Alguma vez se sentiu tocado por um sem abrigo ou ficou verdadeiramente emocionado com o trabalho de um artista de rua, mas na altura de lhes dar uma moeda não tinha nenhuma na carteira? Foi precisamente a pensar nestas situações que Dimitris Vassiliadis fundou a Giving Streets.

Para a maioria de nós, andar sem moedas na carteira é um hábito e, muitas vezes, só perante uma situação em que precisamos de uns trocos para, por exemplo, oferecer um donativo a um artista de rua ou dar uma esmola a um sem abrigo, percebemos a falta que fazem. Foi a pensar nisto que Dimitris Vassiliadis decidiu agir e fundou a Giving Streets.

O negócio visa promover a solidariedade numa sociedade sem dinheiro, facilitando a disponibilização de esmolas instantâneas através de uma combinação entre smartphones e códigos QR. Como explicou  o fundador do projeto, “estamos a moldar a tecnologia de forma a que todos sejam iguais num mundo sem dinheiro vivo”.

A ideia surgiu na época em que trabalhava em Londres e quando percebeu que nunca conseguia dar uma esmola a um sem-abrigo, artista de rua ou num peditório para uma causa humanitária, porque raramente tinha dinheiro consigo porque usava sempre cartões de débito para pagar as suas compras.

Sentiu-se compelido a agir no dia em que, sem dinheiro disponível, acabou por pagar uma refeição a um mendigo. “Percebi o quanto aquele homem ficou contente e notei também que as pessoas à minha volta estavam entusiasmadas com a minha atitude”, explicou.

“Na manhã seguinte falei com um amigo e perguntei-lhe se sabia de alguma forma de dar esmola utilizando exatamente a mesma tecnologia que nos retirou as moedas dos bolsos. E foi assim que a Giving Streets nasceu”.

Como funciona?
Antes de mais, é preciso descarregar a aplicação Giving Streets. Quem vive nas ruas das grandes cidades, voluntários em peditórios ou artistas de rua podem pedir um código QR à Giving Streets, que lhes será fornecido num suporte não-digital. Dimitris Vassiliadis esclarece que “o QR Code pode ser impresso e colocado na frente deles, por exemplo. Desta forma chama a atenção de quem quer dar e facilita o scanning com a câmara do telemóvel“.

Quem quer contribuir aproxima-se da pessoa, utiliza a app para fazer um scan do código QR e a doação é feita no momento. Por outro lado, o código QR pode ser usado nos diversos parceiros da Giving Streets – como supermercados e mercearias –  trocando a doação digital por bens. No caso da oferta ser feita a uma instituição de caridade, o dinheiro recolhido através do código QR vai diretamente para a conta bancária.

As receitas da Giving Streets estão na taxa de comissão de 3% para todas as doações feitas através da plataforma. Para organizações e instituições de caridade de maior dimensão que façam peditórios de rua com regularidade e com vários voluntários, a Giving Streets tem a opção de um modelo de subscrição.

Embora o objetivo seja o lucro, as receitas não serão guardadas ou investidas no negócio. Em vez disso, serão distribuídas por instituições de caridade ou disponibilizadas diretamente a indivíduos com algum tipo de necessidade. Vassiliadis  esclareceu que a plataforma se comprometemo a devolver o lucro de forma a ajudar outras comunidades. “Queremos tirar pessoas das ruas, oferecer apoio, seja ele de saúde mental, formação ou providenciando um lar, até que as pessoas possam de novo caminhar por si mesmas. Nos últimos meses, ficámos a perceber que nenhum de nós está livre de se tornar um sem-abrigo”.
De acordo com Vassiliadis, só em Londres são mais de 8 mil as famílias em risco de não conseguir pagar a renda. “O problema é substancial. Queremos que estas pessoas saibam que estamos aqui para elas, que não são invisíveis.”

Meta: 530 utilizadores até ao final de 2019
A app ainda não está disponível. Atualmente, Vassiliadis está a aperfeiçoar a tecnologia e conta lançar o serviço ainda este ano. “O nosso objetivo é ter, até ao final deste ano, 530 sem-abrigo e artistas de rua a usarem códigos QR e mais 20 marcas  como parceiros onde as pessoas podem trocar os seus vouchers”.

Apesar de, no final da competição Chivas Venture onde participou, a empresa não ter conseguido ficar nas cinco primeiras, tornou-se uma das 15 finalistas o que lhe rendeu um prémio de 20 mil dólares (cerca de 18 mil euros). “Usaremos este dinheiro para promover a causa e a aplicação e entraremos também no desenvolvimento de parcerias e aplicações adicionais“, afirmou o mentor da Giving Street.

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