Contribuir para que as empresas da área tecnológica consigam superar um dos seus grandes desafios atuais: a escassez de talento. Este é o ponto de partida do Job Summit IT, um evento 100% online que potencia o contacto entre profissionais e empresas, como explicou Joana Piteira, General Manager do Alerta Emprego, entidade responsável pelo evento.

Na próxima semana, realiza-se a primeira edição do Job Summit IT, uma iniciativa da responsabilidade do portal Alerta Emprego focado no setor das tecnologias que pretende contribuir para diminuir a escassez de talento neste setor ligando milhares de profissionais da área a empresas. Como explicou Joana Piteira, General Manager do Alerta Emprego, em entrevista ao Link To Leaders, a feira mantém o formato online, apesar do fim das restrições à realização de eventos presenciais, como forma de potenciar o processo de recrutamento digital, tornando-o mais fácil e ágil para empresas e candidatos.

Esta profissional, lembra que, atualmente, o maior e mais profundo desafio para as empresas que pretendem recrutar profissionais da área tecnológica é a escassez talento, porque as necessidades tecnológicas surgem mais rapidamente do que o talento que se forma e que entra no mercado. Por isso, afirma, as empresas têm de lutar diariamente não só pela atração de talento como pela sua retenção.

O que podemos esperar da primeira feira de emprego Job Summit IT?
Para a primeira edição do Job Summit IT, que se realiza já no dia 18 de maio, em formato 100% online, a nossa expetativa é bastante positiva. Esperamos mais de 200 ofertas de emprego para as mais diversas áreas tecnológicas em dezenas de empresas, quer nacionais como internacionais.

Consideramos que este evento representa uma oportunidade bastante interessante quer para candidatos quer para empresas. Primeiramente, para os candidatos, por disponibilizar, no mesmo local, variadas carreiras profissionais. A par disto, dá-lhes a oportunidade de recolherem mais informações sobre as oportunidades que lhes despertam maior interesse e falar diretamente com quem trabalha nas organizações, potenciando uma visão mais aprofundada da sua atividade, missão e valores.

No que diz respeito às empresas, terão oportunidade de contactar com um elevado número de candidatos, o que lhes dará acesso a um leque amplo de profissionais nos seus processos de recrutamento, com perfis diversos e adaptados às suas necessidades.

Durante o Job Summit IT, as entidades presentes poderão contactar com os candidatos através de salas de chat – onde podem ocorrer entrevistas de emprego -, stands virtuais, webinars, entre outros momentos e espaços de interação. Mesmo após o fim do evento, permitimos às empresas o acesso à base de dados dos candidatos, para que tenham oportunidade de contactar os candidatos que não conheceram na feira. Por tudo isto, consideramos verdadeiramente que o Job Summit IT contribuirá para que as empresas da área tecnológica consigam superar um dos seus grandes desafios atuais: a escassez de talento.

Porquê o foco no setor da tecnologia?
Atualmente, as empresas têm uma elevada dificuldade no recrutamento de profissionais no setor da tecnologia, pelo que a ideia do Job Summit IT surgiu exatamente para contornar esta tendência. Acreditamos que através de um evento que potencia o contacto entre profissionais e empresas, em tempo real, proporcionamos uma nova ferramenta de apoio aos processos de recrutamento, adaptando-o às suas necessidades e preferências, nomeadamente pelo formato online.
Desta forma, o Job Summit IT é uma oportunidade de inovação no processo de recrutamento, tornando-o mais fácil, ágil e rápido, sem perder a proximidade com o candidato.

Quais os objetivos que pretendem com este evento?
Esperamos que o Job Summit IT seja uma mais-valia para as empresas presentes – pelo recrutamento de novos colaboradores -, mas também que represente um apoio para os profissionais que estejam proativamente, ou não, à procura de emprego. Posto isto, pretendemos promover a interação online em tempo real, permitindo às empresas apresentarem-se e demonstrem a sua oferta diferenciadora e as vagas aos candidatos.

O nosso objetivo é alcançar 1500 candidatos neste primeiro Job Summit IT, um número que consideramos bastante positivo, já que é a primeira feira que organizamos completamente dedicada à tecnologia. Consideramos que o formato 100% online irá facilitar a conquista deste objetivo, fomentando a adesão de cada vez mais interessados, já que podem participar a partir de qualquer lugar.

Além disso, o formato online é o mais adaptado aos novos profissionais, pelo que esta é também uma oportunidade das empresas terem contacto com o talento mais jovem. Futuramente, para próximas edições, o nosso objetivo é que estejam presentes cada vez mais profissionais, de todas as áreas tecnológicas e com diferentes níveis de experiência.

“(…) temos já confirmadas mais de 20 entidades, da área tecnológica e outras, que pretendem recrutar diferentes perfis IT. Empresas como a EDP, o Grupo Generix, a Prime IT e a Anya Consultancy (…)”.

Quantas empresas e participantes já estão confirmadas no evento?
De momento, temos já confirmadas mais de 20 entidades, da área tecnológica e outras, que pretendem recrutar diferentes perfis IT. Empresas como a EDP, o Grupo Generix, a Prime IT e a Anya Consultancy são algumas das que marcarão presença, mas será possível a outras inscreverem-se até 16 de maio, pelo que este número poderá aumentar.
No que respeita aos participantes, pretendemos atingir no mínimo os 1500 candidatos inscritos. Estes podem ter ou não experiência, porque o Job Summit está a aberto a todos os que queiram agarrar uma oportunidade na área tecnológica.

“(…) as empresas têm de lutar diariamente não só pela atração de talento (…) como também pela retenção do talento (…)”.

Quais os desafios que se colocam às empresas que pretendem recrutar profissionais qualificados na área tecnológica?
O maior e mais profundo desafio para as empresas que pretendem recrutar profissionais da área tecnológica é, sem dúvida, a escassez talento. Isto é, a dificuldade em preencherem as vagas que lançam para o mercado por falta de profissionais qualificados. É um problema porque as necessidades tecnológicas surgem no mercado mais rapidamente do que o talento que se forma e que entra efetivamente no mercado.

A par disto, a competitividade entre empresas no setor tecnológico é alta e, assim, existe muitas vezes dificuldade porque, havendo mais empregos disponíveis do que profissionais, os candidatos têm oportunidade de escolher a empresa que fizer a proposta mais atraente.

Finalmente, a demora nos processos de recrutamento para cargos tecnológicos pode fazer com que os candidatos desistam da vaga. Isto, pode acontecer por várias razões, como o candidato ser abordado por outras empresas com processos seletivos mais ágeis.

Desta forma, as empresas têm de lutar diariamente não só pela atração de talento, o que se torna cada vez mais difícil por diversas razões, como também pela retenção do talento, que pode, a qualquer altura, ser desafiado por outras empresas com propostas mais aliciantes.

“(…) assistimos a uma tendência económica denominada “The Great Resignation”, que se refere ao despedimento em massa de milhares de profissionais, por vontade própria”.

Um estudo recente do Workmonitor, da Randstad, concluiu que cerca de dois em quatro profissionais da Geração Z preferem ficar desempregados a trabalharem em algo ou empresa de que não gostam. As empresas portuguesas estão preparadas para reter os seus talentos e promover o seu bem-estar?
Nos dias que correm, assistimos a uma tendência económica denominada “The Great Resignation”, que se refere ao despedimento em massa de milhares de profissionais, por vontade própria. Esta e outras tendências, como a já referida escassez de talento, vêm impactar bastante a atividade das empresas, exigindo uma resposta eficaz.

Desta forma, as organizações enfrentam desafios crescentes no que toca à captação e retenção de talento, sendo necessário que se desafiem e deem o primeiro passo na criação de propostas de valor adaptadas às prioridades dos profissionais. Por sua vez, devem acompanhar também as necessidades e ambições dos mesmos, criando benefícios e medidas que promovam o seu bem-estar e sentimento de pertença, o que vai muito além do salário.

Por exemplo, devem fomentar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, bem como a flexibilidade horária, que chegou pela mão da pandemia, e que agradou a muito aos colaboradores, ou a flexibilidade no que respeita ao local de trabalho, com a adoção de modelos como o híbrido e o remoto.

Por outro lado, as novas gerações de profissionais procuram alinhar as suas motivações pessoais com as motivações das empresas e organizações onde trabalham. Neste sentido, para atrair e reter o talento, as empresas portuguesas devem apostar, por exemplo, em políticas de ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) que devem ser bandeiras de propósito no mundo corporativo e são cada vez mais uma estratégia para a atração de talento. Nesse sentido, as empresas têm cada vez mais de tomar posições no que respeita a temas sociais e ambientais, passando das palavras a medidas concretas e ações.

Por tudo isto, podemos considerar que ainda existe um longo caminho para que as empresas estejam preparadas para atrair e reter os profissionais de hoje e do futuro. No entanto, o certo é que estão cada vez a ter mais atenção às suas necessidades e preferências, criando propostas de valor que estejam alinhadas e que as tornem mais competitivas no mercado atual.

Quais as melhores formas para reter os nossos talentos em tecnologia?
O Employer Branding, que se refere ao uso de estratégias e ferramentas que pretendem gerar uma perceção positiva da empresa como entidade empregadora é, entre outras, uma forma de reter talento no setor tecnológico. Para que isto aconteça, há várias estratégias possíveis a adotar pelas empresas, criando uma proposta de valor única pensada para o profissional. Entre os vários aspetos, adicionando aos já referidos, estão o reconhecimento profissional dos colaboradores e a sua valorização através de variados benefícios.

No que respeita aos profissionais da área tecnológica, e sendo este um setor que está em constante evolução, os profissionais valorizam cada vez mais a formação, que permite a aquisição de novas competências, essenciais para o futuro, bem como a flexibilidade, dando-lhes a oportunidade de trabalharem a partir de qualquer lugar e tendo como premissa a conquista de objetivos.

A par disto, é importante definir e deixar claro um plano de carreira e de desenvolvimento. O talento pretende ser reconhecido, mas quer crescer e aprender dentro da empresa, algo que se aplica aos vários níveis da hierarquia – desde os mais juniores aos mais seniores. O ideal é que as organizações desenhem um plano de carreia para os colaboradores alinhado com as expetativas, o que fará com que tenham objetivos de crescimento dentro da empresa e, que por isso, se mantenham motivados para os alcançar.

Finalmente, a elevada procura de talento no setor tecnológico leva cada vez mais empresas a reformularem os seus planos de salários para conseguirem tornar as suas vagas mais competitivas e aliciantes para os candidatos.

“(…) as empresas devem ser transparentes e mostrar publicamente que apoiam e prezam a diversidade e equidade de género das suas equipas (…)”.

O setor tecnológico continua a ser maioritariamente masculino. Como atrair mulheres para o mundo da tecnologia?
Antes de mais, as empresas devem ser transparentes e mostrar publicamente que apoiam e prezam a diversidade e equidade de género das suas equipas, não só através das redes sociais ou de outros canais, mas dando voz às suas colaboradoras, demonstrando como são um bom local para todas as mulheres trabalharem.

Por sua vez, é necessário que as empresas utilizem a linguagem certa na divulgação das suas vagas, atraindo estas profissionais. Devem ser evitados pronomes masculinos e femininos na descrição da vaga para não a balizar demasiado e, sempre que possível, devem ser utilizadas palavras neutras do ponto de vista do género. Ainda sobre a descrição da vaga, deve estar em destaque a possibilidade de crescimento e aprendizagem constante, algo muito valorizado pelas profissionais femininas.

No entanto, este trabalho de atração de mulheres para IT deve ir muito além do momento de partilha de vagas. As empresas devem ter na sua proposta de valor diferentes iniciativas que sejam pensadas para estes profissionais, o que promove a sua retenção e motivação nas organizações. Aqui, referem-se medidas como o prolongamento da licença de maternidade ou o regresso das colaboradoras recém-mães em part-time nos primeiros meses de vida dos filhos, horários flexíveis e ainda a equivalência salarial entre homens e mulheres, que desempenham as mesmas funções.

O formato à distância veio para ficar nos próximos eventos do Alerta Emprego?
Todos os eventos que já realizamos até aqui – as diversas edições do Job Summit – foram 100% online e prevemos que assim continue a ser. O formato à distância veio facilitar muitos fatores que consideramos fundamentais nos nossos eventos, nomeadamente, a atração de mais participantes, pelo que achamos que pode ser um formato a continuar no futuro. Por não se realizar num espaço físico para onde as pessoas se devem deslocar, não existe um número máximo de participantes, o que permite que todos possam marcar presença, a partir de qualquer lugar do país ou estrangeiro.

Desta forma, e tendo em conta que a vertente humana não é prejudicada por processos de recrutamento digitais, acredito que este formato veio facilitar o processo de recrutamento nestes eventos, tanto do ponto de vista das empresas como dos candidatos, tornando-o mais ágil e rápido

Desta forma, entre outros aspetos, através de processos mais digitais, as organizações têm oportunidade de aumentar as suas pools de talento, considerando profissionais de qualquer localização, sem que tenham de ficar restringidos ao seu local de atividade.

Que outros setores de atividade gostaria o Alerta Emprego de destacar nas próximas feiras?
Desde a primeira edição que o Job Summit surge integrado na estratégia geral do próprio Alerta Emprego, pelo que desde a nossa fundação que trabalhamos para ajudar candidatos e empresas a encontrarem-se, mas também a adaptarem-se às mudanças do mercado de trabalho.

Quando lançámos este evento, este tinha um caráter mais generalista, formato que ainda se mantém, mas vimos a necessidade de criar também edições focadas em áreas específicas, consoante as necessidades do mercado. Assim, surgiu o Job Summit Turismo – devido à necessidade de recrutamento do setor – e agora a edição focada em tecnologia pela escassez de talento na área.

Seguindo a mesma linha, acreditamos que o futuro deverá passar pela criação de eventos que venham sempre responder às necessidades, pelo que estaremos sempre atentos às dificuldades de recrutamento dos vários setores de atividade, sem colocar nenhum de parte.

Quais os planos para o futuro do Alerta Emprego em termos de iniciativas?
Pretendemos continuar a inovar e a pensar nas principais necessidades das empresas, criando eventos que acrescentem valor ao mercado. Temos como objetivo a médio e longo prazo continuar a crescer a nível de marca e a inovar, sendo mais do que um portal com centenas de ofertas. Queremos ir mais além através da criação de novas iniciativas que venham impactar positivamente as empresas e os candidatos, bem como com a consolidação dos nossos diversos serviços.

Nesse sentido, e face ao momento atual que vivemos, queremos potenciar a nosso espaço online destinado a ofertas para refugiados ucranianos em Portugal, permitindo às empresas partilhar gratuitamente as vagas “Refugee Friendly”. À data já temos mais de 30 vagas em diversas áreas e setores, como para farmacêuticos, engenheiros, cozinheiros e até tradutores, mas queremos que esta plataforma continue a crescer.

Por fim, pretendemos crescer cada vez mais no mercado nacional, chegando a mais candidatos e tendo cada vez mais empresas que estejam a recrutar no nosso portal, bem como aumentar o número de candidaturas diárias, nomeadamente atingindo valores pré-pandemia.

Respostas rápidas:
O maior risco: ter aceite um trabalho totalmente fora da minha área de conforto para primeiro trabalho – dar formação.
O maior erro: não considerando bem um erro, se voltasse atrás talvez não tivesse começado logo a trabalhar após terminar a faculdade e tivesse optado por adquirir outros conhecimentos e experiências.
A maior lição: confiar nos nossos colegas e na nossa equipa é fundamental. Saber delegar e motivar as pessoas facilita o trabalho de todos.
A maior conquista: assumir a função de General Manager do Alerta Emprego com 28 anos.

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