L’Oréal, UNESCO e FCT distinguem quatro investigadoras portuguesas com 60 mil euros
O programa Fundação L’Oréal-UNESCO ‘For Women in Science’ promovido pelo L’Oréal Groupe em Portugal, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribui um investimento de 15 mil euros a cada investigadora, totalizando um apoio de 60 mil euros.
O L’Oréal Groupe em Portugal e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) acabam de anunciar as vencedoras da 22.ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência (Programa Fundação L’Oréal-UNESCO ‘For Women in Science’).
Ana Esteves (FEUP), Cláudia Martins (i3S/UP), Fátima Santos (FEUP) e Inês Alves (i3S/UP/UA) são as vencedoras selecionadas entre dezenas de candidaturas nacionais, perante um júri científico de referência, pelo rigor e impacto social das suas investigações nas áreas da saúde e da sustentabilidade ambiental, e cujas trajetórias representam a excelência e o futuro da ciência portuguesa.
A iniciativa atribui a cada cientista um prémio individual de 15 mil euros, totalizando um apoio financeiro de 60 mil euros, que visa viabilizar a execução destes projetos promissores.
A cerimónia de entrega das medalhas decorreu esta quarta-feira, 16 de setembro, no Teatro da Luz, em Lisboa, uma escolha simbólica concebida para colocar no centro do palco e sob os holofotes do debate público investigadoras cujo trabalho pioneiro permanece, tantas vezes, circunscrito aos laboratórios. O encontro reuniu personalidades de topo do ecossistema político, científico e diplomático nacional, contando com a presença do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, do Embaixador de França em Portugal,
Além de homenagear o talento feminino, a sessão promoveu um debate estratégico sobre a transformação do conhecimento académico em soluções concretas para a sociedade e para a economia. O painel “Ciência com impacto: como transformar conhecimento em inovação e competitividade” centrou-se na valorização económica da investigação e contou com as intervenções de Madalena Alves, presidente do Conselho Diretivo da FCT, Teresa Pinto Correia, vice-presidente da AI, Raquel Ascensão, vice-presidente do INFARMED, e Fátima Godinho Carvalho, diretora executiva e diretora técnica do Laboratório de Estudos Farmacêuticos do Grupo ANF. Já a sessão “Os projetos distinguidos: um novo passo num percurso desafiante”, conduzida por Alexandre Quintanilha, presidente do júri científico, deu voz às quatro investigadoras premiadas, que partilharam os desafios da carreira científica no feminino e a potencial aplicação clínica e industrial dos seus projetos.
Criado globalmente em 1998 pela Fundação L’Oréal e pela UNESCO, e estabelecido em Portugal em 2004 através do L’Oréal Groupe em Portugal, em parceria com a FCT, o programa For Women in Science nasceu com a missão de combater a sub-representação feminina na investigação e eliminar as barreiras de género que travam o progresso científico.
Conheça os projetos e respetivas cientistas distinguidas na 22ª edição
Ana Esteves – LEPABE, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Procura identificar novas estratégias que tornem a produção de microalgas mais eficiente, sustentável e economicamente viável, abrindo caminho à utilização destes organismos em larga escala pela indústria. O projeto explora o efeito combinado de diferentes espetros de luz e frequências sonoras para promover o crescimento e induzir o agrupamento natural das microalgas, facilitando a sua separação da água com menor consumo de energia e sem aditivos químicos. Numa fase posterior, integrará modelos de inteligência artificial para otimizar os processos no âmbito da bioeconomia circular.
Cláudia Martins – i3S, Universidade do Porto
Estuda uma nova forma de combater as células cancerígenas residuais de glioblastoma – o tumor cerebral maligno mais frequente e agressivo em adultos – que permanecem no cérebro após a intervenção cirúrgica. A investigadora desenvolve um pequeno implante concebido para ser colocado no local onde o tumor foi removido, atuando como um reservatório inteligente de medicamentos. O dispositivo combina a libertação faseada e localizada de quimioterapia, o bloqueio dos mecanismos de resistência celular e uma terapia inovadora para travar a proliferação tumoral.
Fátima Santos – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
Centra-se no desenvolvimento de uma nova geração de células fotovoltaicas sensibilizadas por corante (DSSC) capazes de captar a luz ambiente existente em espaços interiores (casas e escritórios) e transformá-la em eletricidade. Através do projeto TAMODI, a tecnologia pretende alimentar dispositivos de baixo consumo energético e sensores da Internet das Coisas (IoT) sem depender da substituição de baterias, podendo ser integrada em superfícies como janelas para rentabilizar a luz interior e exterior.
Inês Alves – i3S, Universidade do Porto
Glicoimunologista, pretende identificar as alterações dos açúcares que envolvem a superfície celular dos tecidos afetados pelo Lúpus Eritematoso Sistémico e compreender de que forma contribuem para a resposta anómala do sistema imunitário. Como o lúpus afeta maioritariamente mulheres e apresenta um diagnóstico frequentemente demorado, a identificação destes padrões de açúcares alterados e anticorpos trará uma janela de oportunidade para detetar a doença numa fase precoce e evitar danos irreversíveis nos órgãos e tecidos.







