Os gastos das empresas com sistemas de inteligência artificial devem ultrapassar os 50 mil milhões de dólares (42 mil milhões de euros) este ano. No entanto, a grande maioria das empresas pode não ter retorno imediato desse investimento, revela estudo.

Num estudo realizado a mais de 3 mil diretores de empresas sobre seus gastos com inteligência artificial, apenas 10% relataram benefícios financeiros significativos do seu investimento até agora, constatou o novo relatório do “MIT Sloan Management Review”, revista digital de tecnologia e negócios, e do Boston Consulting Group, empresa de consultoria.

Os ganhos com a tecnologia não acompanharam o aumento da adoção do investimento, diz Shervin Khodabandeh, que liderou o estudo e é codiretor de negócios em IA do Boston Consulting Group na América do Norte.

Mais de 50 mil milhões de dólares (42 mil milhões de euros) devem ser investidos em sistemas de IA globalmente este ano, acima dos 37,5 mil milhões de dólares (32 mil milhões de euros) em 2019, de acordo com a IDC, empresa de consultoria de mercado. Em 2024, o investimento deve chegar aos 110 mil milhões de dólares (93 mil milhões de euros), prevê a entidade.

Apesar do investimento, o número de projetos de IA que não foram bem sucedidos é crescente. A IBM desviou a prioridade da sua tecnologia Watson, sistema de computador de solução de questões, após não ter conseguido atrair a atenção para projetos como o de oncologia de 62 milhões de dólares (52 milhões de euros) que fez sugestões imprecisas sobre tratamentos de cancro. A Amazon teve de parar com uma ferramenta de recrutamento de IA depois de ter mostrado preconceitos misóginos. E empresas de menor dimensão descobriram que construir tecnologia é mais difícil do que parece, já que os assistentes virtuais supostamente equipados com IA e agendadores de reuniões acabam por dependem de humanos reais nos bastidores.

As empresas estão a lutar para entregar projetos de IA e ter mais resultados, diz Khodabandeh, porque gastam demais em tecnologia e cientistas de dados, sem implementar mudanças nos seus processos de negócios, avança um relatório da “Harvard Business Review” publicado em junho.

De acordo com a Forbes, no mês passado, os engenheiros da Uber concluíram que os seus carros autónomos não conseguiam percorrer mais de 800 metros até encontrarem um problema. A inteligência artificial do programa ainda “luta com rotinas e manobras simples”, de acordo com um relatório na “The Information”. Parte do motivo da falha, de acordo com um memorando interno, são ideias concorrentes sobre como implementar a tecnologia.

Mas, com a promessa da IA ​​de economia e melhorias em grande escala para os negócios, as empresas não vão parar de investir em tecnologia tão cedo. Os investigadores do BCG e do MIT descobriram que 57% das empresas disseram ter implementado os seus próprios projetos de IA, em comparação com 44% das empresas em 2018.

Para que estes projetos deem frutos, Khodabandeh diz que mais utilizadores de IA devem repensar como a tecnologia está integrada nos seus negócios. “Claramente há muito exagero”, diz. “E parte desse exagero aparece nos dados”, acrescenta.

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