Quando se fala dos temas de gestão, é comum dizer-se que a estratégia come tática todos os dias ao pequeno almoço, com o intuito de vincar a ideia de que primeiro se estuda, pensa e concebe uma ideia, transformada em decisão, para só depois a implementar, com base nos recursos disponíveis, capacidade de ação e criatividade.

Contudo, mais forte que a própria estratégia, é a cultura da empresa, quanto mais não seja porque esta determina e condiciona qualquer opção estratégica. Ou porque obedece a um perfil de empresário, ou porque traz o legado de muitos anos de história de sucesso, com base na mesma fórmula.

Na verdade, dos muitos profissionais que tenho conhecido nos mais variados setores de atividade, todos partilham a ideia de que trabalhar numa empresa com uma cultura muito própria e fortemente implantada entre os seus colaboradores, deixa pouca margem de manobra para remar num sentido contrário, no que isso tem de positivo ou negativo.

São variadíssimas as empresas que têm enraizada uma forte cultura empresarial, onde os modelos de governance estão perfeitamente identificados e oferecem uma lógica de coerência e consistência a todos os stakeholders e shareholders. Por cá, entre as mais conhecidas poderíamos elencar alguns grupos de empresas, todas elas muito bem-sucedidas, como Sonae, Jerónimo Martins, José de Mello, Delta ou Pestana, por exemplo.

Une-as o facto de apostarem na gestão e na orientação para o cliente, sem perderem a capacidade de estar em permanência na linha da inovação.

  • As diferentes áreas de retalho onde o Grupo Sonae está presente, com destaque para a rede Well’s é disso um bom exemplo. O mesmo se diga da inovação constante trazida pela Sonae Sierra na gestão de centros comerciais, estando já presente em 11 países.
  • Não é diferente o grau de sucesso das lojas Biedronka, na Polónia, a par da abertura de variadíssimas lojas Amanhecer por parte do Grupo Jerónimo Martins.
  • E o Grupo José de Mello que na área da saúde tem constituído de forma muito significativa um verdadeiro exemplo de inovação e de excelência na criação de valor para o cliente, através da CUF? Ou nos transportes, com a Via Verde a expandir o seu modelo de negócio nas mais variadas vertentes que permitem afirmar a marca através da mobilidade?
  • Que dizer do Grupo Nabeiro que, depois do sucesso com a Adega Mayor, nos vinhos, não se cansa de inovar na sustentabilidade dos seus produtos, apostando em cápsulas recicláveis e de criar novas marcas do cluster café, como o Go Chill ou Croffee?
  • Por último, como avaliar um caso de enorme sucesso empresarial e de marca através do Grupo Pestana, com a criação de um portefólio de oferta hoteleira que cobre um leque variadíssimo de segmentos de mercado, a par da sua estratégia de internacionalização ímpar que já expandiu para 16 países?

Estas marcas não vêem crescer ou descer a pique a cotação das suas ações, porque nenhuma tem políticas ziguezagueantes, mesmo que todas prossigam um pensamento disruptivo dos seus negócios. Mas vêem-se crescer, solidificar a sua presença nos distintos mercados e a ganhar vantagens competitivas em cada um deles. Afinal quantos portugueses podem dizer que não são clientes de nenhuma delas?

Têm êxito porque sabem muito bem o que fazem. Mas, sobretudo, porque têm um elemento que as une e as torna mais fortes: é a sua cultura empresarial, cimentada através de uma identidade muito bem definida.

Porque a cultura come estratégia todos os dias ao pequeno almoço!

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