No Radar: as prioridades do CEO da Fidelidade Assistance até ao final do ano
Com os olhos postos em 2027, João Casimiro coloca a transformação organizacional e cultural no centro das suas prioridades para esta reta final do ano. Na rubrica No Radar, fala dos desafios de conciliar ambição e crescimento sustentado, da integração da inteligência artificial no dia a dia e da importância de liderar com foco e capacidade de adaptação num contexto de incerteza.
Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?
Estamos a construir uma Fidelidade Assistance com mais ambição para o mercado e precisamos de uma organização que dê resposta a essa ambição. A reta final do ano será dedicada a consolidar uma transformação organizacional e cultural já iniciada, com nova estrutura, uma área dedicada à transformação, mais delegação e autonomia nas equipas. Esta terá de ser a base para que as iniciativas estratégicas que temos para 2027 avancem como pretendemos.
“A principal aprendizagem foi aceitar que o ritmo da ambição nem sempre pode ser o ritmo da execução”.
Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?
A principal aprendizagem foi aceitar que o ritmo da ambição nem sempre pode ser o ritmo da execução. Quando queremos crescer depressa existe a tentação de avançar antes de estarem reunidas todas as condições e é nesses momentos que se põe à prova a nossa capacidade de responder com a qualidade que os clientes esperam e que as nossas equipas merecem. Aprendi que crescer de forma sustentada passa por reconhecer quando esse desalinhamento existe, assumir que temos primeiro de preparar as bases e aceitar a frustração que isso traz. É menos épico, mas é o que permite dar o salto quando chega o momento.
Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?
A decisão mais importante até dezembro será definir com clareza onde vamos concentrar o nosso crescimento em 2027: quais os produtos e setores em que queremos apostar e com que prospects concretos. É uma decisão de foco. Sem ela, corremos o risco de arrancar o ano a trabalhar em muitas frentes e foco nas que realmente importam.
“O que mudou não foi a tecnologia, foi a passagem para o uso prático e quotidiano. É isso que agora ocupa espaço real na minha agenda”.
Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?
A inteligência artificial não é tema novo, mas nos últimos seis meses deixou de ser conversa de futuro e passou a estar no meu dia a dia. Uso-a para pensar temas, estruturar reflexões, preparar decisões. E dentro da Fidelidade Assistance temos vindo a identificar áreas onde a IA pode melhorar operação e apoiar as equipas. O que mudou não foi a tecnologia, foi a passagem para o uso prático e quotidiano. É isso que agora ocupa espaço real na minha agenda.
Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?
O maior desafio hoje é liderar com menos visibilidade e a maior velocidade do que estávamos habituados. A combinação de incerteza geopolítica, mudança tecnológica rápida e comportamentos de mercado em transformação faz com que muitas decisões sejam tomadas sem o nível de confiança que teríamos há cinco anos e com uma necessidade de adaptação muito mais rápida. Isto exige uma equipa de liderança diferente, mais iterativa, com capacidade de rever estratégia quando a realidade muda e com honestidade para dar segurança às equipas num contexto em que também nós não temos todas as respostas.
Complete a frase: Até ao final do ano, quero…
…entrar em 2027 com um plano claro de prioridades, com as apostas de crescimento definidas e com a equipa alinhada em torno delas.
“Confundir atividade com progresso, porque estar ocupado não implica estar a avançar”.
Em poucas palavras:
Uma oportunidade a acompanhar: Repensar o modelo de assistência num mundo digital que continua a precisar de presença humana.
Um risco a não perder de vista: Confundir atividade com progresso, porque estar ocupado não implica estar a avançar.
Uma ideia que merece mais atenção: O tempo que a transformação cultural realmente leva.
Uma palavra para definir esta reta final do ano: Foco.
A pergunta que me ocupa: Como garantir que crescemos sem perder o que nos diferencia?









