Quebra nas vendas, problemas de liquidez e dificuldade de pagamentos dos salários, são algumas as consequências previstas pelas empresas associadas da CCIP devido à crise do coronavírus.

A Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) realizou um inquérito junto dos seus associados sobre o impacto do coronavírus na sua atividade empresarial e chegou a algumas conclusões preocupantes.

O inquérito envolveu 161 empresas, de diversos setores de atividade  (comércio,16,2%, indústria, 18,6%, e serviços, 65,%), entre 18 e 22 de março, e os dados apurados revelam que mais de 68% das empresas inquiridas sentem um impacto negativo ao nível das vendas no mercado nacional e que 57,7% prevê que este ano, o declínio das vendas possa ser superior a 20%.  No caso das microempresas, os números são ainda mais elevados já que 72,4% estimam uma quebra de 20% nas vendas.

Perante este contexto, as empresas associadas da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa solicitam a implementação de algumas medidas ao mesmo tempo que destacam a importância das empresas públicas e do Estado pagarem a horas. Isto porque, a apesar dos tempos médios de pagamento em Portugal terem vindo a diminuir, o Estado demora em média 75 dias a pagar a fornecedores, quando a média europeia é de 42 dias, segundo o European Payement Report 2019.

A diminuição da procura (78,8%), problemas de tesouraria (55,9%), quebra na produção (35,4%), restrições de viagens (36,6%) e cancelamento de feiras (34,1%), foram identificados como os fatores que podem vir a prejudicar mais a atividade das empresas. Por outro lado, o inquérito da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa refere também que as empresas também estão preocupadas com a falta de liquidez. 23,1% dos inquiridos afirmou que não consegue resistir mais de 30 dias sem receber um apoio para as necessidades de tesouraria; 30% refere ainda não estar em condições de cumprir com as obrigações salariais e fiscais de março e abril.

De acordo com o presidente da Câmara de Comércio, o “nosso tecido empresarial, constituído, essencialmente, por pequenas e médias empresas necessita de medidas que travem a sua asfixia financeira, por isso é fundamental: a isenção de pagamento de alguns impostos e segurança social; a concessão de empréstimos a fundo perdido ou mesmo a criação de um programa cheque empresa”. Bruno Bobone, ressalta ainda o facto de ser “fundamental aumentar as linhas de crédito à medida que o tempo for passando e garantir a sua verdadeira flexibilização”.

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