O mundo atual apresenta-nos imensas oportunidades, ao mesmo tempo que nos coloca novos desafios.

O desenvolvimento tecnológico acelerado veio para ficar, sendo hoje uma realidade sem a qual não conseguiríamos viver. Do lado das vantagens, temos hoje uma panóplia de serviços que simplificaram a nossa vida, como não podíamos sequer imaginar. Para alguém que, como eu, dava uma volta ao quarteirão e ficava perdida, ter uma app que me indica o melhor caminho do Ponto A para ao Ponto B, é quase mágico! Tal como o é poder comprar o presente de aniversário a uma pessoa querida, que está a vários kms de distância, garantindo que a recebe no dia certo e que, quando a recebe, faz uma chamada de vídeo que nos permite partilhar da sua alegria.

Do ponto de vista profissional, possibilitou que pessoas que estão a trabalhar em vários pontos do globo, possam trabalhar em conjunto, potenciando-se assim o talento existente à volta do Mundo. Tornou também possível globalizar negócios, alargando o mercado de atuação das empresas, e não as limitando à sua zona geográfica de base.

As vantagens são vastas, e poderia dedicar este artigo a enumerá-las. No entanto, gostaria de me debruçar sobre um tema diferente. Gostaria de me focar nos desafios da liderança num mundo dominado pela tecnologia.

Cada vez mais somos controlados pelo email e pelos diferentes canais que as pessoas utilizam para chegarem até nós. Não é assim de estranhar que cada pessoa se isole no seu mundo online, respondendo a diferentes solicitações, e esquecendo-se do que está a acontecer no mundo offline.

Como líderes, temos a obrigação de criar tempo e espaço para refletir, rever prioridades, pensar estrategicamente e estarmos connosco próprios. Assim como temos a responsabilidade de estar próximos da nossa equipa, garantindo que cada elemento está alinhado com o propósito da organização e entende qual o papel que desempenha na entrega desse propósito.

Na minha atividade como coach, o que se torna mais óbvio para mim, é o quanto as pessoas apreciam que esteja lá para elas. A não existência de telemóveis na sala, permite que consigamos ter uma conversa profunda, e que exploremos temas que são realmente importantes. Naquele momento, somos apenas duas pessoas na sala. Nada mais!

Como líderes é requerido que façamos exatamente a mesma coisa. Que tenhamos a capacidade de deixar o telemóvel fora da sala, e que consigamos influenciar os membros das nossas equipas a fazerem o mesmo.

Quando o fazemos, em contexto de reunião de equipa, garantimos que as pessoas estão focadas no que se está a discutir na sala de reunião, ao invés de se distraírem com as inúmeras solicitações que lhes surgem por diversos canais. Paralelamente têm a possibilidade de se conhecer melhor, desenvolvendo relações de confiança, fundamentais para a construção de equipas de alta performance.

“Teamwork is the fuel that allows common people to attain uncommon results.” – Andrew Carnegie

Simultaneamente, quando temos reuniões individuais, é fundamental que as mesmas também se desenvolvam num clima sem tecnologia. Quando damos 100% da nossa atenção a um membro da nossa equipa, mostramos respeito pelo seu trabalho e pelo seu desenvolvimento, sendo uma excelente oportunidade para se estabelecer uma relação de mentoring.

Finalmente, é fundamental deixar a tecnologia de fora, quando estamos connosco próprios. Garantir momentos que nos ligam ao presente, fazendo exercício, meditação, ou apenas estando, é fundamental para sermos mais criativos, para sermos melhores líderes, para termos uma vida mais equilibrada e, consequentemente, para sermos melhores pessoas!

“Leadership is not about a title or a designation. It’s about impact, influence, and inspiration.” — Robin S. Sharma

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Sobre o autor

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Anabela Possidónio é Integral Coach, certificada pela ICF. Entre 2013 e 2018 foi diretora executiva do The Lisbon MBA Catolica|Nova, tendo contribuído para o processo de internacionalização do melhor MBA de Portugal, considerado pelo Financial Times o melhor em International... Ler Mais