Desde há tempos, o aumento da temperatura do Globo, devido à intensidade de emissões de carbono, tem preocupado cientistas e convencido políticos a tomarem medidas, dados os sinais bem visíveis de inesperadas chuvas torrenciais, secas, furacões, tempestades, etc.

É importante o abastecimento de energia para qualquer economia poder funcionar e crescer, criando mais riqueza. É-o na movimentação de pessoas e mercadorias, para acionar máquinas, para iluminação das casas e espaços públicos. Não podemos viver sem energia, em níveis crescentes, para suportar o bem-estar das populações.

Mas que energia? Desde há dezenas de anos, fontes primárias são usadas para gerá-la nas formas fáceis de utilização. Primeiro, foi a energia hidráulica, a fio de água nas quedas para produzir energia elétrica. Depois, pelos baixos custos de extração, o petróleo e o gás a ele associado; o carvão, onde ele abundava, tanto para a eletricidade como para formar ligas industriais e tração de comboios. Tentou-se, sem resultado, a energia das marés. E a partir dos anos 60, esteve no auge o interesse pela nuclear e da biomassa, esta sem grande expressão. Hoje, enquanto não se encontra nada melhor, a energia do vento e do sol.

Quando os custos dos combustíveis são baixos, dá-se rédea solta ao consumo. No ano de 1973, os produtores de petróleo, associados na OPEP-Organização dos Países Exportadores do Petróleo, como o Iraque, o Kuwait, a Líbia, o Qatar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, a Venezuela, a Indonésia, a Nigéria e o Equador decidiram aumentar os preços do crude, de $3 dólares por barril para $12, como retaliação contra os países apoiantes de Israel, na guerra de Yom-Kippur, alargando depois a todos os outros. Isso chamou a atenção para o consumo desenfreado, com baixo rendimento na utilização. Os preços altos obrigaram a racionalizar os consumos e a melhorar a eficiência do seu uso.

Surgiram, alternativas de novos polos petrolíferos, no continente americano, na África, no Extremo Oriente. Também novos processos de exploração económicos como o fracking, usado nos EUA.

O interesse em centrais hidráulicas, de fio de água, de menor custo, foi complementado pelas de regularização, com barragens de retenção, e tudo isso considerando outras formas de energia, como a nuclear, a térmica a gás e a carvão, para satisfazer a procura diária, tentando otimizar o custo do KWh produzido.

As fontes renováveis são as hidráulicas, eólicas e solares, para além da energia da biomassa, com pouca expressão. As eólicas e solares não mereceram grande atenção enquanto o petróleo e o carvão eram abundantes e a preços baixos.

Muito mais trabalho científico se deveria ter realizado e há que realizar para melhorar o aproveitamento da energia eólica e solar. O vento tem as suas leis e é necessário aproveitá-lo quando sopra. A energia solar, uma fonte inesgotável, tem ainda rendimentos muito baixos e não tem havido forma de os aumentar substancialmente. Há necessidade de investir muito para que a ciência e a técnica encontrem formas de dar um  grande salto na transformação da incidência solar em muito mais energia elétrica. O enorme espaço ocupado pelos painéis solares parece ser um exagero para o limitado número de MW de potência que possibilita. Pela elevada energia que a terra recebe do sol, essa parece ser a solução de substituição das fontes de energias fósseis no futuro próximo.

Os custos de produção da energia eólica e da solar tem vindo a evoluir muito positivamente. Não tanto nos aspetos intrínsecos da transformação, mas na produção com menores custos, ainda apesar do baixo rendimento.

O sistema produtor de energia elétrica da Índia

Tem as seguintes características:
– Potência instalada a 31 de janeiro de 2021: 377,000 MW;
– Da qual, 61,5 % é térmica fóssil,
– 1,8 % nuclear e;
– 38,5 % de energias renováveis.

Os  compromissos assumidos pela Índia na Conferência de Paris sobre o clima eram de aumentar a energia renovável para os 450 GW, em 2030. E para que o aumento da temperatura ficasse abaixo de 1,5˚C, haveria que reduzir para metade as emissões até 2030 e chegar à neutralidade de carvão antes do ano de 2050.

De facto de 2005 a 2014, a Índia registou uma redução de intensidade de emissões de 21%. E prevê reduzir essa intensidade em 35% sobre os níveis de 2005 até 2030. Houve uma utilização generalizada de lâmpadas LED e uso do gás de cozinha limpo, na grande maioria dos lares da Índia.

Não se vão instalar novas centrais térmicas a carvão na Índia, apenas as que estão em construção para integração no sistema até ao 2022, e as que já estavam antes em laboração.

Os custos das renováveis (eólica e solar) têm vindo a reduzir-se drasticamente, a ponto de serem mais competitivos do que as fósseis. “A potencia fóssil instalada ainda perfaz 39% da capacidade (de carvão) existente em todo o mundo. Esta percentagem não competitiva aumentará para 60%, em 2022. Na Índia, 50 % da energia do carvão deixará de ser competitiva, em 2022, chegando a 85% em 2025. Então, os subsídios para os combustíveis fósseis serão cerca de sete vezes mais que os subsídios para a energia limpa”[1].

“Se os combustíveis fósseis fossem eliminados, a expectativa média global de vida poderia aumentar mais de 20 meses, evitando 5,5 milhões de mortes, por ano em todo o mundo”.

“A partir de 2015, o número de pessoas a trabalhar em energias renováveis na Índia aumentou cinco vezes”, o que mostra a determinação de seguir na via renovável.

A Índia criou a International Solar Alliance, em 2015, em conjunto com a França, para promover a energia solar. Aderiram já mais de 80 países.

Este é, pois, um assunto sério que respeita a todos quantos habitamos o Globo.

[1] Entre aspas, algumas afirmações do Secretário Geral da ONU, Engº. António Guterres, no dia 28 de agosto de 2020, na 19.ª. Darbari Seth Memorial Lecture, sob o título “The Rise of Renewables: Shining a Light on a Sustainable Future”, em Nova Iorque.

*Professor da AESE-Business School, do IIM Rohtak (Índia) e autor do livro “O Despertar da Índia”

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Sobre o autor

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Eugénio Viassa Monteiro, cofundador e professor da AESE, é Visiting Professor da IESE-Universidad de Navarra, Espanha, do Instituto Internacional San Telmo, Seville, Espanha, e do Instituto Internacional Bravo Murillo, Ilhas Canárias, Espanha. É autor do livro “O Despertar da India”,... Ler Mais