A Snood Foods conseguiu criar os primeiros produtos nacionais 100% naturais e sustentáveis, e feitos à base de leguminosas. Em entrevista ao Link To Leaders, o fundador da start-up explica como surgiu a oportunidade de criar estes snacks, a razão da procura por investidores e como superaram a venda de 50 mil unidades com poucos meses de produção.

Tem 31 anos de idade. Começou a sua carreira na Nestlé, na área do marketing, mas rapidamente entrou na área de investimento, na Portugal Ventures. Foi aí que teve contacto com a Snood Foods, tendo decidido abraçar o projeto que nasceu na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Desde novembro, a Snoods Foods já vendeu 50 mil pacotes de snacks feitos à base de grão de bico, feijão vermelho e ervilhas. A intenção é explorar outros ingredientes e internacionalizar a marca, avançou Alexandre Santos, fundador da empresa, em entrevista ao Link To Leaders.

Como surgiu a Snood Foods e o que foi preponderante para o seu lançamento?
A ideia de transformar as leguminosas em snack surgiu em contexto universitário, quando, em 2015, Duarte Torres, atual professor na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), esteve envolvido num inquérito alimentar nacional sobre o estado do consumo e os hábitos alimentares dos portugueses, enquanto tirava um doutoramento na Universidade do Minho na área da tecnologia alimentar.

Quando percebeu que o consumo de leguminosas estava bastante abaixo daquilo que é recomendado para a população portuguesa (segundo os dados recentes da Associação Portuguesa de Nutricionistas, o consumo estimado de leguminosas dos portugueses está abaixo do recomendado – o dia alimentar corresponde apenas a 0,6%, quando deveria ser de 4%), começou a pensar em formas fáceis de introduzir este alimento nas rotinas dos portuguesas.

Ao perceber que existia uma falta de variedade no mercado de snacks ao nível de alternativas simples e saudáveis, Duarte começou assim a explorar o potencial das leguminosas num snack. Depois de vários anos de investigação, eu juntei-me ao projeto e fundámos a empresa Snood Foods em 2017.  Em 2019 lançámos o nosso primeiro produto: Bean’Go, snacks feitos com leguminosas, 100% naturais, sustentáveis e com elevado valor nutricional.

“No início, foi difícil encontrar uma fábrica em Portugal que tivesse os requisitos que procurávamos para produzir os snacks, sendo que era muito importante para nós produzir a Bean’Go em Portugal”.

Quais os desafios que encontraram pelo caminho?
No início, foi difícil encontrar uma fábrica em Portugal que tivesse os requisitos que procurávamos para produzir os snacks, sendo que era muito importante para nós produzir a Bean’Go em Portugal. Como tal, decidimos abrir a nossa própria fábrica, que apesar do investimento inicial, permitiu-nos, desde início, controlar todo o processo de produção desde a mistura dos ingredientes até ao embalamento.

O que diferencia os snacks da Snood Foods de outros existentes no mercado?
A marca Bean’Go oferece os primeiros snacks feitos 100% de leguminosas, produzidos no formo e sem glúten, corantes nem conservantes. O que nos diferencia no mercado é o facto de oferecermos uma alternativa de snack muito mais saudável do que a restante oferta e com elevado valor nutricional, dado que os nossos snacks têm menos de 99 calorias por pack, 2,5x mais proteínas, 50% menos gordura, 40% menos sal, e 2,8x mais fibras que outros snacks. Além disso, somos dos primeiros a introduzir as leguminosas na nossa rotina alimentar diária de uma forma fácil, conveniente e saborosa.

Quais os produtos que disponibilizam neste momento e onde os podemos encontrar?
A Bean’Go está disponível nos supermercados Pingo Doce e Go Natural, bem como na nossa loja online. Em termos de variedade, oferecemos quatro sabores: grão-de-bico com sal, ervilha com sal, feijão com manga e pimentão, grão-de-bico com tomate e orégãos.

Como tem sido a aceitação ao Bean’Go? Os consumidores estão recetivos?
O feedback tem sido muito positivo, tanto pelos consumidores como pelos nutricionistas com os quais estamos a criar relação. A grande maioria dos consumidores ficam surpreendidos com o sabor da Bean’Go, já que são feitos com ingredientes menos comuns e que muitos não costumam consumir no dia a dia. Por sua vez, os nutricionistas já nos começam a recomendar e a ver-nos como alternativa saudável.

Como avalia os primeiros meses de vida da marca?
Os nossos primeiros meses de lançamento foram muito positivos, sendo que vendemos cerca de 50 mil unidades. Atualmente continuamos a expandir a nossa oferta, de forma a colocar os nossos snacks em mais supermercados.

“Podemos adiantar que estamos em negociações para entrar em mais cadeias de supermercados e faz parte dos nossos objetivos chegar a mais consumidores dentro e fora de Portugal, expandindo a nossa oferta de snacks saudáveis e convenientes também além-fronteiras”.

Quais as vossas previsões de vendas para o final deste ano?
Estamos focados no crescimento da empresa e em chegar a mais consumidores, sendo que não faz parte da nossa política divulgar estes números. Podemos adiantar que estamos em negociações para entrar em mais cadeias de supermercados e faz parte dos nossos objetivos chegar a mais consumidores dentro e fora de Portugal, expandindo a nossa oferta de snacks saudáveis e convenientes também além-fronteiras. O feedback que temos tido desde o primeiro dia tem sido excelente, pelo que temos boas perspetivas para a evolução do nosso crescimento.

Como conseguiram investimento e quais as lições que retira deste processo?
A Snood Food tem quatro investidores. Em 2017, dois business angels investiram no projeto com o objetivo de se encontrar uma empresa para fazer outsourcing da produção, mas esse processo revelou-se muito complicado pelas especificidades da nossa linha de produção, pelo que decidimos em 2018 procurar parceiros industriais com capacidade de investimento para construir a nossa própria fábrica. No início de 2019 conseguimos encontrar esses parceiros. A vantagem de ter parceiros nesta indústria é que acelera, e muito, a implementação industrial.

Hoje a Snoods Foods tem oito sócios e uma fábrica no Porto. Como é conciliar as vontades destes oito sócios?
Todos querem o sucesso da marca e da empresa e os interesses estão bem alinhados entre todos. É fácil conciliar porque há clareza nos nossos objetivos.

“Não foi só a experiência da Portugal Ventures que me ajudou a desenvolver competências para criar este negócio. Por exemplo, a Nestlé, no início da minha carreira, foi muito importante”.

Depois de estudar gestão, Alexandre Santos ficou ligado à área científica e ao investimento, tendo passado pela Portugal Ventures. De que forma estas experiências contribuíram para o empreendedor que é hoje?
Não foi só a experiência da Portugal Ventures que me ajudou a desenvolver competências para criar este negócio. Por exemplo, a Nestlé, no início da minha carreira, foi muito importante. A Portugal Ventures aproximou-me do meio e ajudou-me a compreender melhor as dinâmicas de crescimento de uma empresa.

Faz parte da estratégia da marca internacionalizar os seus produtos? Qual é o plano de expansão?
Sim, um dos nossos objetivos estratégicos é chegar a cadeias de supermercado e grandes superfícies fora do país. Por uma questão de proximidade e logística, interessa-nos bastante o mercado espanhol. Depois em países onde uma grande parte da população está aberta a este tipo de produtos como França, Alemanha e Reino Unido.

Projetos para o futuro…
O nosso principal objetivo neste momento é crescer. Queremos consolidar o mercado em Portugal, ser reconhecidos pelos portugueses como uma alternativa saudável e conveniente para momentos de pausa e partilha, bem como expandir a nossa oferta nas grandes superfícies.

Que conselhos dá a quem quer entrar no setor alimentar?
É uma indústria que está a precisar de inovação. Precisamos de mais variedade para não depender tanto de determinados ingredientes que temos em menos quantidade, precisamos de mais e melhor tecnologia para reduzir o impacto no ambiente, precisamos de produtos melhores nutricionalmente. Existem imensas oportunidades.

Respostas rápidas:
O maior risco:
O produto ser rejeitado pelos consumidores.
O maior erro: 
Subestimar a dificuldade em industrializar um projeto.
A maior lição: 
Adaptabilidade é fundamental para se criar uma empresa de raiz.
A maior conquista: 
Fábrica em pleno funcionamento.

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