Reconheço em nós, os portugueses, uma aptidão nata de adequação a novas culturas e diferentes realidades. Foram raras as vezes em que encontrei grupos fechados, só com portugueses por esse mundo fora, mas foi sempre fácil encontrar portugueses completamente integrados em comunidades com várias etnias, nacionalidades e religiões.

O sentido de pertença e de comunidade é muito forte em todo o reino animal, e acredito que o nosso sentido de comunidade é mais lato e abrangente devido a séculos de presença global, de contacto permanente com diferentes povos e culturas, a nossa capacidade de adaptação e de resistência às adversidades é uma constante ao longo da nossa história.

Fomos, talvez, um dos primeiros povos a compreender a importância da cultura, e o respeito pela sua diversidade, como suporte ao seu crescimento.

Deixo-vos uma visão magnífica sobre Portugal em forma de livro: “A Primeira Aldeia Global – Como Portugal mudou o Mundo” by Martin Page.

Seria impossível cobrir aqui a imensidão de significados da palavra cultura, que tanto pode significar o conjunto das características morais, intelectuais, artísticas e dos costumes ou tradições de um determinado povo, nação, lugar ou de um período específico, como simplesmente um terreno cultivado, por isso vou-me fixar na influência e impacto da cultura: seja ela de um povo, de uma sociedade, de um Mercado ou de uma Indústria, na forma como nos relacionamos, negociamos e executamos, no universo dos negócios.

Ao longo da minha jornada profissional, vários foram os erros que fui cometendo, uns com mais impacto do que outros. De nenhum me arrependo, sei que cresci muito com todos eles, por isso a minha primeira recomendação é que não tenham medo de errar, assumir os erros, corrigir e sobretudo aprender com eles.

De qualquer modo, um que poderia ter evitado foi, seguramente, a minha assunção, errada, de que, na grande maioria das vezes, tudo acontece de forma igual, não importa onde, porque somos todos pessoas, talvez fruto desta forma inata e Portuguesa de nos integrarmos em outras culturas.

Não poderia estar mais errado, na verdade nem precisamos de pensar o quão diferente é desenvolver negócios no Norte da Europa, quando comparado com o Médio Oriente ou a América Latina, basta-nos pensar o quão é só por si tão diferente, estando exatamente no mesmo sítio, a forma como desenvolvemos negócio em áreas tão distintas, como a Banca quando comparado com a Engenharia Civil ou o Turismo.

Uma frase que me tem acompanhado é aquela que nos relembra de que “Não há segundas oportunidades de criar primeiras impressões”, segundo a Forbes atribuída a Will Rogers. É necessário investir numa primeira impressão, e isso requer uma adequação à cultura, em particular em ambiente internacional, onde sem esta adequação fica extraordinariamente fácil cometer erros graves que podem criar até incidentes diplomáticos.

O primeiro passo é a consciencialização de que todas as ações carecem de preparação: se para algumas bastarão apenas 5 minutos para nos adequarmos dado o conhecimento que já possuímos, já outras requerem novas aprendizagens. É imperativo respeitar a cultura própria da ação que estamos a desenvolver, as hierarquias empresariais e sociais, a adequação de linguagem própria de um mercado ou indústria, aos hábitos locais e sociais de relacionamento e sobretudo, neste contexto, à forma como se chega a um acordo.

Deixo-vos um livro que muito me ajudou a entender estas dinâmicas: “When Cultures Collide: Leading Across Cultures” by Richard D. Lewis

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Alberto Jorge Ferreira é um gestor executivo de renome internacional, que já liderou a transformação e renovação de empresas em 14 países e nos quatro continentes, sendo especialista na restruturação e transformação digital de organizações com as mais diferentes culturas... Ler Mais