72% dos financiadores imobiliários planeiam aumentar o volume de financiamento

Foto: CBRE

O crédito destinado a transações no setor de living continua a liderar as intenções de financiamento, à frente dos setores industrial, logística e escritórios.

De acordo com o estudo “European Lender Intentions Survey”, da CBRE, que regista as expetativas e preferências dos financiadores face aos diferentes setores imobiliários na Europa, o crédito destinado a transações no setor de living continua a liderar as intenções de financiamento, posicionando-se imediatamente à frente de industrial e logística, e dos escritórios.

Paralelamente, embora os data centers permaneçam como primeira escolha para uma franja restrita de investidores, o sentimento geral em relação ao setor fortaleceu-se, registando uma subida significativa nos rácios de LTV (empréstimo/valor) reportados para novos empréstimos, em comparação com o ano passado.

Nesta análise da CBRE merece particular destaque o reforço do interesse pelo financiamento de escritórios ao fixar-se como 3.º setor mais atrativo para os financiadores, subindo três posições em relação ao 6.º lugar na edição de 2025 do mesmo relatório.

Quando detalhado o tipo de credor, os bancos revelam uma preferência ainda maior por escritórios – que sobem para a 2.ª posição das suas preferências, apenas superados pelo living, o que, de acordo com o estudo, reflete uma confiança renovada nos fundamentos estruturais deste setor.

A par da dinâmica verificada nos data centers, os subsetores como co-living, cuidados de saúde, habitação acessível, residência para seniores e self-storage também estão a atrair cada vez mais a atenção dos financiadores.  A comprová-lo, o facto de 86% dos inquiridos admitirem a aprovação de empréstimos para, pelo menos, um destes setores alternativos, representando um aumento de 5% em relação ao ano anterior.

O estudo da CBRE revela também um aumento significativo na disposição em financiar estratégias de construção, subindo de 60% em 2025 para 69% este ano. Quando segmentado por tipologia de financiador, esta disponibilidade sobe para 81% para credores não bancários, que gravitam para financiamento de projetos com perfil de risco superior.

Em contrapartida, os bancos encontram-se quase exclusivamente focados em financiamentos de ativos de rendimento ou de desenvolvimento que tenham pouco ou nenhum risco especulativo.

No contexto nacional, esta dinâmica macroeconómica traduz-se numa maior maturidade operacional. Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, explica que “em Portugal é notória a tendência de maior sofisticação e diversificação das operações de financiamento no setor imobiliário, apesar da indisputável prevalência do financiamento ao setor residencial. Existem hoje muito mais alternativas ao financiamento bancário tradicional por parte dos fundos de dívida, que ganham terreno e consolidam a sua presença pela maior rapidez, flexibilidade e maior capacidade para assumir risco”.

O Head of Capital Markets da CBRE Portugal salienta ainda que “tem aumentado consideravelmente nos últimos anos o interesse em financiar outros setores do imobiliário para além do residencial, do retalho e dos escritórios, com especial destaque para as residências de estudantes, a logística e a hotelaria“. Sublinha ainda que, tal como na Europa, o segmento de escritórios tem vindo a recuperar o interesse da banca, sobretudo em ativos Core e Core+ bem localizados, enquanto os setores de logística e retalho evidenciam maior seletividade”

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