Para uma start-up receber um grande investimento numa fase inicial pode ser tão penoso quanto não receber dinheiro. Saiba porquê neste artigo.

A necessidade cria o inventor. É esta a premissa que sustenta o título deste artigo. Recentemente a Oracle comprou a Moat, uma empresa de auditoria ao setor do ad-tech, por mais de 740 milhões de euros. Este negócio não só mostra a aposta da Oracle na tecnologia de programação, como também mostra o quão interessada está a empresa em criar relações com o Facebook e a Google.

Apesar de não ser muito dinheiro quando comparado aos 32,4 mil milhões que a Oracle teve em receitas no ano passado, mostra a facilidade com que as grandes empresas norte-americanas atiram dinheiro a start-ups que lhes interessam.

Esta predisposição que as grandes organizações mostram em investir – demasiado – em pequenas e médias empresas pode ser muito bom para o ecossistema ou pode ser muito mau. Para fundamentar esta ideia usemos o exemplo de França. Em 2010, altura em que Sarkozy estava no poder, o governo francês quis investir em start-ups de ad-tech.

Desta iniciativa surgiram variadíssimas soluções apresentadas por empresas que, entretanto, se dedicaram a esta área entre 2010 e 2012. Cinco anos mais tarde, a maioria destas start-ups seguiu dois caminhos diferentes: ou fecharam as portas ou foram compradas por outras grandes empresas. Isto aconteceu por terem gasto todo o dinheiro que receberam em investimentos e não terem recebido mais, e por não terem criado planos de negócio sustentáveis.

Este exemplo vem dar razão à premissa com que este artigo foi aberto: a necessidade cria o inventor. Tendo recebido quantidades vultosas de dinheiro assim que começaram, os empreendedores por trás destas start-ups não deram valor ao investimento recebido. Não dando valor, o dinheiro é rapidamente gasto e já o tendo, não há necessidade de trabalhar arduamente, visto que o dinheiro é possivelmente o maior motivador para qualquer trabalhador comum.

Quando se tem de trabalhar sem os investimentos iniciais, as start-ups trabalham bastante mais arduamente para aperfeiçoar o seu modelo de negócio e o produto ou serviço. Isto não significa, no entanto, que os investimentos em start-ups, que ainda se encontram em fases embrionárias, seja mau. É bastante bom para uma start-up receber um investimento inicial, mas demasiado dinheiro pode ser tão penoso para o futuro deste tipo de empresas como pouco ou nenhum.

Leia também: “Peak Design: a empresa que vale 21M€ e nunca recebeu um investimento

Comentários