Opinião
Aprenda da Índia como fomentar start-ups
Foram postas em prática algumas medidas de apoio para quem se quer lançar nas start-ups, como é o caso da Startup India Initiative, que proporciona uma ajuda ampla de tipo financeiro, legislativo e infraestrutural.
Há um fundo para capital-semente, para prova do conceito e para os primeiros estádios de desenvolvimento do protótipo; o Fundo dos Fundos para crescimento e formação de Venture-Capital; e o esquema de Garantia de Crédito para o crescimento futuro. Mas, o que conta sobremaneira é a iniciativa individual, a paixão por fazer das ideias um sucesso e ser dono da futura empresa, criando muitos empregos. Em finais de 2025 havia, reconhecidas na Índia 159,000 start-ups, quando dez anos antes mal haveria 500, o que significa vencer toda a inércia para avançar com ideias próprias e dar-lhes vida para se tirar um bom rendimento, criando riqueza e postos de trabalho.
Uma start-up depressa feita unicórnio é a Lenskart. Não podia ser de outra forma, pois todas as lojas de ótica sempre pareciam dirigir-se ao estrato rico da sociedade. E aparece então a Lenskart, a agitar o sistema e muito depressa chegou à valorização de $1.000 milhões.
Foi criada em 2008, como Valyoo Technologies Private Limited e começou com operações online em 2010. Os fundadores, Peyush Bansal, Amit Chaudhary, Sumit Kapahi e Neha Bansal, pensaram inicialmente responder à falta de óculos de qualidade a preços acessíveis. Começaram com um portal online antes de abrir a sua primeira loja em Delhi, em 2013. Nos finais de 2025, a sua meta era ser valorizada em US$ 8.400 milhões.
Quando ouvi falar dela, fui experimentá-la pessoalmente. E concluí depressa que faria uma pequena revolução nos preços praticados no setor. Ao escolher a minha armação e se ter avaliado o tipo de lentes desejadas, com as respectivas graduações, disseram-me o custo total. E sugeriram-me a possibilidade de ser associado, mediante o pagamento de uma certa quantia, insignificante.
Eu perguntei qual o interesse: disseram-me que poderia escolher outra armação para um segundo par de óculos com a mesma graduação que eu comprara, sem pagar nada mais. Brevemente, feitas as contas, eu recebia dois pares de óculos pelo preço de um só. Achei interessante e fiquei pensando que se os processos de fabricação das lentes são de base eletrónica, o segundo par de lentes teria um custo marginal insignificante; além disso a armação era o que custava menos em comparação com as lentes progressivas que eu usava. E como eles faziam milhões de armações, o seu custo unitário também seria irrisório
Uma dúvida surgiu: para que quero dois pares de óculos? Pensei depois que faz sentido ter dois pares. Não é raro deixar os óculos na cadeira e distraidamente ir sentar-me sobre eles, esmagando-os. Aceitei a oferta, feliz, pela possibilidade de durante temporadas alternar uns pares com os outros.
Pensei que a Lenskart teria um forte impacte nas outras lojas de ótica, pois todos os clientes quereriam ter logo dois pares. E daí para a frente verifiquei que gradualmente as outras lojas de ótica de Mumbai faziam os seus ajustamentos: “Compre um par e oferecemos outro”, para não ficarem atrás da Lenskart .
É sem dúvida uma boa revolução de preços!
As lojas Lenskart são relativamente pequenas, com uma diminuta câmara escura para fazer as medições e verificar as graduações das lentes; e o corpo da loja tem uma exposição de variados tipos de armações, com algumas marcas próprias.
Possui hoje um total de 3100 lojas, das quais 2350 na Índia e as restantes no Japão, no Sudeste Asiático e nos países do Golfo. Fabrica cerca de 20 milhões de armações, principalmente em Biwandi (Rajhastan, Índia), para além da capacidade de fabricar até 50 milhões de lentes, também em Biwandi. No último ano fabricou 4,06 milhões de lentes.
Como é que a Índia deu um grande salto em start-ups e unicórnios, como referi no início? Nas 159.000 havia 135 unicórnios e a valoração conjunta deles era cerca de 350.000 milhões de dólares..
Há um ambiente propício e estimulante, nas dezenas de Super Faculdades da Índia, para que surjam ideias abundantes e variadas, que depressa são levadas à prática, com diferentes graus de avanços nos processos e na transformação, com registo de patentes pelo caminho. E apoios da Start-up Initiative, claro está.
Em cada ano graduam-se 10 milhões nas universidades indianas, dos quais 1,5 milhões são engenheiros, muitos formados nas instituições super seletivas, afamadas em todo o mundo, nomeadamente nas maiores empresas tecnológicas dos EUA, que recrutaram muitos e que hoje ocupam posições de grande destaque.








