Entrevista/ “Os modelos de negócio como tínhamos e conhecíamos em janeiro terminaram”

Vaz Martins, proprietário da APINEQ

A Apineq adaptou o modelo de negócio e desenvolveu a primeira máquina de produção de máscaras cirúrgicas 100% nacional. Em entrevista ao Link To Leaders, o proprietário da empresa fala de como têm sido os últimos meses, das contratações que fizeram, numa altura em que a maioria das empresas se retraiam, e do crescimento que estima para este ano: 25%.

“Tudo mudou. As áreas clássicas onde nos movimentávamos estão diferentes e felizmente para a Apineq apareceram outras”, revela Vaz Martins, proprietário da Apineq, empresa nacional de engenharia de controlo de processo e automação industrial, que desenvolveu a primeira máquina de produção de máscaras cirúrgicas 100% nacional e que já começou a exportá-la.

A máquina foi idealizada por si, que trabalha na indústria automóvel, e a ideia para a sua criação surgiu depois de “ver as imagens de desespero dos profissionais de saúde, sem equipamento de proteção básico”.

O primeiro protótipo ficou pronto em maio e, neste momento, a empresa já começou a exportar a linha automática de produção de máscaras cirúrgicas de alta cadência, tendo já sido vendidas uma máquina para Espanha e outra para Angola.

Como surgiu a ideia de criar uma máquina de produção de máscaras 100% nacional?
Ao ver as imagens de desespero dos profissionais de saúde, sem equipamento de proteção básico, como são as máscaras e pelas notícias veiculadas pelos media conclui que todo esse material era produzido por um único País asiático, o que era inacreditável. Era preciso terminar definitivamente com essa dependência.

Qual a capacidade desta máquina?
A capacidade de produção de máscaras desta máquina é de cerca de 100 a 120Mascaras/minuto.

“O maior desafio na reinvenção do negócio foi divulgar e comercializar a máquina aos clientes. Tivemos de mudar a forma de divulgar as nossas máquinas”.

Quais os desafios que enfrentaram na reinvenção do vosso modelo de negócio em plena pandemia de Covid-19?
O maior desafio na reinvenção do negócio foi divulgar e comercializar a máquina aos clientes. Tivemos de mudar a forma de divulgar as nossas máquinas. Estávamos habituados a divulgar, mostrando fisicamente as máquinas (todos gostam de tocar e mexer). Passámos para uma divulgação completamente digital, ou seja, mostrar as especificidades e capacidades da máquina sem o cliente ter a possibilidade de estar fisicamente junto da máquina.

O que foi fundamental para a concretização deste novo projeto de criação de uma máquina?
Perceber se o negócio tinha futuro ou se não iria terminar daí a uns meses.

Para quais mercados já venderam as máquinas?
Vendemos em Portugal, Espanha e Angola.

Que mercados são neste momento mais representativos para a Apineq?
O mercado europeu e o africano.

Qual será a vossa estratégia de venda da máquina a curto-médio prazo?
A estratégia de vendas será chegar ao maior número de mercados possível, principalmente, o Europeu, de forma a tornar os diversos países independentes do problema da dependência referida.

“O ano passado faturámos cerca de 1,6 milhões de euros . Este ano esperamos ultrapassar os 2 milhões de euros”.

Qual foi o volume de negócios do último ano da Apineq e que crescimento perspetiva para este ano?
O ano passado faturámos cerca de 1,6 milhões de euros . Este ano esperamos ultrapassar os 2 milhões de euros.

Os apoios do estado durante a pandemia foram suficientes para a sobrevivência das empresas?
Penso que não. No início, como ninguém estava à espera desta situação, deram-se apoios sem se perceber muito bem qual o critério. Agora julgo que finalmente se começa a apoiar as empresas que têm hipóteses de sobrevivência, mas as verbas já são poucas e as dificuldades imensas. Muito maiores do que o previsto.

“Já contratámos novos colaboradores e com este crescimento temos de forçosamente contratar mais”.

Passada esta crise, que projetos e expetativas tem a Apineq? Novas contratações, áreas de aposta novas?
A crise está para durar. Mas com esta nova área de atuação temos um mercado imenso, principalmente de exportação para explorar e crescer. Já contratámos novos colaboradores e com este crescimento temos de forçosamente contratar mais.

O modelo de negócio da APINEQ não será mais o mesmo após a pandemia? Hoje temos uma nova APINEQ?
Os modelos de negócio como tínhamos e conhecíamos em janeiro terminaram. Não existem mais. Tudo mudou. As áreas clássicas onde nos movimentávamos estão diferentes e felizmente para a Apineq apareceram outras. Os novos modelos de negócio baseiam-se definitivamente no digital e estão mais virados para a proteção e bem-estar das pessoas. Outro modelo que vai aparecer em força e definitivamente será o ecológico.

Tivemos uma amostra em que durante um mês reduzimos a poluição forçosamente e o Planeta teve um comportamento a que já não estávamos habituados. Apercebemo-nos que o ambiente em que vivíamos considerado normal não era mais do que um ambiente sem qualidade de vida. Mas também temos a responsabilidade de obrigar os países que não cumprem essas normas ambientais a cumpri-las. É possível conseguir esse objetivo, criando barreiras alfandegárias enquanto as não cumprirem.

 

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