Opinião

As relações humanas na vida das empresas

Sónia Jerónimo, CEO da Growin

Hoje vou escrever sobre uma obra que recomendo a sua leitura. Se puder, até o faça pelo menos uma vez por ano. Trata-se da obra de Dale Carnegie  – “ Como fazer amigos e influenciar pessoas”. Warren Buffet disse sobre esta obra – “ Mudou a minha vida.”

Muitas vezes lemos estes comentários, lemos as obras, mas ficou a “saber a pouco”, mas esta obra em particular, é merecedora deste comentário. Para mim, a melhor obra que já li até hoje.

Uma das partes que mais me apaixonou nesta obra foi o seu predominante ensinamento sobre o princípio das relações humanas. Elas são a base da nossa vivência quotidiana. Seja em casa, na família, com amigos, conhecidos e com particular destaque nas empresas e, portanto, no nosso trabalho, dado que mais de 80% do nosso tempo é passado com os nossos colegas.

Dou particular destaque nesta obra ao tema “saber lidar com as pessoas”. Parece básico na sua essência (e até é), porque o fazemos todos os dias, mas acreditem que grande parte de nós não o consegue com sucesso para si e para os outros.

Da minha experiência pessoal, muitas vezes não o fazemos com sucesso, não por falta de experiência, mas porque temos uma enorme falta de humildade aditivada em muitas situações por alguma arrogância. Quem perceber que a base da liderança construtiva está assente em relações humanas igualmente construtivas, será um grande influenciador e inspirador para todos.

Umas das frases que Carnegie escreve e que descreve na íntegra o que refiro acima, é “se queres colher mel, não dês pontapés nas colmeias”.

Pela minha experiência própria, e acreditem, aprendi muitas vezes da pior forma, a nossa primeira reação nas relações humanas é criticar, quase sempre de forma negativa. Se recuarmos no tempo, começa logo na infância e nunca mais para (infelizmente). Somos criticados e criticamos a todo o momento e nem nos apercebemos muitas vezes.

Criticar, para além de castrar a nossa criatividade desde a nossa infância, impede desde logo ter um raciocínio crítico construtivo em relação a novas soluções ou caminhos para a resolução de problemas ou ter novas ideias e ajudarmos os outros, coloca-nos logo na defensiva, lutando incansavelmente para nos justificarmos. Arranjar justificação, não é encontrar soluções ou ajudar, é arranjar desculpas para si e para os outros. Inibe soluções criativas. Destrói a nossa autoestima e pior –  desperta ressentimentos ferozes, resultando em relações humanas fracas, pobres de sentimentos, desmotivantes e sem qualquer valor, destruindo equipas e empresas.

Imagina o que isto faz aos seus amigos e familiares? E aos seus colaboradores? No contexto empresarial, a critica negativa e destrutiva faz nascer no seio das equipas, insegurança psicológica, medos constantes de ser criticado e julgado. Desmotivação e consequência saída da organização.

Um exemplo. Imagine um colaborador que pretende ser “team leader”. Você sabe que ele ainda não tem todas as competências e maturidade para o ser. Quando ele o abordar e disser “quero ser team leader”, não critique, não lhe diga que sabes isto ou aquilo. Não tens maturidade. Tente percebê-lo. Porque queres ser team leader? Como podemos trabalhar juntos para seres um team-leader? Que competências devemos melhorar para chegares lá e construirmos em conjunto esse plano?

Como escreve Carnegie, e muito bem, “As críticas são como pombos-correios. Voltam sempre para casa!” Nunca se esqueça disto!

O conselho final que deixo sobre as relações humanas e como elas influenciam a liderança das equipas e empresas e que Carnegie nos deixa – “Não critique, não condene, não se queixe. Ao invés de as criticar, julgar ou condenar, vamos tentar percebê-las!”

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Sónia Jerónimo

Sónia Jerónimo

Sónia Jerónimo é atualmente CEO Modern Art Studio | Contemporary Art. . Anteriormente foi Startup Builder EmpowHER®, cofundadora da GO IT Concept & Ambassador na Fábric@ Empreendedorismo do Município de Seia, foi Entrepreneur & Board Advisor e passou pela Winning, como COO e Board Advisory. Tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo académico como professora nas áreas... Ler Mais..

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