Quando se começa a trabalhar, a melhor maneira de se integrar na empresa ou instituição é começar por observar como se vestem as outras pessoas e adaptar o seu guarda-roupa ao estilo geral. Nessa fase é de evitar chamar muito a atenção para a sua aparência.

Quanto menos os holofotes estiverem focados em si, menos oportunidades haverá de alguém detetar os erros que todos os principiantes cometem. Escolha como modelo uma pessoa que represente aquilo que quer ser no futuro para mostrar subtilmente que é ambicioso.

À medida que a sua carreira avança, e que a sua competência está provada, já pode adaptar o estilo de vestir da empresa à sua personalidade. Se já goza de credibilidade, pode introduzir alguns elementos originais na sua forma de vestir. Aprenda a posicionar-se dentro da empresa, criando a sua marca pessoal. Mas tenha o cuidado de escolher peças favorecedoras para não chamar a atenção para alguma das suas imperfeições corporais. Todos sabemos que riscas na vertical emagrecem e riscas na horizontal fazem-nos parecer mais gordos. Um bom espelho demonstra este facto. Também é sabido que os casacos cruzados com 4 botões podem transformar uma pessoa forte num “armário”. Temos de ter em atenção o nosso corpo antes de adotar o último grito da moda por mais atraente que pareça nas revistas e nos outros.

Como é que se cria um estilo próprio que seja identificador e favorecedor? Lembre-se do Steve Jobs. Vestir-se todo de preto era a sua imagem de marca. Sozinho num palco com uns jeans e uma t-shirt preta fazia com que as pessoas se focassem no discurso e não no orador. Quando adoeceu manteve o traje escuro chamando a atenção para a sua fragilidade e magreza. Mas nunca abdicou de aparecer vestido da mesma maneira. Era a sua marca pessoal. As pessoas, ao ouvirem as suas mensagens, alheavam-se da aparência e concentravam-se no essencial do que estava a ser transmitido.

O mesmo aconteceu com a Chanceler da Alemanha, a senhora Angela Merkel. Antes de ocupar um lugar de destaque mundial, dava pouca importância à aparência exterior. Ao perceber que o vestuário informal, que sempre usara, lhe retirava de forma não verbal a sua autoridade num mundo dominado por homens de fato e gravata, não hesitou em mudar de roupa.

Para não ter de perder muito tempo a escolher e coordenar o que ia vestir em cada dia, optou por um modelo que se transformou num clássico para mulheres executivas: um casaco de cores lisas (os padrões podem engordar), gola em bico e três botões com um top por baixo. Nada mais fácil do que combinar um casaco colorido com calças lisas de tons clássicos. Para se sentir cómoda os sapatos eram de modelo clássico e salto baixo. As cores dos casacos permitiam escolher a imagem que queria transmitir. Por as cores transmitirem mensagens é que nas cimeiras internacionais a maioria das mulheres escolhe o encarnado, a cor do poder desde tempos imemoriais. Além disso chama mais a atenção no meio de um grupo homens vestidos de cinzento ou azul-escuro.

Ninguém dúvida que o vestuário é mensagem. Mas nem toda a gente sabe que a aparência é o componente mais importante da nossa imagem quando pretendemos transmitir eficazmente uma mensagem. Segundo um estudo feito em 1967 pelo professor norte-americano Albert Merhabian, a credibilidade da nossa mensagem depende da nossa coerência, isto é, da convergência dos três componentes da comunicação, os chamados, 3 vês: 7% é verbal, ou seja, o vocabulário utilizado; 38% é vocal, ou seja, o ritmo e o tom da nossa voz; e 55% é visual, ou seja, a roupa, a aparência e a nossa atitude.

Nos últimos anos, assistimos a grandes mudanças no estilo do guarda-roupa profissional em diversos setores. A pandemia mundial ajudou a flexibilizar as regras da aparência no teletrabalho. Uma das peças que parece ter caído em desuso foi a gravata. O mesmo não aconteceu ao casaco, talvez por os ombros direitos transmitirem mais autoridade do que os ombros arredondados de uma camisola. Se quiser diferenciar-se através de uma imagem personalizada, pode agora optar por uma imagem mais formal, fatos completos, com gravata ou sem ela, que favoreçam a sua figura, personalizados por acessórios discretos que sejam de boa qualidade. Um dos acessórios que faz parte integrante da imagem da senhora Christine Lagarde são os lenços ou echarpes. Se preferir, use roupa mais informal mantendo a elegância e o ar profissional

A sua imagem não é só aparência. Outros elementos, como a atitude ou o comportamento, não podem ser descurados. Muitas pessoas regressaram aos escritórios psicologicamente afetados pelo longo afastamento de uma convivência num espaço fechado. Mantenha uma postura assertiva, mas fuja dos conflitos. Torne-se conhecido pela sua preocupação com os outros, pela sua discrição, pela sua simpatia e pela sua cordialidade.

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Sobre o autor

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Isabel Amaral é Presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo desde 2005 e Investigadora do Instituto do Oriente (ISCSP-Universidade de Lisboa), desde 2013. É oradora internacional, empresária, coach executiva, docente em universidades portuguesas e estrangeiras, palestrante e conferencista, em... Ler Mais