Fora do Escritório: as escolhas do Country Director da Helexia Portugal para este verão
Entre dias sem agenda junto ao mar, viagens para descobrir novos lugares e leituras sobre ciência e inteligência artificial, Luís Pinho, Country Director da Helexia Portugal, partilha como procura desacelerar, recarregar energias e ganhar perspetiva para os desafios que se seguem, num setor marcado pela resiliência e pela transição energética.
Quando está “fora do escritório”, o que mais gosta de fazer para desligar?
Antes de mais, aprecio muito que “fora do escritório” esteja entre aspas… porque, nos dias de hoje, estar fora do escritório não significa necessariamente estar desligado. Para desligar verdadeiramente, gosto muito de ler, de estar perto do mar, cada vez mais, e de fugir um pouco ao ruído da cidade. A praia ajuda-me muito nesse processo de desaceleração. Também gosto de conhecer sítios novos, caminhar sem grande destino definido e deixar-me surpreender pelos lugares por onde passo. Há qualquer coisa de muito simples e muito eficaz em caminhar, observar e descobrir sem pressa.
“Em Portugal, volto sempre com muito gosto a Sesimbra, às praias da Caparica mais afastadas do centro e ao Porto Santo, onde parece que o tempo corre a um ritmo diferente (…)”.
Qual é o destino, em Portugal ou fora, onde consegue realmente descansar?
Vou parecer redundante, mas o mar, ou estar perto do mar, está claramente no topo da lista. Ainda assim, gosto muito de montanha também, talvez porque ambos obrigam, de formas diferentes, a abrandar. Fora de Portugal, Itália tem sido sempre uma boa surpresa. A Toscana é uma região maravilhosa, mas também a Costa Amalfitana e a Sicília têm esse equilíbrio entre beleza, ritmo, gastronomia e tempo bem vivido.
Em Portugal, volto sempre com muito gosto a Sesimbra, às praias da Caparica mais afastadas do centro e ao Porto Santo, onde parece que o tempo corre a um ritmo diferente, mais lento, mais generoso e mais compatível com aquilo que as férias devem ser.
Há algum livro, podcast, filme ou série que recomende para este verão?
Confesso que estou um pouco saturado de podcasts de comentário e análise. Sinto que estamos permanentemente expostos a opiniões já formadas, muitas vezes em excesso, e isso pode acabar por condicionar o nosso próprio sentido crítico. Gosto de ter espaço para consolidar as minhas ideias.
Ainda assim, continuo a ouvir o [IN]Pertinente, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, precisamente porque aborda temas muito diferentes (política, ciência, sociedade, economia) com profundidade e diversidade. Também ouço bastante o Diary of a CEO, que tem conversas muito interessantes, não todas, naturalmente, mas uma parte significativa delas.
Quanto a livros, tenho gostado cada vez mais de biografias. São quase sempre inspiradoras, não apenas pelo percurso das pessoas, mas pelas dúvidas, falhas e decisões difíceis que revelam. Estou quase a terminar The Code Breaker, de Walter Isaacson, sobre edição genética, os seus riscos e também o enorme potencial que pode trazer para a medicina. Recomendo.
E, para alguns dias de férias, quero ler mais sobre inteligência artificial. Estou particularmente curioso e expectante com o Resonant Frequency, do Bernardo Mota Veiga.
“Ver o nascer ou o pôr do sol parece uma coisa muito básica, mas ajuda muito a recentrar”.
Que hábito mantém durante as férias que o ajuda a regressar com mais energia?
A regra principal é simples: sem agenda.
Tento desacelerar, aproveitar os dias com calma e deixar algum espaço vazio. Ver o nascer ou o pôr do sol parece uma coisa muito básica, mas ajuda muito a recentrar. Nas férias, tento fugir daquela tentação de “optimizar” também o descanso. Descansar precisa, precisamente, de menos planeamento e mais disponibilidade.
O que aprendeu de mais importante no primeiro semestre de 2026?
Aprendi, ou talvez tenha tomado ainda mais consciência, da fragilidade do ecossistema global em que vivemos. Por um lado, o mundo globalizado beneficia muito da interligação entre geografias, economias e sociedades. Mas essa mesma interligação torna-nos também muito expostos às disrupções que acontecem noutros pontos do mundo. E, infelizmente, a América continua a surpreender-nos, nem sempre pelas melhores razões.
Mas, acima de tudo, este primeiro semestre trouxe uma consciência muito concreta da vulnerabilidade que temos perante fenómenos extremos. A sequência de tempestades que nos assolou no início do ano, e a devastação que provocou, mostrou-nos como a resiliência das infraestruturas, das empresas, das comunidades e das equipas deixou de ser um tema abstrato. É uma realidade diária.
“Sem dúvida, reagir durante, e imediatamente após as tempestades que tivemos no início do ano, em particular a tempestade Kristin, assegurando que dávamos todo o suporte possível aos nossos clientes”.
Qual foi o maior desafio de liderança que enfrentou nos últimos meses?
Sem dúvida, reagir durante, e imediatamente após as tempestades que tivemos no início do ano, em particular a tempestade Kristin, assegurando que dávamos todo o suporte possível aos nossos clientes.
Foi um momento exigente, porque era preciso atuar rapidamente, com informação ainda incompleta, e mobilizar equipas em várias frentes. Tivemos de contactar clientes, avaliar impactos, priorizar intervenções e garantir que os recursos eram alocados onde eram mais necessários.
Nesses momentos, a liderança é menos sobre grandes discursos e mais sobre clareza, presença e capacidade de mobilização. E também sobre confiar nas equipas. Felizmente, tivemos uma resposta muito forte e muito comprometida.
Que tendência, oportunidade ou preocupação vai estar no seu radar na segunda metade do ano?
O setor energético não abranda e as prioridades dos nossos clientes também estão em constante evolução. Por isso, o mais importante é mantermo-nos atentos e sermos capazes de antecipar respostas.
Na segunda metade do ano, o armazenamento de energia estará claramente no meu radar. O desenvolvimento que temos em curso de projetos de armazenamento (BESS) combinados com produção fotovoltaica será cada vez mais relevante. Mais do que uma tendência, acredito que será um factor crítico para a sustentabilidade, a competitividade e a autonomia energética das empresas.
Dar resposta a essa necessidade, de forma tecnicamente sólida e economicamente viável para os clientes, será uma das nossas prioridades.
Como equilibra descanso e responsabilidade quando lidera uma equipa ou uma empresa?
Mal, mas acredito que cada vez melhor.
A verdade é que o sono e o descanso são muitas vezes descurados, e isso tem consequências. “Estar” é diferente de “ser”. Estar fisicamente presente não é o mesmo que ser presente, com total capacidade, disponibilidade e energia.
Definir fronteiras e, sobretudo, respeitá-las, continua a ser exigente. Há sempre mais um tema, mais uma decisão, mais uma mensagem. Mas acredito, ou pelo menos convenço-me que tenho vindo a melhorar. E também tenho aprendido que descansar não é uma pausa na responsabilidade; é uma condição para a exercer melhor.
Que conselho daria a outros líderes para aproveitarem melhor este período de pausa?
Não sei se me sinto muito confortável a dar conselhos, é sempre um exercício arriscado. Cada pessoa tem o seu método, as suas rotinas e a sua forma de estar.
Mas talvez diria isto: estejam disponíveis para se ouvirem. Baixem o ritmo, reduzam o número incessante de estímulos com que vivemos todos os dias e aceitem que nem tudo tem de ser produtivo, útil ou planeado.
Às vezes, aproveitar melhor uma pausa é simplesmente levá-la com mais calma e descontração. E isso, para muitos de nós, já é um enorme desafio.
Complete a frase: Este verão quero…
conhecer melhor a Escócia e aproveitar alguns dias para aprofundar a cultura, a história e as tradições das zonas por onde vou passar.
Gosto de viajar com alguma curiosidade pelo território, não apenas visitar lugares, mas tentar perceber o que os moldou. E a Escócia tem essa combinação muito interessante entre natureza, história, identidade e carácter. Parece-me um bom destino para desligar, caminhar, aprender e recarregar
O essencial de verão…
Livro: “Resonant Frequency”, do Bernardo Mota Veiga
Destino: Escócia
Objeto indispensável: Telemóvel, infelizmente
Uma palavra para definir este verão: Recarregar
Uma ideia para levar para setembro: Teremos seguramente meses desafiantes pela frente, mas estou muito contente e confiante na equipa que tenho. Com foco, energia e espírito de equipa, acredito que vamos atingir os nossos objectivos.









