A Era dos diretores de recursos humanos nas administrações das empresas – Os desafios da sustentabilidade empresarial (ESG) e da revolução digital como oportunidades de progressão de carreira.

O crescente impacto das diferentes tecnologias nas relações de trabalho associado ao incontornável processo de implementação de práticas e métricas ESG – Environmental, Social and Governance (ambiente, social e governação empresarial) que assegurem a sustentabilidade das empresas, mais do que desafios constituem oportunidades históricas de afirmação dos diretores de recursos humanos nas empresas.

As novas tecnologias, a robotização, as plataformas digitais on demand, algoritmos, a inteligência artificial, o 3D printing, o tratamento de dados em larga escala, people analytics e a gamificação, são hoje manifestações incontornáveis da revolução digital em curso, a qual  não se confina apenas aos setores e empresas tradicionalmente conexas com as tecnologias de informação e comunicação e/ou ao trabalho em plataformas digitais, abrangendo antes, com maior ou menor alcance, todas as empresas. Trata-se de um fenómeno transversal que extravasando a esfera das relações laborais a perpassa e condiciona.

A eficiência, a otimização de recursos, a digitalização de meios e o espartilhamento de tarefas de produção muitas vezes identificados como características estruturantes da economia digital, impactam diretamente nos resultados das empresas e também nos modelos de trabalho. Na verdade, e inversamente ao que muitas vezes é sustentado, a revolução digital não é dissociável da valorização do elemento humano enquanto fator de produção.

A capacidade de ajustamento dos colaboradores das empresas às novas tecnologias, quer no que concerne à requalificação, quer também no que concerne à adoção de novos modelos de prestação de trabalho será crucial para o sucesso das empresas. É precisamente pela relevância para o negócio das empresas das tarefas de ajustamento e de reconfiguração da atividade laboral dos colaboradores, que se acentuará a importância dos diretores de recursos humanos, que, por inerência das funções, serão uns dos principais responsáveis pela concretização das mesmas.

Em paralelo, e por outro lado, a promoção de políticas empresariais de sustentabilidade assentes em critérios de natureza ambiental, sociais e de governança (da sigla em inglês, ESG) são hoje assumidos como decisivos para o sucesso do negócio das empresas, sendo que a implementação em curso do pacote normativo ESG já cristalizou um movimento que tem na sua forte regulação tanto uma causa, como um efeito.

A adoção e o cumprimento de métricas ESG como evidências da sustentabilidade das empresas para o acesso a financiamentos, mercados, oportunidades e investimentos constituirão a curto e médio prazo uma missão crucial dos gestores das empresas. É, portanto, hoje manifesto que partirão em vantagem as empresas que anteciparem desde já a implementação de práticas sustentáveis.

Ora, no plano dos recursos humanos, a agenda da sustentabilidade social, entre outros, assenta essencialmente na implementação pelas empresas de práticas laborais corporativas promotoras da igualdade de género, diversidade, direitos humanos, saúde mental, envolvimento de stakeholders e da comunidade na promoção de práticas de recursos humanos sustentáveis. A implementação de qualquer uma destas práticas pressupõe naturalmente um forte alinhamento entre os gestores de recursos humanos e a cúpula decisória das empresas, o que reforçará também sob essa perspetiva o papel dos diretores de recursos humanos no seio das respetivas estruturas.

Concorrendo com a revolução digital e implementação de critérios de sustentabilidade nas empresas, está também em curso um importante movimento de transição geracional dos colaboradores que se caracteriza pelo convívio simultâneo de colaboradores com perfis geracionais totalmente distintos, quer na forma como encaram o seu papel nas empresas em que trabalham (e também nas sociedades), quer também no modo também como posicionam o trabalho nas suas vidas e no significado que lhe atribuem. A diversidade geracional não sendo um fator inédito nas empresas, ganha, por diversas razões conjunturais, uma particular acuidade, face à critica necessidade de articulação e conciliação de colaboradores tão diversos para fazer face aos desafios vindouros.

A capacidade de unir, gerar confiança e colaboração dentro deste perfil eclético de colaboradores e em simultâneo de assegurar a transição geracional alinhada com os desafios da revolução digital e o ESG é essencial para o sucesso das empresas, configurando-se os gestores de pessoas como cruciais nessa missão.

Em suma, a conjugação de circunstâncias acima descritas pelos desafios que apresentam no sucesso das empresas, implicará, no nosso entendimento, um significativo reforço a curto e médio prazo da relevância decisória dos Diretores de Recursos Humanos nas estruturas das empresas, podendo conduzi-los, inclusivamente, aos cargos de administração das empresas.

A oportunidade que os desafios acima descritos podem representar para a progressão de carreira dos gestores de recursos humanos constitui o mote do programa de formação executiva da HR on Boards, a ser ministrado pela VdA e pela SHL nos próximos dias 15, 16 e 17 de fevereiro de 2022.

*Vieira de Almeida & Associados

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