A especialista senegalesa em inteligência artificial Adji Bousso Dieng está a ajudar a colocar os africanos no mapa mundial nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática com a criação da plataforma TAIK – The Africa I Know. A investigadora é a primeira professora negra na Escola de Engenharia de Princeton, nos EUA.

Adji Bousso Dieng, investigadora em inteligência artificial (IA) originária do Senegal, não só está a contribuir para o campo da modelagem generativa, como acaba de se tornar numa das primeiras mulheres negras docentes em ciência da computação na Ivy League.

Atualmente researcher na Google e a mais recente professora de ciência da computação em Princeton, Adji Bousso Dieng trabalha numa área de IA denominada modelagem generativa. “Permite-nos aprender com os dados sem precisar de supervisão. Os modelos generativos têm muitas aplicações no mundo real, como no processamento de linguagem natural, na visão computacional, saúde, robótica e numa variedade de ciências”, explica a investigadora à edição americana da Forbes.

Adji Bousso Dieng criou ainda a plataforma The Africa I Know (TAIK), que apresenta africanos com carreiras de sucesso, destaca como os africanos estão a alavancar a tecnologia para resolver problemas de desenvolvimento – na agricultura, na saúde e na educação –, e narra a história africana contada por africanos. “Fundei a TAIK para trazer ao de cima as histórias de sucesso de África e do seu povo, e para promover uma consciência económica e social” no continente, elucida, acrescentando que os voluntários da TAIK são um grupo de jovens vindos de todas as regiões de África e que o conteúdo está em inglês e em francês.

A crise da Covid-19, diz Adji Bousso Dieng, acelerou os planos de lançamento da TAIK porque vários países africanos adotaram tecnologia para combater o vírus, e com sucesso, mas que tal passou ao lado dos media. “As histórias de sucesso não são contadas: a maioria das pessoas não sabe muito sobre África e tem uma visão negativa do continente, dada a forma como é retratado” nos meios de comunicação social. “Esta visão negativa de África tem repercussões significativas em África e no seu povo”, declara.

Adji Bousso Dieng nasceu e foi criada em Kaolack, uma região pouco povoada do Senegal, onde frequentou o sistema escolar público. Foi inscrita pela mãe, que embora não tenha concluído o ensino secundário médio, entendia o valor da educação.

Anos mais tarde, após vencer um concurso em STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) organizado para meninas africanas pela Pathfinder Foundation for Education and Development, Adji Bousso Dieng recebeu uma bolsa para estudar no exterior. Foi para França, tendo-se formado em engenharia na Télécom ParisTech, e depois seguiu para os EUA, onde fez um mestrado em estatística pela Cornell University.

Para Adji Bousso Dieng é muito importante ter uma representação feminina negra no meio académico. “Nunca tive um docente negro desde que deixei o Senegal, muito menos uma docente negra. Aprendi a não deixar que me desmotivasse, mas é pedir muito que todos o façam”. Adianta que a dada altura, quando estava no primeiro ano do doutoramento na Universidade de Columbia, ficou mais animada, ao pesquisar o nome por detrás do teorema de estatística Rao-Blackwell. “Procurei quem eram os autores e fiquei em êxtase ao saber que Blackwell era negro. Tinha finalmente encontrado um cientista negro associado a um desses teoremas!”. Refere-se a David Blackwell, o primeiro afro-americano a garantir um lugar fixo na UC Berkeley e o primeiro a ser admitido na Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Na opinião de Adji Bousso Dieng, “é importante ter modelos, modelos que se pareçam connosco. E sentirmo-nos representados importa, pois dá-nos esperança e coragem para prosseguir os nossos esforços. Esta é uma das razões por que criei The Africa I Know: para proporcionar aos jovens africanos modelos de carreira que eles podem admirar”.

Adji Bousso Dieng não é a única mulher africana que está a reunir a próxima geração de líderes STEM. Na África do Sul, Mbali Hlongwane fundou a Pink Codrs Africa, que se uniu à equipa de futebol sul-africana Kaizer Chiefs Football Club para levar mais mulheres a fazerem código e a ingressarem em carreiras STEM.

A Pink Codrs Africa, esclarece Mbali Hlongwane, é uma organização de mulheres que desenvolvem software que surgiu de uma série de eventos de networking específicos para este segmento. O objetivo é construir uma rede forte na África do Sul de mulheres que desenvolvem software, reunindo o setor, empreendedoras em negócios de tecnologia e estudantes STEM.

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