Os sonhos, e os pesadelos, que podem estar associados ao facto de pedir aos amigos e familiares para ajudarem a financiar sua start-up são inúmeros. Mas se o dinheiro for devidamente gerido pode ser uma solução para iniciar um empreendimento.

Os sistemas de gestão de financiamento online tornaram popular e conveniente para os empreendedores pedir e recolher fundos para as suas start-ups junto de familiares e amigos. Aliás, são muitos os exemplos de start-ups bem-sucedidas que tiveram o seu impulso inicial com a ajuda de parentes e amigos benevolentes, seja através da utilização de plataformas como a Kickstarter ou a GoFundMe ou solicitando diretamente o financiamento a esse grupo de pessoas próximas.

No entanto, esta forma de financiamento não é isenta de riscos, que podem estar relacionados quer com a natureza pessoal da relação, quer com o próprio negócio. Por isso, é necessário ponderar cuidadosamente os riscos e os benefícios de enveredar por essa opção, até porque as start-ups são um tipo de negócio com um elevado grau de imponderabilidade. Em muitos casos, só depois de obtidos os fundos é que são desenvolvidos os protótipos ou realizados testes de mercado, ou seja o negócio ainda não está ativo.

Um fundador vê o projeto como um empreendimento, não uma garantia. Porém, os parentes ou amigos, que não são especialistas neste tipo de empreendimentos, podem não entender o risco que estão a assumir ao investir na start-up. Motivo mais que suficiente para explicar detalhada e pormenorizadamente que o dinheiro que estão a colocar no projeto pode nunca ser recuperado e que, no limite, pode pôr em causa o seu futuro financeiro.

Essas pessoas podem estar motivadas pela ideia de lucro, ou simplesmente pelo amor ou confiança que têm no empreendedor. Porém, se o projeto correr mal, a emoção pode falar mais alto que a razão  – e mesmo tendo explicado intensivamente os riscos envolvidos – só se irão lembrar do montante que investiram e que não recuperaram. Mesmo que o fundador da start-up pergunte de onde vem o dinheiro, é provável que oiça um “não se preocupe com isso”. É por isso que fundador deve estabelecer um limite para não perder amigos durante o processo.

Contudo, existem formas de conseguir obter financiamento de amigos e familiares sem que ninguém se comprometa demasiado. O Business.com, por exemplo, avança com algumas sugestões:

Estabelecer limites: O fundador da start-up deve definir um limite para qualquer investidor individual que não seja profissional. Por exemplo, não deverá permitir que uma pessoa invista mais de 1000 euros no projeto. Isto ajuda a evitar doações magnânimas de amigos e familiares que podem não ser capazes de as suportar.

Transparência no process: Todas as contribuições devem ser oficializadas sejam 25 ou 500 euros. Tornar os financiamentos oficiais obriga ao estabelecimento de contratos e, como tal, deve recorrer a um advogado ou procurar online as minutas dos documentos onde são descritos todos os fundos recebidos para o início da start-up, assim como detalhes sobre juros, reembolso, etc.

Preparar uma descrição do projeto: Quando o empreendedor prepara um resumo escrito do projeto, pode entregá-lo a qualquer pessoa que esteja interessado em investir na start-up. Esse resumo garante que todos os potenciais investidores recebem as mesmas informações e mostra que o fundador está aberto a esclarecer todos os detalhes da empresa bem como os riscos envolvidos.

Mesmo tomando todas estas precauções, o fundador de uma start-up deve ser capaz de pensar, de forma criativa, em encontrar meios alternativos de financiamento e ao invés de arriscar os relacionamentos pessoais no financiamento do projeto.

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