Terminei o meu anterior artigo no Link to Leaders expressando a firme convicção de que os portugueses estariam “a descobrir, ou a redescobrir, uma região fantástica, a maior do seu país, que muitas vezes não recebe o devido reconhecimento de quem cá vive”.

Os sinais que tínhamos, ainda numa fase muito inicial do desconfinamento pós-Covid-19, indicavam-nos que a pandemia estaria a levar os portugueses a redescobrir o Centro de Portugal. Hoje, podemos afirmar ainda com mais certeza que os nossos compatriotas – e não só – estão rendidos à qualidade e segurança que esta região lhes oferece em período de férias.

Com efeito, é visível uma fortíssima afluência do mercado nacional aos territórios do Centro de Portugal, em especial aos do interior. Praias fluviais, albufeiras, aldeias do xisto, históricas e de montanha, serras, ecopistas e ecovias, trilhos de walking e cycling… estas são as novas tendências do verão de 2020. E são ofertas turísticas em que o Centro de Portugal é particularmente forte.

É com grande satisfação que verificamos que o interior da região está a registar, em vários indicadores, resultados melhores que nos verões anteriores. Mesmo reduzindo a lotação, por motivos de segurança, de uma forma geral, o volume de negócios cresce. Os quartos e casas são reservados por mais noites, a estadia média sobe e, por isso, o rendimento tende a ser superior. Esta está a ser uma oportunidade histórica para mitigar a dicotomia histórica entre o litoral e o interior.

Nas aldeias do xisto e nas albufeiras, por exemplo, este está já a ser o melhor verão de sempre. Famílias mais alargadas fogem ao turismo massificado e procuram alojamentos que lhes garantam segurança, como se estivessem na sua própria casa. Moradias inteiras, com piscina, são as mais procuradas, assim como pequenos empreendimentos turísticos, onde é fácil reunir as condições de distanciamento desejadas. Esta é uma tendência que já vinha de outros anos e que se intensificou agora.

A pandemia veio valorizar as características que se destacam no Centro de Portugal: o facto de ser uma região onde se respira tranquilidade e paz, com paisagens naturais a perder de vista, onde se podem praticar atividades gratificantes na natureza e onde, simultaneamente, se consegue visitar património mundial, descobrir cultura e tradições ancestrais e degustar uma gastronomia identitária forte e vinhos de qualidade internacional. É, como alegamos há muito, um luxo no século XXI.

É também com grande entusiasmo que assistimos a um esforço por parte dos empresários em descobrir oportunidades na crise. Na economia, como na biologia, aqueles que sobrevivem são os que têm capacidade de se adaptar às circunstâncias, em tempos difíceis. São os mais criativos e os que veem mais além, aqueles que conseguem criar novos produtos turísticos com os recursos existentes.

Os turistas que, em virtude das circunstâncias, encontraram no Centro de Portugal um refúgio seguro neste verão, não podem deixar de se sentir agradados com a excelência da oferta que esta região lhes oferece. Mercê da criatividade dos seus empresários, o Centro é hoje um território com uma multiplicidade de experiências disponíveis e que semeia em que o visita a vontade de regressar uma e outra vez, ano após ano, com ou sem pandemia.

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Pedro Machado é Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal desde 2013. Doutorado em Turismo, pela Universidade de Aveiro, é Mestre em Ciências de Educação, na Área de Especialização - Psicologia Educacional, pela Faculdade de Psicologia e... Ler Mais