Europeus querem mais informações sobre inovação alimentar
Os agricultores e produtores alimentares recorrem cada vez mais recorrem a novas técnicas e produtos para enfrentar os desafios da produção alimentar, mas os consumidores europeus, apesar de consideram útil, estão cautelosos e querem mais informações, de acordo com o mais recente Eurobarómetro.
Frutas e produtos hortícolas provenientes de culturas adaptadas à seca, a pragas ou a condições meteorológicas extremas são inovações alimentares que consumimos cada vez mais. Devido a estes desafios, os agricultores e produtores de alimentos tem inovado e usado novas técnicas para que o ecossistema alimentar europeu se mantenha equilibrado. Mas o que pensam os consumidores sobre a transformação no setor alimentar e, consequentemente, sobre os alimentos que ingerem? Foi exatamente para perceber como os consumidores europeus encaram os alimentos, ingredientes e culturas inovadores que a Comissão Europeia publicou recentemente os resultados de um novo Eurobarómetro Especial sobre a inovação alimentar.
O inquérito mostra que 68% dos europeus consideram a inovação alimentar uma forma útil de ajudar os agricultores e os produtores de alimentos. Pode reforçar a resiliência e a preparação do sistema alimentar europeu, alargar as opções de produção, apoiar a segurança alimentar e ajudar a satisfazer a evolução das necessidades dos consumidores, respeitando simultaneamente as normas de segurança da União Europeia.
Mas apesar desta aceitação, os resultados mostram que a atitude do público continua a ser cautelosa, com destaque para os inquiridos mais jovens, os que têm níveis de educação mais elevados, os inquiridos urbanos e os que estão mais familiarizados com alimentos inovadores.
O barómetro revela também que as pessoas com menos de 39 anos sentem-se mais confortáveis com alimentos inovadores do que as pessoas com 55 anos ou mais (mais de 50 % contra 34 %). O conforto também é menor entre os entrevistados que deixaram a escola aos 15 anos do que entre os que concluíram a educação aos 20 anos ou mais.
Verifica-se um padrão semelhante por local de residência: mais de metade das pessoas que vivem em grandes cidades sentem-se confortáveis com os alimentos desenvolvidos utilizando técnicas modernas, em comparação com 42 % a 46 % das pessoas que vivem em aldeias ou zonas rurais.
Os níveis de conforto também diferem significativamente pela informação e consciência, variando de 72% entre aqueles que se sentem bem informados, a 36% entre aqueles que não o fazem, e de 59% entre aqueles que já ouviram falar de alimentos inovadores, a 32% entre aqueles sem exposição prévia. Muitas pessoas afirmam que não se sentem bem informadas, salientando a necessidade de informações claras, transparência e confiança para que a inovação seja bem-sucedida.
Entre os produtos alimentares inovadores apresentados no inquérito, o nível mais elevado de aceitação foi para frutas e produtos hortícolas provenientes de culturas adaptadas à seca, a pragas ou a condições meteorológicas extremas. 50 % dos inquiridos afirmou que se sentiria confortável com esses produtos.
No entanto, existe também óbvia lacuna de informação. Quase três quartos dos europeus (72 %) afirmam não se sentir bem informados sobre alimentos, ingredientes e culturas inovadores. No geral, 51% dizem ter uma visão negativa dos produtos alimentares inovadores, enquanto 39% têm uma visão positiva.
O inquérito também aponta para uma forte ligação entre a informação e as atitudes do público. Entre os entrevistados que se sentem bem informados, 72% têm uma visão positiva dos alimentos inovadores. Entre os que não se sentem bem informados, este número cai para 27%.
As conclusões do barómetro sobre inovação alimentar destacam igualmente a importância da transparência. A grande maioria dos inquiridos (85 %) concorda que os produtos alimentares inovadores devem ter nomes claros e fornecer informações compreensíveis sobre a forma como são produzidos, o que contêm e de onde provêm.
Estes resultados fornecem dados importantes para o desenvolvimento futuro de políticas, investigação e inovação e os esforços de comunicação. Podem também ajudar os investigadores, os inovadores e os decisores políticos a refletir melhor as expectativas dos consumidores logo desde as fases iniciais do processo de inovação.






