As Relações Públicas (RP’S) foram provavelmente a área do setor do Marketing e da Comunicação que mais mudanças sofreu nas últimas décadas devido a vários fatores como mudanças nas metodologias de trabalho com a crise económica no setor da comunicação.

Em primeiro lugar, as mudanças de metodologias de trabalho foram muitas vezes associadas à rápidas mudanças nas tecnologias de comunicação e informação relacionadas com o aumento do uso das redes sociais e de plataformas de comunicação na web gratuitas e cada vez mais intuitivas e fáceis de utilizar. Isto levou à opinião generalizada de que a comunicação não necessita de estratégia.

Em segundo lugar, académicos e profissionais concordam que desde os primórdios da humanidade que as Relações Públicas têm vindo a adaptar-se e a reinventar-se à medida da evolução humana, o que significa que mais uma vez se adaptaram a esta nova realidade, mas mantendo o planeamento estratégico característico desta área da comunicação.

Segundo alguns académicos, as Relações Públicas modernas poderão ter origem nos EUA com Ivy Lee e Edward Bernay, apesar de em Portugal existirem registos no tempo D. Manuel I (sec. XV), onde é possível encontrar conceito semelhante ao das RP no Regimento da Casa das Índias e da Mina (Soares, 2011). Mais recentemente as Relações Públicas dinamizaram-se na Europa e por consequência em Portugal após a segunda Guerra Mundial.

Paralelamente, é importante mencionar a definição das Relações Públicas, que atualmente menciona que as “Relações públicas é um processo de comunicação estratégica que constrói relacionamentos mutuamente benéficos entre as organizações e seus públicos” (Public Relations Society of America -PRSA).

As Relações Públicas do Seculo XXI englobam uma série de outras áreas como Comunicação de Marketing e/ou Comunicação Integrada de Marketing, Comunicação Corporativa, Comunicação de crise, Comunicação interna, Relações com Investidores, Assessoria Mediática, Gestão de conteúdos, Organização de Eventos, Gestão da Informação das Redes Sociais e Gestão de Reputação.

Todas estas funções das RP’s têm como objetivo envolver, construir uma relação com os stakeholders da instituição para que de seguida se possa analisar e perceber o feedback das ações de comunicação, ou seja, se os resultados estarão de acordo com os objetivos do assunto comunicado. É uma ferramenta forte pois tem o poder, ao comunicar diretamente com os diferentes públicos e com técnicas específicas direcionadas para cada grupo, de mudar consciências, atitudes, comportamentos. Os resultados são de forma global muito positivos.

Na minha opinião, de tudo o que mencionei saliento que o mais importante é o planeamento estratégico das ações de comunicação a realizar de forma contínua. O segredo está na gestão da comunicação que implica selecionar as datas mais adequadas associados às melhores técnicas de comunicação dirigidas para cada público.

Quando comecei a trabalhar em 1997, na época no Grupo GCI, as funções e os objetivos eram os mesmos que existem hoje em dia. No entanto, na época as tecnologias de comunicação estavam no início no mercado português. Nas últimas duas décadas as tecnologias de informação e de comunicação evoluíram e foram sendo adotadas por todos – o que provocou uma grande mudança na forma de trabalhar as Relações Públicas. Longe estão os tempos em que o comunicado de imprensa era enviado por CTT ou por fax.

Atualmente, as instituições públicas e privadas continuam a necessitar de comunicar com os seus públicos e de perceber o seu feedback. As Relações Públicas continuam a fazer o que faziam, mas integraram as tecnologias na gestão estratégica da comunicação, com o objetivo de fazer chegar as mensagens chave aos públicos. Na realidade, os públicos de muitas empresas têm idades e formas de estar diferentes e, se estamos a comunicar para seniores, a estratégia a utilizar provavelmente serão os canais mais clássicos, mas se estamos a comunicar para jovens os canais estarão relacionados com as redes sociais e canais no YouTube e outras plataformas que lhe serão mais atrativas, incluindo os influenciadores digitais.

Do meu ponto de vista, as Relações Públicas continuam a fazer o que sempre fizeram, mas alargando os canais de comunicação, isto é, continuam a realizar assessoria mediática, ao realizarem a gestão dos contactos com os órgãos de comunicação social, a elaboração da estratégia da informação colocada nos websites institucionais das empresas e das marcas, a gestão da comunicação realizada com os influenciadores digitais, a gestão da informação disponibilizada nas diferentes redes sociais das instituições, bem como todos os planos de comunicação estratégica que envolvem a organização de eventos indoor e outdoor e nestes últimos dois anos os eventos tornaram-se online devido ao confinamento.

Em suma, as mudanças têm sido efetuadas e integradas nos planos de comunicação estratégicos com sucesso! O futuro irá com certeza trazer novidades para esta área que serão naturalmente, e tal como têm vindo a acompanhar a evolução da sociedade, integradas com sucesso.

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Coordenadora do Mestrado em Marketing e da Pós-graduação em Gestão de Marketing, bem como docente e investigadora nas áreas de Marketing e Comunicação no ISG -Business & Economics School. Docente universitária há mais de vinte anos, foi Coordenadora de Licenciatura e de Mestrado na área da Comunicação no Instituto Superior de Novas Profissões de 2015 a 2019.  Adicionalmente é sócia da Associação Portuguesa de Marketing (APPM) e da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM).

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