A inovação nas empresas não é apenas uma forma destas se desenvolverem e de se distinguirem dos principais concorrentes. Hoje, a inovação é condição de sobrevivência.

As empresas que não conseguirem inovar irão morrer, algumas lentamente e outras de forma rápida e muitas vezes dramática. Basta lembrar a recente falência da Thomas Cook, com um modelo de negócio assente numa rede de 600 agências de turismo, numa época em que a maioria dos viajantes utilizam a Internet para planear as suas viagens.

Mas a inovação dentro das empresas não é tarefa fácil. Algumas empresas, muitas vezes com ajuda das grandes consultoras, conseguem lançar no mercado novos produtos, mas com taxas de sucesso baixíssimas (fala-se em menos de 10% de sucesso).  Simplesmente não encontram clientes que se interessem pelos novos produtos e não havendo clientes não há negócio. Uma explicação para esta situação consiste na forma limitada como estas empresas testam o mercado, recorrendo a “focus groups”. Acontece que esta técnica de pesquisa de mercado sofre de várias limitações, incluindo o facto do teste decorrer num ambiente artificial, normalmente uma sala da empresa, onde os participantes estão sujeitos a “pressão social”, tendendo a concordar rapidamente com o participante com maior capacidade de liderança ou de argumentação. Uma outra limitação dos “focus groups” consiste na existência de incentivos financeiros que não fomentam a descoberta da verdadeira reação das pessoas aos novos produtos.

Os obstáculos à inovação especialmente dentro das grandes empresas são muitos. Para além da elevada taxa de insucesso, acima referida, temos estruturas hierárquicas demasiado rígidas, com territórios de poder defendidos com unhas e dentes pelos seus “donos”. Temos também as questões das regras internas e as regras impostas por entidades de supervisão que dificultam o aparecimento de novos produtos, processos ou serviços.  Temos a distância enorme que separa quem na empresa fala com clientes e percebe as suas necessidades e quem toma decisões. Temos uma marca conhecida que se pretende esteja associada apenas a casos de sucesso, procurando evitar riscos reputacionais, mas impossibilitando muitas vezes a realização de experiências. E temos uma preocupação com o sucesso no curto prazo, que faz com processos mais longos de inovação não recolham o apoio de uma equipa de gestão avaliada em função de resultados alcançados no fim do próximo trimestre ou do próximo ano.

Nos últimos tempos temos assistido a uma nova forma das empresas inovarem e que consiste em aproveitar o processo inovador das start-ups.  Trata-se de juntar dois mundos bem diferentes, mas que podem tirar grandes benefícios ao trabalharem em conjunto. A abordagem “Corporate Startup” consiste em fazer a inovação necessária à sobrevivência e sucesso das grandes empresas utilizando as abordagens utilizadas pelas start-ups, com enfâse na realização de pequenas e rápidas experiências envolvendo diretamente os clientes-alvo e ajustando os modelos de negócio às evidências recolhidas. Estas abordagem permitem ultrapassar todos os obstáculos referidos anteriormente, com menos custos e com resultados bem melhores dos que hoje são conseguidos pela maioria das grandes empresas. Num próximo artigo irei partilhar a experiência da Fábrica de Startups na implementação com sucesso da abordagem “Corporate Startup”.

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