A maturidade digital e tecnológica das nossas empresas afigura-se à partida positiva, embora com bastante espaço para melhorar, nomeadamente na criação de sites com capacidade para fazer compras ou reservas online, na utilização da internet móvel e da internet no local de trabalho, como manifestação descentralizada e quotidiana da maturidade digital das empresas.

Apesar de Portugal se situar acima da média europeia na partilha de informação digital entre diferentes unidades funcionais da empresa (sistemas ERP), noutras soluções digitais o país ainda está atrás da média da União Europeia. É o caso da utilização nas empresas portuguesas, de softwares de Customer Relationship Management (gestão de relações de clientes), comparativamente ao nível europeu. No entanto, no que se refere ao uso da identificação por radiofrequência no processo de produção ou prestação de serviços, Portugal está acima da média europeia ao integrar esta tecnologia no seu processo produtivo.

Apesar da maioria dos postos de trabalho usarem computadores, o trabalho em Portugal ainda é, para muitos trabalhadores, distanciado do mundo digital. Portugal está igualmente atrasado no uso da internet no local de trabalho. Hoje em dia os negócios fazem-se em todo o lado e não apenas nos escritórios das empresas. Como tal, a internet móvel e a capacidade de estar ligado à rede para lá das quatro paredes do escritório é um elemento de capacitação tecnológico e de recursos humanos importante para a maturidade digital de uma empresa.

Portugal continua ainda atrasado no uso da internet móvel para as suas várias funcionalidades, com maiores atrasos relativos na utilização de software de gestão e no acesso e modificação de documentos da empresa. Estas funcionalidades complexas ainda são pouco utilizadas pelos portugueses, sendo que a funcionalidade onde os portugueses têm menor atraso relativo é no acesso ao correio eletrónico.

As empresas portuguesas têm acesso a banda larga mais rápida que a média europeia. Esta situação deve-se, em parte, às excelentes infraestruturas que o país desenvolveu e em que investiu ao longo da última década, e que permitem às organizações terem mais facilmente acesso a conetividades mais rápidas.

As empresas portuguesas também têm menos websites do que a média da União Europeia, e estes websites têm menos funcionalidades. Em termos médios na União Europeia os sites têm mecanismos de encomenda ou de reserva online, superiores aos existentes no nosso país, assim como website com página de recrutamento. No entanto, de acordo com os últimos dados disponíveis, a mesma percentagem dos sites das empresas portuguesas e europeias apresentam catálogo e preçário dos seus produtos; rastreio das encomendas; submissão eletrónica de reclamações; e certificações de segurança e privacidade. Tal evidência vem justificar que alguns dos receios dos portugueses em relação ao acesso e uso dos websites das empresas para compras online se devem à falta de conhecimento dos portugueses acerca destas funcionalidades e não a existência de deficiências nos sítios das empresas.

De acordo com o Eurostat, de entre os obstáculos ao comércio eletrónico relatados pelos empresários que não vendem através do seu website, o enquadramento normativo português e a cibersegurança e proteção de dados são menos identificados como obstáculos em Portugal do que na média da União Europeia.

Por outro lado, os empresários portugueses consideram mais frequentemente o seu produto como desadequado à comercialização eletrónica do que a média dos empresários europeus. Este problema é especialmente relevante quanto maior for a empresa. Apesar das médias e grandes empresas portuguesas terem uma facilidade relativa face às suas congéneres europeias no pagamento, as pequenas empresas portuguesas ainda não disfrutam desta vantagem competitiva. Ainda assim, as empresas portuguesas que não vendem online identificam muito menos obstáculos para a comercialização online do que as suas congéneres europeias.

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Sobre o autor

Paulo Doce Moura

Paulo Doce de Moura exerce funções no Banco Carregosa e foi diretor do BNP Paribas Personal Finance. Estudou Relações Internacionais-Económicas e Políticas, na Universidade do Minho e Direção Geral de Empresas no Programa Avançado de Gestão para Executivos na Universidade... Ler Mais