A The Cork Food Box é produzida com cortiça e um bioplástico, e vai disputar, em novembro, a final da “Urban Innovation and Entrepreneurship Competition”, na Austrália, uma competição de inovação e empreendedorismo.

Um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra (UC) criou uma lancheira ecológica à base de cortiça, inspirada num recipiente tradicional de alimentos, usado, no passado, por trabalhadores agrícolas no Alentejo.

A lancheira denominada The Cork Food Box é produzida com cortiça e um bioplástico, em colaboração com a Amorim Cork Composites, empresa do grupo Amorim.

Segundo a UC, o projeto arrancou no início de 2020, na sequência de um desafio lançado aos estudantes por João d’Orey, professor convidado da unidade curricular de Gestão e Empreendedorismo do Mestrado Integrado em Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). 

A ideia, conta João d’Orey, era a de que os alunos fossem capazes de criar “um modelo de negócio sustentável centrado na economia circular”. “Mais concretamente, que desenvolvessem um produto inovador que permitisse reduzir a utilização de plásticos, descartáveis e não descartáveis, e outros materiais de uso único, que fosse durável e que simultaneamente tivesse um impacto positivo ao longo do seu ciclo de vida”, acrescenta.

A equipa formada por sete estudantes — Alexandre Jorge, Ana Silva, Cindi Costa, Francisco Brandão, Margarida Oliveira, Raquel Caracitas e Rodrigo Moreira — acabou por se inspirar em “práticas sustentáveis” utilizadas no passado por trabalhadores agrícolas da região do Alentejo, os quais “levavam para o campo um recipiente de cortiça para alimentos, chamado Tarro”, explicam os alunos citados em comunicado.

“Fazia todo o sentido, já que é um produto 100% natural e endógeno de Portugal, que é o maior produtor mundial de cortiça”, acrescentam os estudantes, notando que “os compósitos de polímero de cortiça podem ser personalizados e moldados de acordo com as necessidades do cliente, são leves e de extraordinária resistência”.

A lancheira ecológica inclui um conjunto de recipientes “de diferentes dimensões para transporte e consumo de alimentos, bebidas e café”, sendo, por isso, “um conceito polivalente”, que a torna adequada ao “uso diário, serviços de take-away e eventos”, assinalam os estudantes.

Ainda de acordo com a equipa, o projeto possui um “aspeto diferenciador” já que, no final do seu ciclo de vida, os recipientes podem ser entregues “e reutilizados como matéria-prima na produção de pavimento flutuante, reduzindo assim o impacto ambiental do próprio negócio”.

O docente João d’Orey acredita, por seu turno, que a lancheira ecológica poderá estar no circuito comercial dentro de um ano, embora o projeto, que já possui modelo de negócio estruturado e alguns protótipos, ainda tenha algumas fases para cumprir.

“Temos de garantir que o produto obedece a determinadas características técnicas, como, por exemplo, estar apto para ser lavado na máquina de lavar loiça, para ir ao microondas para aquecer a comida que transporta, e obter a certificação para o uso alimentar, cujo processo já está em marcha, ou seja, estamos na fase de configuração final do produto”, refere.

Para tal, será criada uma start-up na Universidade de Coimbra, de modo a serem estabelecidas parcerias “a vários níveis”, as quais, no início, irão “centrar-se na produção do produto e na grande distribuição”, sublinha o comunicado.

“Em seguida, numa segunda fase, os autores do projeto pretendem firmar consórcios com restaurantes e organizações de grandes eventos, como, por exemplo, festivais e festas estudantis, como a Queima das Fitas”, acrescenta.

A lancheira The Cork Food Box é um dos 12 projetos que vai disputar, em Novembro, na Austrália, a final da “Urban Innovation and Entrepreneurship Competition”, uma competição de inovação e empreendedorismo.

A equipa de alunos da FCTUC irá ainda disputar a 7.ª edição da “China International College Students Internet+ Innovation and Entrepreneurship Competition”, considerada “uma das maiores competições internacionais em inovação e empreendedorismo para estudantes universitários”, destaca a nota da UC.

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