“A situação atual não está a ser fácil para ninguém. Neste momento, estamos a converter parte no nosso trabalho para serviço digital, nomeadamente com o lançamento de revistas digitais e de Winebinars, e o desenvolvimento do conceito de Lunch Boxes para o tecido empresarial”, explica Madalena Dias, proprietária da Cook2Wine. Em entrevista ao Link To Leades, a chefe fala da marca que criou há dois anos para dar a conhecer o melhor do Ribatejo.

Defensora dos produtos de gastronomia e vinhos regionais, a Cook2Wine assumiu em 2018, ano em que foi criada pelas mãos da chefe Madalena Dias, o compromisso de contribuir para a melhoria da sustentabilidade económica e ambiental tanto da atividade turística, como da comunidade rural, ao construir uma marca para atrair mais visitantes para a região do Ribatejo.

As parcerias com adegas e produtores de vinhos e as harmonizações Enogastronómicas têm sido o seu foco, assim como a realização de showcookings, workshops com entidades públicas, privadas e associações locais da região e a participação em feiras, festivais e mercados tradicionais.

No entanto, a pandemia levou a start-up a adaptar-se à nova realidade, reinventando todo o seu conceito. Revistas digitais, Winebinars e o Lunch Boxes, com a entrega de “slow food” para empresas são agora a nova aposta da Cook2Wine.

Quando e como surgiu a Cook2Wine?
Após o primeiro showcooking onde criei diversas harmonizações com vinhos da região do Ribatejo, foi considerado pelas pessoas que era imprescindível criar momentos de degustação com os vinhos certos. Até à data, não tinha conhecimento de empresas que estavam preocupadas em “ensinar” o consumidor a degustar um prato com o vinho apropriado para potenciar o sabor quer do vinho, quer da degustação.

Como sou descendente de famílias grandes, onde a mesa era o centro de convívio e partilha de estórias e belas comidas, continuo a ser o que sempre fui: a que junta à mesa família e amigos. E foi de uma dessas vezes que entre amigos surgiu a ideia de passar para negócio o que eu tanto gosto de fazer.

“A Cook2Wine foi criada em agosto de 2018, com capitais próprios sem qualquer tipo de apoio ou investidores. Até à data foram investidos cerca de 60 mil euros”.

Criou a Cook2Wine com capitais próprios ou ajuda de investidores? Quanto investiu no projeto até agora?
A Cook2Wine foi criada em agosto de 2018, com capitais próprios sem qualquer tipo de apoio ou investidores. Até à data foram investidos cerca de 60 mil euros.

Que serviços disponibilizam?
Showcookings, Workshops, Cursos de Iniciação à Prova de Vinhos, Eventos Enogastronómicos (almoços/ jantares de charme) para lançamento e promoção de novos vinhos e seus produtores, vídeos temáticos relacionados com a gastronomia e a tradição e costumes portugueses, entre outros. Neste momento e face aos tempos que estamos a viver, estamos a reconverter parte dos nossos serviços em digital, como, por exemplo, os Webinars.

Quem mais vos procura?
Municípios que pretendem divulgar o que de melhor têm para oferecer, pratos tradicionais dos concelhos e vinhos de produtores locais. No geral são amantes da gastronomia e dos vinhos portugueses que gostam de aprender a arte de casar vinhos com iguarias.

Que balanço faz destes cerca de 2 anos de atividade?
Somos uma empresa jovem e dinâmica. Não baixamos os braços nem nos damos por vencidos. A situação atual não está a ser fácil para ninguém. Neste momento, estamos a converter parte no nosso trabalho para serviço digital, nomeadamente com o lançamento de revistas digitais e de Winebinars, e o desenvolvimento do conceito de Lunch Boxes para o tecido empresarial.

“O nosso mais recente trabalho foi realizado para o município de Azambuja com uma série de seis episódios que recriaram os doces de Natal do concelho e que foram lançados no dia 15 de dezembro”.

Qual tem sido o papel da Cook2Wine na promoção no turismo e gastronomia da região do Ribatejo?
A Cook2Wine tem divulgado a região naquilo que tem de melhor, ou seja, o seu património Enogastronómico. O nosso mais recente trabalho foi realizado para o município de Azambuja com uma série de seis episódios que recriaram os doces de Natal do concelho e que foram lançados no dia 15 de dezembro. A Cook2Wine através da participação em feiras e outros certames, tem levado além-fronteiras os sabores do Ribatejo.

De que forma foram impactados pela pandemia e como se adaptaram à nossa realidade?
O impacto foi de uma crua brutalidade para todos os profissionais do setor. Apesar de tudo, a Cook2Wine tem a vantagem de não ter um espaço físico aberto todos os dias da semana, o que comporta todo um outro volume de despesas e responsabilidades. Há que tirar partido dessa vantagem, e para tal reagimos de imediato e recriámos parte do conceito para esta nova realidade. Os desafios são muitos. No entanto, todos os dias aprendemos um pouco mais.

Quais os desafios que têm encontrado no caminho?
A escolha dos melhores serviços que podemos oferecer. Sermos de certa forma diferentes no que fazemos. É uma área muito competitiva, no entanto existem possibilidades para todos neste setor. A comunidade dos profissionais de cozinha também colabora para que todos em conjunto possamos ultrapassar esta situação de forma mais célere.

Como carateriza o panorama atual da restauração nacional?
Portugal, um dos destinos de sonho da Europa… Mar, serra, praias lindíssimas, sol, gastronomia, vinhos… Tudo parecia perfeito. Muitos profissionais da restauração apostaram e colocaram as sua vidas e as suas poupanças para abrir ou melhorar os seus espaços para fazer face à procura. E sem nada que fizesse prever, o mundo parou. Mas não podemos parar com o mundo, temos de reagir.  Temos que continuar a trabalhar. A classe de cozinheiros profissionais tem uma característica em comum: a resiliência. Não baixamos os braços. Temos uma paixão. Fazer os nossos clientes sorrirem e ficarem satisfeitos com o nosso trabalho.

É fácil ser-se empreendedor em Portugal? Qual é a receita de sucesso?
Não é nada fácil ser-se empreendedor, seja onde for. Ser empreendedor é confiar no caminho que estamos a trilhar. Saber onde temos que chegar e sobretudo ser muito empático. É impreterível ser-se muito trabalhador, arrojado, resiliente e transparente. Ver sempre o copo meio cheio e seguir sempre na frente das batalhas. Só assim se pode alcançar o tão desejado sucesso. Temos que acreditar que nada é impossível de alcançar, mas somos nós que temos de o fazer e lutar por isso.

“Estamos continuamente a trabalhar com os produtores e a promover novos vinhos através dos nossos “winebinars”. Paralelamente estamos a criar um conceito de serviço para empresas que passa pelas “Lunch Box”, com a entrega de “slow food””.

Projetos para o futuro?
No início deste ano conseguimos incluir na Cook2Wine uma equipa de filmagem e, neste momento, estamos a preparar um estúdio com um cenário para os nossos vídeos. Queremos ser cada vez melhores no que fazemos, precisamos de captar a atenção do público para os nossos serviços. Não sermos os melhores do mundo, mas sim os melhores para quem nos quer conhecer.

Estamos continuamente a trabalhar com os produtores e a promover novos vinhos através dos nossos “winebinars”. Paralelamente estamos a criar um conceito de serviço para empresas que passa pelas “Lunch Box”, com a entrega de “slow food”, mas sempre primando pela originalidade na oferta das nossas iguarias. Também estamos a ponderar criar um canal no YouTube para divulgação de conteúdos de acesso livre, através de pequenos vídeos para que consigamos captar público para os nossos cursos e workshops online.

Respostas rápidas:
O maior risco: Deixar de acompanhar as tendências do mercado e não inovar.
O maior erro: Não ter apostado em mim mais cedo (ainda estou a tempo).
A maior lição: 
Ser melhor hoje que ontem, e ser melhor amanhã que hoje.
A maior conquista: A criação da Cook2Wine e do Produto Saltinto. Um Sal único, genuíno e inovador.

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