Com a Expo 98 em Lisboa, que não visitei por estar a trabalhar nesse verão, surgiram um pouco por todo o país vários locais de exposições cuja designação começava por “Expo….”, parques de exibições de empresas, uns privados outros de gestão pública, mais ou menos temporários, mas o certo é que a moda pegou.

Além da natural revitalização urbana de Lisboa de um espaço, houve um “contágio” do país, que ajudou a criar oportunidades de negócio. Recordo-me que, na altura, tudo quanto era moderno era “Expo…”. Como todas as tendências, teve o seu momento alto e o seu ocaso. Permanecem hoje resilientes alguns destes parques de exposições locais.

Hoje vivemos o tempo dos “Summit’s”, o mais conhecido e maior o WebSummit e o efeito que o empreendedorismo e todo o seu léxico introduziram na realidade de jovens empresas. O chamado Ecossistema Empreendedor, reuniões, encontros, “Summit’s” ou “Meetups”, com metodologias que todos conhecemos.
Hoje estes eventos escalam, como todas as jovens empresas desejariam, transformam-se em si próprios em negócios interessantes, mas tal como as Expo’s esta realidade continuará, mas no essencial, contam as pessoas, as redes e as relações, porque os negócios e investimentos, pese embora toda a tecnologia de suporte, no final são pessoas. E nisso há uma coisa em que nós portugueses somos muito fortes, temos referências mediáticas globais muito fortes, uma história grandiosa e quase “espontaneamente” nos tornamos poliglotas!

No futuro haverá novas “Expo’s” e novos “Summit’s” mas onde todos temos de investir mais é na #PortugueseMafia (rede informal de portugueses na diáspora), que já existe, por exemplo na Califórnia. Em São Francisco tive a oportunidade de testemunhar a apresentação pública, em 2015, da WesttoWest com uma palestra fenomenal de um dos portugueses com quem mais aprendi, o Nuno Gonçalves Pedro, sobre “Mitos de Sillicon Valley”. Uma aprendizagem incrível que ajudou muitos dos que estávamos presentes a encarar aquela realidade com mais e melhor preparação. Ainda por cima onde a FeedZai, Talkdesk ou Veniam, por exemplo, são aquele “track-record” de excelência.

No entanto, estas redes informais não podem ser um “peditório de favores”, em que se viaja de Portugal à espera de “Via Verde” à custa do trabalho daqueles que antes já trilharam caminhos complexos e exigentes. Daí a necessidade de haver rede no destino, mas, sobretudo, de melhorarmos os processos de transição, em que nos preparamos melhor antes de partir, por forma a facilitar o trabalho de quem nos pode e quer apoiar. Estas redes de referência serão fundamentais, porque com o mercado encharcado de eventos (em crescendo), tudo se resume a “quem conhecemos”, o “nosso trabalho”, “credibilidade”, “métricas” e muita humildade para acolher as críticas como ferramentas de melhoria.

Esta #PortugueseMafia (ou rede informal de referência entre empresários e empreendedores) demorará a criar raízes, mas já existe em muitos locais, há que aprofundar e gerar processos que melhorem as fases de preparação e transição, para que o processo seja mais fácil no mercado de destino.

Nestes processos de referências abrem-se portas, ninguém faz o trabalho por nós, e, sobretudo, quanto melhor preparados e confiantes estivermos, mais fácil será para o facilitador português gerar eventuais oportunidades, bem como depois sermos efetivamente capazes de potenciar ao máximo as oportunidades.

Esta #PortugueseMafia já existe temos é de lhe dar mais corpo, porque temos rede em todo o mundo, e aproveitar não de forma oportunista, mas como sinónimo de trabalho e genuína vontade de querer mais (negócio e aprendizagem)!

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Alexandre Pinto iniciou a sua carreira académica pela História, vida que abandonou para se dedicar ao empreendedorismo! Teve a oportunidade de liderar alguns projetos e ser cofundador de start-ups, com as quais em diferentes momentos angariou capital de risco de... Ler Mais