“Ao longo da minha carreira tenho-me cruzado com várias pessoas que me marcaram de forma significativa: Pela sua maneira de estar diferenciada. Pela sua atitude, determinação, generosidade e energia contagiante. Pela marca indelével que deixam nas pessoas e nas organizações por onde passam.”

Ao longo da minha carreira tenho tido a oportunidade e o grato privilégio de me cruzar, amiúde e por períodos mais breves ou prolongados, com várias pessoas que me marcaram de forma significativa, especificamente pela sua maneira de estar diferenciada.

Pessoas determinadas e com uma atitude exemplar, sempre prontas para um esforço extra, quando aquela análise, projeto ou relatório precisa mesmo de ser concluído.

Pessoas generosas e com um apurado sentido de altruísmo, consubstanciado na permanente disponibilidade para ajudar os outros, muitas vezes em prejuízo dos seus próprios interesses.

Pessoas bondosas e que emanam uma energia aparentemente inesgotável e incrivelmente positiva, como se para elas não houvesse dias maus – mesmo sabendo que também os têm!

Pessoas cujo sorriso nos lábios revela-se um saudável hábito quotidiano, um poderoso catalisador de alegria e bem-estar para aqueles que as rodeiam.

Pessoas que parecem ter uma espécie de dom ou aptidão natural para antecipar aqueles momentos em que os seus colegas mais precisam de uma palavra ou gesto de conforto.

Pessoas que têm uma capacidade incomum para nos contagiar positivamente, fazendo-nos acreditar (ainda) mais em nós próprios, que nos ajudam a levantar a cabeça quando esta possa estar mais cabisbaixa, ou, recorrendo a um lugar comum, que continuam a ver o “copo meio cheio” mesmo quando, por vezes, tendemos a vê-lo “meio vazio”.

Pessoas que, num registo mais romântico, parecem ter como que o condão de nos fazer relembrar aquele tão aconchegante, único e inesquecível sentimento maternal.

Enfim, pessoas com quem gostamos verdadeiramente de estar e de trabalhar e cujo relacionamento acaba, não raramente, por extravasar o âmbito profissional, alargando-se também à esfera pessoal.

Lembrei-me, de forma espontânea, de nomear a Maria Júlia (ela sabe quem é) para o título deste texto, pese embora o período assim não tão prolongado em que convivemos profissionalmente (o que, diga-se, realça ainda mais a sua marcante maneira de estar), mas várias outras pessoas (mais ou menos jovens, homens ou mulheres, diretores ou assistentes) ali poderiam igualmente constar.

Ora, as organizações empresariais, ou de outra natureza, são constituídas por um conjunto, maior ou menor, de pessoas, que trabalham (ou deveriam trabalhar) em prol de um objetivo comum. Essas organizações tendem, naturalmente, a refletir, de uma forma mais ou menos vincada, as características e os excessos ou insuficiências da própria sociedade (ou ecossistema) onde se inserem.

Uma sociedade que, como sabemos, continua a ser manifestamente desigual, a vários níveis, e que é composta por pessoas de diferentes géneros, idades, raças, religiões, culturas ou estratos económicos ou sociais. Gente diferente entre si e com maneiras de estar naturalmente diferentes.

Ainda que as organizações estejam expostas a eventos e forças exógenas (de natureza económica, regulatória ou de mercado, entre outras), não controláveis per si, não deixam de ser endogenamente gerenciáveis, por mais complexas que sejam as suas dinâmicas de gestão, por via dos seus hábitos, processos, procedimentos e afins – ou seja, à panóplia de coisas, tangíveis e intangíveis, que habitualmente chamamos de cultura organizacional.

Ora, essa cultura é, a meu ver, significativa e positivamente impactada por pessoas com o perfil e a maneira de estar a que aludo neste texto, que podem, efetivamente, constituir uma importante alavanca nas dinâmicas de gestão e liderança organizacional. Tão mais relevante quanto maior a sua abrangência e senioridade hierárquica.

É por isso mesmo que pelas várias organizações por onde tenho passado ao longo do meu trajeto profissional, em diferentes contextos, setores e países, além da aprendizagem e experiência que por lá fui adquirindo, são essas ditas pessoas que permanecem, invariavelmente, na minha memória e que recordo com saudade. Pela marca indelével que deixam nas pessoas com quem se cruzam, assim como nas organizações por onde passam.

E você, caro leitor, já se cruzou com muitas “Marias Júlias” na sua carreira e nas organizações por onde passou?

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Sobre o autor

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Tiago Rodrigues conta com mais de dez anos em funções de gestão e administração em empresas de energia, infraestrutura, turismo e imobiliário e oito anos como consultor, tendo experiência de vida, profissional e académica em Portugal, Brasil, Reino Unido e... Ler Mais