Como a start-up de Oprah Winfrey quer revolucionar a saúde dos brasileiros

A Sharecare, que tem, entre outros investidores, a famosa apresentadora de televisão norte-americana, acaba de chegar ao Brasil. Com um valor de mercado de 2 mil milhões de dólares, a start-up regista mais de 60 milhões de utilizadores.

Além de potencial candidata a presidente dos EUA e de ser uma das apresentadoras de televisão mais consagradas do país, Oprah Winfrey destaca-se como uma defensora acérrima das causas sociais, tendo realizado investimentos nesta área. A prova disso é a sua start-up, a Sharecare, fundada em 2010 com um investimento de 13 milhões de dólares (11 milhões de euros), desembolsado pela Harpo Productions (empresa de Oprah), por Dr. Mehmet Oz, também famoso por aparecer na televisão, e ainda outros investidores.

A start-up é considerada uma das que mais cresce no segmento de tecnologia médica, um nicho apontado nos últimos anos como a tendência de Silicon Valley. “Os setores de transportes, financeiro, de hospedagem e de entretenimento já passaram por revoluções digitais. Agora, vem o da saúde”, disse Jeff Arnold, fundador da start-up.

O modelo da Sharecare baseia-se na recolha de informações de saúde dos utilizadores através de telemóveis. A partir desses dados, a ideia é permitir que as empresas de seguros de saúde acompanhem a evolução dos seus segurados e ofereçam descontos a quem trata melhor de si. Para os grandes empregadores, o objetivo é reduzir os custos relacionados com a saúde e os índices de absentismo. Depois de alcançar um valor de mercado de 2 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) e 68 milhões de utilizadores, a empresa chega agora ao Brasil.

O país é o quarto mercado a receber uma operação direta da Sharecare. “A expetativa é de alcançar entre 3 a 5 milhões de utilizadores em 2018, com clientes corporativos ou governamentais”, diz Nicolas Toth, CEO da Sharecare no Brasil.

Mas a operação não começa do zero. Em 2016, a start-up adquiriu a Healthways, que já atuava no Brasil desde 2008, em parceria com o laboratório Fleury, que usava a solução para acompanhar a saúde de doentes crónicos.

Em 2015, a SulAmérica investiu 250 milhões de reais (59,6 milhões de euros) numa joint venture com a Healthways, que registou 1,5 milhões de clientes. “A ferramenta intensifica o que fazemos, oferecendo ao segurado uma experiência personalizada, eficaz e divertida para cuidar da saúde”, afirma Maurício Lopes, vice-presidente de saúde da SulAmérica.

“Acreditamos que a redução do número de sinistros e a melhoria da saúde geral dos beneficiários serão consequências naturais desse processo”, acrescentou.  No país, o Grupo Pão de Açúcar também utiliza a ferramenta.

Para estruturar a operação, a Sharecare abriu um escritório na Avenida Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo, e contratou 200 pessoas. A empresa tem vindo a estabelecer parcerias com as prefeituras para levar a plataforma aos cidadãos brasileiros, e vê potencial em trazer contratos internacionais para o Brasil.

Além da Healthways, a start-up levou também para o Brasil serviços de acompanhamento mais sofisticados. Por exemplo, uma aplicação que capta, através do telemóvel, a voz da pessoa em conversas telefónicas para identificar níveis de stress. Por meio dos sensores de movimento do telemóvel, também identifica quantas horas o utilizador descansa por noite.

Para dar a conhecer a sua chegada ao Brasil, a empresa preparou uma campanha com bloguers e nas redes sociais, e conta com as atrizes Letícia Spiller e Cris Vianna como embaixadoras.

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