primeiro modelo funcional do DETU, e também os patamares do estabelecimento da empresa que os viria a produzir, distribuir, assegurar a manutenção e gerir os resíduos resultantes na escala nacional – a DETU Technologies.

Este projeto procura, ainda, explicitar os impactos ambientais desde a extração das matérias-primas até ao fim do seu ciclo de vida, os custos compreendidos pela DETU Technologies correspondentes ao mesmo período e, por último, os stakeholders com maior importância do ponto vista social para a empresa. Procurou-se que, ao longo do ciclo de vida, fossem considerados todos os efeitos na promoção da inclusão e cidadania. É relevante explicitar a consideração do impacto ambiental que uma unidade do DETU terá uma média de 260 mil utilizações durante 4 anos, derivando de dados relativos ao número de pessoas que utilizaram o autocarro, por dia, na Carris, bem como os 603 autocarros que esta possui; à percentagem de população idosa portuguesa que anda de autocarro e com dificuldades de mobilidade.

Esta análise tripartidária permitirá que os gestores da empresa, futuros investidores, parceiros e clientes consigam concluir de forma fundamentada sobre a viabilidade, no que diz respeito à sustentabilidade, deste produto. A par desta análise, apresenta-se o modelo que possibilitará a rentabilização desta solução e que permitirá a sua introdução no mercado industrial. Verificou-se que os resultados não são uniformes ao nível da sustentabilidade. A viabilidade e rentabilidade económica acrescidas de um impacto social positivo vêm a verificar um custo elevado do ponto de vista ambiental. Destes resultados resulta a sugestão de reinvestir os primeiros lucros da DETU Technologies na promoção de melhorias ambientais no processo produtivo e de fim de vida do DETU.

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