Este projeto de investigação europeia precisa da sua ajuda para encontrar novas formas de diagnosticar precocemente a doença de Parkinson.

O i-PROGNOSIS é um projeto de investigação europeu apoiado pelo fundo Horizon 2020 que integra 11 organizações de seis países: Alemanha, Bélgica, Grécia, Portugal, Reino Unido e Suécia.

Missão: Diagnosticar precocemente a doença de Parkison

O i-PROGNOSIS foi idealizado e é coordenado por Leontios J. Hadjileontiadis, professor da Aristotle University of Thessaloniki, na Grécia. O objetivo do projeto, que a nível nacional é liderado por Sofia Balula Dias, investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa (FMH), passa por contribuir para o diagnóstico precoce da doença de Parkinson e para o desenvolvimento de intervenções que melhorem a qualidade de vida dos pacientes.

Esta doença neurodegenerativa crónica e irreversível afeta 1,2 milhões europeus – na sua maioria com mais de 50 anos. Os seus pacientes têm menos dopamina, a substância no cérebro que controla os movimentos e emoções, dificultando assim atividades comuns como andar, falar ou escrever. Além dos tremores e de outros sintomas motores – que podem ser melhorados com medicação  – , os doentes de Parkinson têm menos estabilidade emocional e sofrem mais frequentemente de problemas como distúrbios de sono, depressão e prisão de ventre.

A acrescentar a estes problemas vem a dificuldade de fazer um diagnóstico precoce. A doença evolui lentamente, ao longo dos anos, e os sintomas não obedecem a um padrão específico, variando de paciente para paciente. Sem testes laboratoriais, as manifestações precoces da doença são muitas vezes perdidas, e um diagnóstico conclusivo pode demorar até uma década.

Tendo em consideração as dificuldades da medicina tradicional em torno desta doença, o i-PROGNOSIS pretende conceber e implementar intervenções inovadoras e orientadas para o seu público-alvo. Os resultados esperados passam pela redução da hospitalização e por uma maior autonomia e melhoria de vida dos doentes à medida que a doença avança.

Como é que o i-PROGNOSIS pretende melhorar este diagnóstico

Não existindo nenhum teste específico para detetar esta condição, o projeto desenvolveu a aplicação móvel iPrognosis, que faz parte de um estudo de recolha de dados que pretende desenvolver métodos de deteção precoce de Parkinson.

O processo é feito através da recolha de dados enquanto utiliza o seu smartphone. O tom de voz, quando fala ao telefone, ou a força com que carrega no teclado quando envia uma mensagem são apenas dois exemplos dos dados recolhidos pela app.

Importante referir que os dados são  captados silenciosamente pela aplicação móvel, ou seja, para apoiar o projeto só precisa de ter o programa a correr no seu telemóvel, sem nunca precisar de a abrir. Para além disso, a equipa garante que não recolhe os dados com o objetivo de os comercializar.

Como explicou Sofia Balula Dias, “em Portugal, todos os voluntários saudáveis ou pacientes com início precoce da doença de Parkinson, entre os 40 e 90 anos de idade, podem participar neste estudo, ajudando a criar e contribuir para um desempenho mais eficiente dos algoritmos de machine learning. Espera-se a participação de um grande número de utilizadores da app iPrognosis, para assim validar os algoritmos e extrair conhecimento para a sociedade em geral, e para os pacientes com a doença de Parkinson em particular”.

Segundo a líder nacional do projeto, a informação obtida pela iPrognosis inclui:
•As caraterísticas da sua voz ao fazer uma chamada telefónica. Contudo, o conteúdo pessoal da chamada nunca é armazenado;
•Manuseamento do smartphone durante as chamadas ou interação com o teclado, utilizando sensores, como por exemplo o acelerómetro;
•Dados relacionados com o teclado iPrognosis do seu smartphone quando escreve. Contudo, o conteúdo que escreve nunca é gravado;
•A distância diariamente percorrida, caso ative os serviços de localização do seu smartphone e estiver com ele por perto;
•O conteúdo emocional das mensagens de texto armazenadas. Contudo, o conteúdo das mensagens não é armazenado;
•Expressões faciais das fotografias armazenadas. As fotografias nunca serão apagadas do smartphone;

Apesar da aplicação mobile recolher todas estas caraterísticas, pode sempre alterar o tipo de dados que pretende gravar através das “configurações”.

Como pode contribuir para a luta contra o Parkinson

A sua contribuição para a investigação do diagnóstico precoce da doença pode ser fundamental. Para apoiar o projeto só precisa de ter um smartphone com um sistema operativo Android e estar disposto a doar dados anónimos da utilização do seu dispositivo.

O seu telemóvel é Android e pretende começar a doar os seus dados? Faça como o treinador José Mourinho e descarregue a aplicação.

Resumo
Responsáveis: Sofia Balula Dias
Área: Saúde
Mercado: Europeu
Necessidade: Utilizadores na app iPrognosis
Contactossbalula@fmh.ulisboa.pt

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