Se ficou sem emprego ou decidiu lançar-se por conta própria é importante descobrir o que torna a sua marca única. Existem muitos livros para o ajudar, mas creio que também pode ser útil ouvir os conselhos de quem passou pela mesma experiência.

O primeiro conselho é não dizer que está desempregado. Diga que é consultor, o termo politicamente correto para descrever desempregados topo de gama. Foi o que fiz quando, depois de ter trabalhado sete anos no gabinete do Primeiro Ministro, ele decidiu não se recandidatar e eu fiquei sem emprego.

Como ao longo daqueles anos muita gente me pedira conselhos sobre protocolo, fui investigando e guardei toda a documentação recolhida sobre essa matéria. Documentação essa que me permitiu poder responder a quem me perguntava “E agora o que estás a fazer?” que agora era consultora de protocolo e imagem. Tranquilizados por eu não lhes pedir emprego, pediam-me um cartão. Como eu ainda não tinha criado a empresa, pedia o cartão deles para lhes mandar a informação completa. E assim comecei a construir a minha base de dados.

É importante conhecer bem a sua potencialidade e o seu objetivo. Em vez de perguntar “quem me poderá dar emprego?”, perguntei: “O que é que aprendi ao longo destes anos que pode ser útil para as empresas?”. Criei então uma empresa de consultoria em meu nome, por acreditar que a experiência como assessora do Primeiro Ministro me conferia credibilidade e conhecimento.

Dei a conhecer os meus serviços escrevendo 50 cartas a 50 CEO’s, propondo-lhes que inscrevessem os colaboradores numa formação única no mercado sobre Protocolo Empresarial, prometendo que quem frequentasse aquele curso melhoraria o desempenho profissional. Para surpresa minha, tive seis inscrições. Na formação seguinte já tive 12 inscrições, na seguinte 30, sempre a crescer graças ao “passa palavra”. O que os outros dizem de nós é fundamental para a nossa reputação.

Para potenciar a marca é preciso também publicar artigos, ser colaborador de revistas especializadas, criar um site. O meu conselho é que aceite todos os convites para publicar mesmo que não lhe paguem nada. Como tinha reunido tanta documentação sobre protocolo decidi escrever o livro “Imagem e Sucesso”[1], que esgotou várias edições e está agora na 9.ª edição, revista e atualizada.

Por outro lado, quando lançamos um projeto, temos de vigiar a concorrência. Em Portugal não tinha ainda concorrência, mas descobri que em Espanha havia muita formação de protocolo a vários níveis. Fui falar a Madrid com os responsáveis da EIP – Escola Internacional de Protocolo, fiz-me assinante da revista que eles publicavam e aceitei a sugestão para participar num Congresso Internacional de Protocolo que iam organizar, onde conheci especialistas de todo o mundo que partilhavam o meu interesse por protocolo.

O networking é fundamental para sabermos “quem é quem” e para nos darmos a conhecer. Quando comecei a ser convidada para ser oradora noutros congressos, fazia questão de assistir a todas as intervenções e colocava questões no final, aproveitando para reforçar os laços com participantes e oradores vindos de todo o mundo.

Outro passo importante é estar certificado. Para obter o CAP (Certificado de Aptidão Profissional) que era exigido para dar formação nos serviços públicos, fiz um curso de formação para formadores.

Quando a crise económica nos atingiu, percebi que ou me distinguia da concorrência, ou me extinguia. A empresa mm+a fez em 2010 um estudo de mercado e concluiu que “a marca Isabel Amaral era já uma referência nacional e internacional no domínio do protocolo e da imagem empresarial”, mas não estava ainda organizada e potenciada em termos de comunicação. Agora, era necessário “comunicar os conceitos de rigor, excelência e profissionalismo que caracterizavam a especialista Isabel Amaral”.

Assim foi criada a “marca pessoal Isabel Amaral centrada na pessoa, mas diferenciada pela organização, transparência e cunho de excelência”. Imprimi estacionário novo, reformulei o site com o design mais dinâmico, acrescentei uma versão em inglês para comunicar evolução e reforçar a notoriedade além-fronteiras.

Um último conselho: A reputação é fundamental pois é o vínculo de confiança que temos de manter com o público. Por isso, todos os formatos digitais devem ser usados de forma estruturada e coerente para incrementar a marca, tendo presente que a gestão da marca não termina nunca.

[1] Imagem e Sucesso, isabel Amaral, Casa das Letras

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Sobre o autor

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Isabel Amaral é Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo desde 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em... Ler Mais