As empresas esperam que os pagamentos em atraso “cresçam significativamente” nos próximos meses devido ao aumento da inflação e das taxas de juro, segundo o estudo European Payment Report, da Intrum.

As empresas esperam que os pagamentos em atraso cresçam nos próximos meses, na sequência do aumento da inflação e das taxas de juro, conclui o European Payment Report (EPR), estudo da Intrum realizado a mais de 11 mil empresas em 29 países europeus.

O estudo revela que cerca de 8 em cada 10 empresas afirmam que fortalecer a sua liquidez e fluxo de capital é uma das principais prioridades durante o ano corrente

“A Europa talvez esteja a atravessar um dos períodos mais agitados e repleto de desafios. Hoje, as empresas enfrentam uma disrupção e incerteza sem precedentes, o que aumenta a pressão sobre as empresas que ainda estão a tentar recuperar do impacto dos anos Covid. Num contexto de inflação, com o incremento das taxas de juro e regulamentação, as empresas esperam um aumento nos atrasos de pagamento, bem como maiores barreiras para o crescimento durante o resto de 2022. Garantir um fluxo de caixa sólido é uma das prioridades máximas para a maioria das empresas inquiridas”, afirma Anders Engdahl, presidente e CEO da Intrum, citada em comunicado.

A maioria das empresas europeias (58%) admite não ter experiência de como gerir a inflação e mais de metade diz que isso as impede de fazer crescer o negócio (51%), de satisfazer as exigências salariais (55%) e de pagar aos fornecedores a tempo (58%),

De acordo com o estudo, 6 em cada 10 empresas estão a tornar-se mais cautelosas com os seus planos de empréstimos e gastos, uma vez que esperam que as taxas de juro aumentem mais de uma vez durante os próximos 12 meses,

“As preocupações aumentam em toda a Europa à medida que a inflação está a acelerar e o crescimento está a estagnar. Se esta tendência não for quebrada, poderemos estar perante um período de estagflação; estagnação da produção económica combinada com uma inflação elevada.  Numa nota positiva, os mercados de trabalho em toda a Europa continuaram a fortalecerem-se  este ano, embora as baixas taxas de desemprego possam gerar uma maior pressão ascendente sobre os salários”, diz Anna Zabrodzka-Averianov, Economista Sénior da Intrum.

A gestão da liquidez, o fluxo de caixa e o risco de crédito constituem as principais prioridades estratégicas, já que as empresas procuram assegurar uma posição financeira sólida.

Segundo o estudo, 8 em cada 10 empresas europeias afirmam que  reforçar a liquidez e o fluxo de caixa é uma prioridade estratégica para  este ano. Uma percentagem semelhante menciona como principais prioridades a melhoria da gestão da dívida, bem como a gestão do crédito de risco.

Metade das empresas inquiridas relatam que estão mais débeis agora do que antes do início da pandemia. Ao mesmo tempo, 6 em cada 10 dizem que a pandemia as motivou a tornarem-se melhores na gestão dos riscos relacionados com atrasos de pagamento.

53% dos inquiridos afirmam que gostariam de melhorar a sua gestão de pagamentos em atraso, mas consideram isto difícil devido à falta de qualificações e recursos internos.

O estudo aponta ainda que 4 em cada 10 empresas dizem que os pagamentos tardios estão a bloquear o crescimento da empresa.

No entanto, as empresas têm, finalmente, esperança de que a pandemia esteja a chegar ao fim: cerca de duas em cada três (64%) acreditam que a covid-19 deixará de ter impacto no seu país dentro de um ano, criando novas oportunidades de crescimento”, refere o estudo.

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