Empresas vão ter mais custos com os benefícios de saúde em 2027

Foto: Health Trends 2027

Os custos com benefícios de saúde para as empresas vão aumentar 10% a nível global em 2027, segundo o relatório Health Trends 2027.

A Marsh divulgou o seu relatório Health Trends 2027 e conclui que a tendência global dos custos médicos – o aumento anual esperado do custo dos sinistros médicos por beneficiário de um plano de saúde – deverá atingir os 10% em 2027, o que representa o sétimo ano consecutivo de aumentos de dois dígitos para as empresas.

Baseado num inquérito a 306 seguradoras de 69 mercados, excluindo os EUA, o relatório revela também que a persistência de custos elevados está a criar um contexto exigente para as empresas, tanto na gestão das atuais coberturas de benefícios de saúde como no investimento de longo prazo na saúde futura dos seus colaboradores.

Cerca de 40% dos mercados analisados deverão registar aumentos de dois dígitos em 2027. No futuro, quase quatro em cada cinco seguradoras (78%) esperam que o ritmo de aumento dos custos se mantenha nos níveis atuais ou se acentue até 2030.

O aumento dos custos com cuidados de saúde está a impulsionar a tendência dos custos médicos, com implicações financeiras para os colaboradores e as empresas. As seguradoras atribuem este contexto de custos elevados essencialmente a dois fatores: à utilização de tecnologia mais avançada na prestação de cuidados (57%) e à maior incidência de problemas de saúde (47%).

O relatório da Marsh refere que as empresas terão de saber quais as “alavancas” que podem acionar para gerir os custos e, ao mesmo tempo, promover melhores resultados de saúde para os seus colaboradores. No próximo ciclo de renovação, 38% das seguradoras esperam que as empresas limitem o crescimento dos custos através de alterações moderadas aos planos e 32% acreditam que as empresas vão apostar na otimização do valor dos seus benefícios, alinhando as coberturas e o investimento com os resultados de saúde e as prioridades do negócio.

Do conjunto de doenças que podem afetar os colaboradores, o cancro representa um desafio crescente em termos de custos para as empresas, já que é o principal fator de custos com sinistros de saúde a nível global, com 70% das seguradoras a colocá-lo entre as três principais causas de sinistros em valor.

Aliás, os tratamentos oncológicos altamente direcionados são um dos fatores que impulsionam a despesa com saúde. Ao mesmo tempo, com o envelhecimento da população e a melhoria das taxas de sobrevivência, há cada vez mais colaboradores e familiares a viver com o cancro como doença crónica, o que exige um apoio continuado ao nível dos benefícios, muito para além do tratamento inicial. No entanto, a cobertura preventiva continua a ser limitada: menos de metade das seguradoras cobre rastreios oncológicos, sendo que 49% cobrem o rastreio do cancro da mama e apenas 30% o rastreio do cancro do pulmão.

Inteligência artificial interfere nos custos

A inteligência artificial (IA) está a transformar a prestação de cuidados de saúde e os respetivos custos, criando, por um lado, oportunidades de poupança, mas, por outro, também novos riscos. O relatório mostra que mais de metade das seguradoras (55%) acredita que a IA vai reduzir os custos das carteiras de seguros de saúde das empresas nos próximos dois a três anos, apontando ganhos de eficiência no processamento de sinistros e na deteção de fraude. Ainda assim, nem todas as seguradoras estão convencidas de que a IA trará poupanças relevantes: 6% acredita que aumentará os custos totais e 23% não tem certezas quanto ao seu impacto.

O Health Trends 2027 constata que a maior oportunidade de poupança para as empresas está na adoção de estratégias que melhorem os resultados de saúde e reduzam os sinistros evitáveis. O relatório conclui que muitas oportunidades de poupança, como a adoção de planos que incentivem cuidados de elevado valor ou a gestão de beneficiários com custos elevados, poderão ainda não estar incluídas, por defeito, nos planos atuais.

“As empresas que atuam de forma proativa estão em melhores condições para apoiar as suas pessoas, reforçar a saúde da sua força de trabalho e tomar decisões mais sustentáveis para o futuro”, conclui Hervé Balzano, presidente da Marsh Health and Benefits.

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