Nos últimos tempos, tem-se falado muito sobre empreendedorismo, empresários, do valor que as start-ups acrescentam à economia, como essas mesmas start-ups se tornam unicórnios. Em Portugal foram várias as empresas que saltaram para a ribalta ao captar investimento, que as deixou avaliadas em mais de mil milhões de dólares, ganhando o estatuto de “unicórnio”.

Há alguns dias, Lisboa anunciou a chegada de uma fábrica da Unicórnios, com o objetivo de promover o crescimento económico e a inovação. Lendo desta forma, parece que estamos a falar de uma linha de montagem, mas a verdade é que são homens e mulheres que um dia, tal como eu, quiseram ver, sentir e concretizar o que é desenvolver no terreno um plano de negócios tantas vezes concebido para outros. Sentir o que é ver nascer a própria empresa, tantas vezes idealizada na nossa cabeça.

Num arranque onde a estratégia e o desenvolvimento partem literalmente do zero e onde o processo muitas vezes, se não na maioria das vezes, se cruza com mudanças também na vida familiar – por exemplo a chegada de um filho – ser mulher e empreendedora pode ser traduzido por desafio constante e que muda à medida que crescemos. Para chegar aqui, o caminho pode ser longo e envolver a superação de obstáculos, muitos deles nascidos dos nossos próprios medos internos e não de fatores externos.

O meu projeto é na área da tecnologia, um campo maioritariamente dominada por homens. Quantas vezes o meu obstáculo não esteve no estereótipo que tinha criado na minha cabeça, e que ditava que a imagem de empreendedor tecnológico era a do típico rapaz de 20 anos obcecado por uma ideia? Muitas! Não me imaginava como mãe e empreendedora na área da tecnológica. Mas, muitos mitos foram derrubados quando entrei no mundo das empresas e particularmente quando fui cofundadora da Tiko.

Considero-me sortuda pela formação e experiências profissionais a que tive acesso. Enfrentei alguns desafios, mas a desigualdade de género no mundo do trabalho não foi um deles. Sem ir mais longe, fui contratada para lançar a Jobandtalent no México alguns meses depois de dar à luz o meu primeiro filho. Então porque não apostar no meu sonho? Afinal, a oportunidade para digitalizar o setor imobiliário espanhol era concreta.

Ser empreendedora e acima de tudo empreendedora na área da tecnologia é gratificante. É sentir que estou a contribuir para mudar uma tendência. É sentir que estou a ser parte da mudança.

Portugal ocupa a sexta posição do ranking dos países com maior percentagem de mulheres empresárias, estando à frente de países como Espanha, Itália ou Irlanda. Por isso, o caminho já foi desbravado. Hoje, Dia Mundial do Empreendedorismo, só posso aconselhar (e perdoem-me por ser tão ousada) todos os jovens, e em particular as mulheres, a não levantarem barreiras, a lutarem pelo seu crescimento e a rodearem-se de pessoas com quem possam aprender.

Tal como eu, ponho de lado o medo de concretizar aquele projeto que está há muito desenho na sua cabeça. Não crie barreiras internas, vá em frente e experimente!

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