OE2027: cinco mudanças a que as famílias devem estar atentas para proteger o orçamento

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Atualização do IRS, evolução das taxas de juro e regras de acesso ao crédito estão entre os temas que vão marcar as decisões financeiras das famílias no próximo ano.

A Casa Financeira analisou a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) com um objetivo de perceber o que muda, na prática, nas contas das famílias. A conclusão é que as medidas fiscais terão um efeito positivo, mas moderado, no rendimento disponível. Já as decisões sobre crédito, poupança e proteção vão continuar a pesar mais no equilíbrio financeiro de cada família.

Para ajudar as famílias a planear o próximo ano, a Casa Financeira destaca cinco pontos de atenção.

1. IRS: um alívio que varia de família para família

A proposta atualiza os escalões do IRS em 3,88% e aumenta o mínimo de existência para 13.580 euros. Segundo simulações da Casa Financeira, um contribuinte solteiro com um salário bruto de 1.500 euros por mês poderá poupar entre 37 e 66 euros por ano. Um casal com dois filhos e um rendimento de 1.600 euros brutos cada poderá poupar até cerca de 132 euros por ano. O valor final depende da situação de cada contribuinte e de parâmetros que ainda vão ser fixados.

2. Taxas de juro: o fator com mais peso na prestação

O cenário do Orçamento assume que a Euribor a três meses passa de 2,5% em 2026 para 3,4% em 2027. Num crédito à habitação de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, isto pode significar cerca de 78 euros a mais por mês, ou 931 euros por ano. Antes de assumir ou rever um crédito, simular a prestação em diferentes cenários de juro é uma forma simples de evitar surpresas.

3. Comprar casa: o imposto muda pouco

Os escalões do IMT são atualizados em 2,3% e o limite de isenção para jovens até 35 anos passa para 338.141 euros. Para muitos compradores, face ao Orçamento de Estado de 2025, a poupança fiscal será nula ou de algumas centenas de euros. O custo do financiamento e a capacidade de reunir uma entrada terão mais influência na decisão de compra do que o imposto.

4. Garantia pública jovem: confirmar antes de decidir

A garantia pública que permite aos jovens financiar até 100% da primeira casa abrange contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. A continuidade em 2027 foi anunciada pelo Governo, mas ainda aguarda confirmação formal. Sem garantia, aplica-se o limite de 90% recomendado pelo Banco de Portugal para habitação própria permanente: numa casa de 250 mil euros, são precisos cerca de 25 mil euros de entrada. A Casa Financeira recomenda aos compradores que confirmem as condições em vigor antes de avançarem para a escolha de financiamento.

5. Poupança e proteção: decisões que dependem de cada família

A proposta não traz alterações aos incentivos à poupança nem aos seguros. A revisão do regime de seguros para catástrofes e sismos está anunciada, mas ainda sem regras definidas. Rever as apólices da casa e manter uma reserva para imprevistos continuam a ser passos importantes para proteger o património e o rendimento da família.

O OE2027 traz mudanças que vão chegar a quase todas as famílias, mas o efeito de cada uma será, na maioria dos casos, modesto. O que vai fazer mais diferença nas contas de 2027 são decisões que cada família pode preparar desde já: quanto pedir emprestado e em que condições, que margem manter para imprevistos e que proteção ter para a casa e para o rendimento.

 

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